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Leão de jogos grandes, Atlético de Madrid testa favoritismo na Champions

Técnico Diego Simeone, do Atlético, no jogo contra o Liverpool - Soccrates Images / Colaborador
Técnico Diego Simeone, do Atlético, no jogo contra o Liverpool Imagem: Soccrates Images / Colaborador
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

13/08/2020 08h01

Todos nos acostumamos, ao longo da década, ao ver o Atlético de Madrid encarar todos os gigantes da Europa. Na era Simeone, o Atleti já tirou Barcelona e Bayern de Champions, já ganhou Copa do Rei em cima do Real no Bernabéu, chegou a duas finais europeias, forçando pênaltis e prorrogação contra o arquirrival, e, para lembrar da mais recente, eliminou da Liga dos Campeões o todo poderoso Liverpool, campeão de tudo, em pleno Anfield.

Fora dos holofotes dos jogos enormes, no entanto, o Atlético é uma espécie de Robin Hood. Tira dos grandes para dar aos pequenos e, assim, fica longe de ameaçar o duopólio Real-Barça na Liga espanhola.

Na temporada atual, por exemplo, o Atlético colecionou impressionantes 16 empates - perdeu só quatro vezes, uma a mais que o Real, mas ganhou oito partidas a menos. Real Madrid foi campeão com 87 pontos ganhos - ninguém havia sido campeão fazendo menos pontos desde 2008.

Com a contratação de João Félix e a instabilidade dos rivais, era ano para o Atlético batalhar pelo título, mas nunca chegou nem perto disso. Logo no início da temporada empatou com Celta, Valladolid, Alavés, Granada...

Depois de vencer o Liverpool, Simeone teve de levar para casa uma cornetada de Jurgen Klopp: "Com os jogadores que têm, não entendo por que o Atlético joga desse jeito", falou o treinador alemão, sobre o defensivismo do time do argentino.

É claro que era uma declaração ressentida de um derrotado. Mas o fato é que o jeito de jogar do Atlético, que acaba por se tornar heroico quando ele enfrenta gigantes da Europa, torna-se um problema quando o time tem a obrigação da vitória, quando carrega o peso do favoritismo e enfrenta times que usam as mesmas armas - fechar a casinha e contra atacar.

É o caso hoje, contra o RB Leipzig, pelas quartas de final da Champions, em Lisboa (16h de Brasília).

Assim como o Atlético na Espanha, o Leipzig foi quem mais empatou na última edição da Bundesliga (12 vezes), o que talvez tenha tirado do time da Red Bull a chance de disputar o título contra Bayern de Munique e Borussia Dortmund. Não é um time ultradefensivo, mas é um time que se sente à vontade em campo contra atacando em velocidade. É uma marca do Leipzig, que estará sem seu artilheiro, Timo Werner, que partiu para o Chelsea.

"É estranho para nós que nos vejam como favoritos, será um jogo difícil", disse ontem o goleiro Oblak, do Atlético. Pode até parecer estranho, mas é a realidade, e o Atleti precisa saber lidar melhor com ela para conseguir dar o último salto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL