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Na eliminação vexatória do São Paulo, ninguém pode ser perdoado

Fernando Diniz lamenta gol sofrido pelo São Paulo contra o Mirassol, nas quartas de final do Paulistão - Reprodução/Premiere FC
Fernando Diniz lamenta gol sofrido pelo São Paulo contra o Mirassol, nas quartas de final do Paulistão Imagem: Reprodução/Premiere FC
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

29/07/2020 20h55

O São Paulo deu um papelão. Mais um, já são anos e anos em que o outrora soberano virou motivo de chacota. A vergonha da vez foi a eliminação para o Mirassol, nas quartas de final do Paulistão.

Futebol é futebol. O regulamento do campeonato é patético há anos e, quando a fase eliminatória é realizada em jogo único, tudo pode acontecer. Mas há coisas que não podem acontecer. Simples assim. O São Paulo tem mesmo técnico e mesmo time desde o ano passado, espera-se entrosamento. O Mirassol, o MI-RAS-SOL, perdeu 18 jogadores devido à parada do futebol pela pandemia do coronavírus.

Ou seja, o Mirassol que está na semifinal do Campeonato Paulista nada tem a ver com o Mirassol que se classificou para esta fase.

Não é que o São Paulo tenha massacrado, perdido trocentos gols, acertado a trave várias vezes, goleiro consagrado, prejudicado pela arbitragem... nada disso aconteceu. O São Paulo dominou a partida, é óbvio, mas criou pouco e facilitou a vida do time que estava se defendendo.

Levou dois gols no primeiro tempo, acordou, chegou ao empate e... parou de novo. No segundo tempo, parecia ser um time acreditando que o gol sairia a qualquer momento. Mas não saiu. E não passou perto de sair. O castigo veio em um lance bobo, o único de ataque do Mirassol na etapa final. 2 a 3 no Morumbi, adeus São Paulo.

Ninguém se salva de uma eliminação assim. Leco, um presidente questionado, vai sofrer. Raí, um diretor questionado, vai sofrer. Fernando Diniz, um técnico questionado, vai sofrer - e, provavelmente, cair. Mas não podemos nos esquecer dos jogadores. Daniel Alves fez uma partida pífia, Thiago Volpi falhou feio no terceiro gol, e aqui estamos falando dos dois melhores. Ninguém foi bem.

Vai ter reclamação de torcida, muro pichado, protestos nas redes sociais e hashtag #foraDiniz. Faz parte.

Eu considerava o São Paulo, pelo que vinha jogando antes do entrosamento e olhando para os principais rivais, o principal favorito ao título paulista. Parece que errei.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL