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Julio Gomes

Nono título seguido da Juventus é lembrança do mau caminho do futebol

Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus - MASSIMO PINCA
Cristiano Ronaldo em ação pela Juventus Imagem: MASSIMO PINCA
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

27/07/2020 04h00

E a Juventus é campeã italiana! Mas espera aí... isso lá é notícia?

Deveria ser. Sempre foi. O Campeonato Italiano era o mais forte do mundo nos anos 80, início dos 90. Sempre foi competitivo, ganhá-lo nunca foi fácil. Até esta década que está acabando.

Com a vitória por 2 a 0 sobre a Sampdoria, ontem, a Juventus conquistou o nono título consecutivo. Uma verdadeira bizarrice. E sem muitos sustos nestes nove campeonatos! Para deixar as coisas mais tranquilas, ainda trouxe Cristiano Ronaldo duas temporadas atrás - já tem 31 gols na atual.

Ou seja, está claro que o Italiano nem mesmo é objetivo da Juventus, ganhá-lo é apenas o óbvio. A cabeça está só na Europa, um título que não vem há 24 anos.

Este domínio inédito da Juventus na Itália é uma nova lembrança de algo muito errado que está acontecendo no futebol: a elitização.

Real Madrid e Barcelona nunca foram tão dominantes na Espanha, o Bayern de Munique já soma oito títulos seguidos na Alemanha, O PSG ganhou sete de oito na França, os últimos campeões na Inglaterra fizeram uma quantidade de pontos que antes era tida como impossível. E por aí vai.

A conversa de Superliga Europeia volta a esquentar, como se esperava. Os grandões não querem mais perder tanto tempo com os "estaduais" deles - é nisso que as ligas domésticas estão se transformando. Querem jogar entre si e ganhar mais e mais dinheiro. E mais e mais. E mais e mais.

O futebol caminha na Europa com as costas viradas para os médios (alguns outrora grandes) e para os pequenos (alguns outrora médios). Aí aparece um Leicester, uma Atalanta, e muitos batem bumbo. São apenas exceções que espantam justamente por comprovarem a regra. A mesma elitização acentuada ocorre no Brasil e já venho, justo a outros colegas, alertando há tempos sobre isso.

Qual a solução? Não sei. Primeiro, qualquer que seja ela, dificilmente será colocada em prática. O futebol está nas mãos de quem se beneficia disso. É difícil encontrar uma solução ou aplacar o problema. Passa por controles financeiros, lógico, por limitações, por mais transparência e, o principal, solidariedade. Um entendimento geral de que um Italiano nove vezes seguidas vencido pelo mesmo time não é legal nem mesmo para a própria Juventus.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL