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São Paulo volta ao Paulistão mais favorito do que já parecia ser

Daniel Alves era o grande nome do São Paulo na temporada - GettyImages
Daniel Alves era o grande nome do São Paulo na temporada Imagem: GettyImages
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

23/07/2020 04h00

O São Paulo era o time que mais jogava bola antes da parada do futebol pela pandemia do coronavírus. Boas vitórias na Libertadores e no Paulistão, um jogo cada vez mais fluido e com os automatismos sonhados por Fernando Diniz. Daniel Alves, encaixadinho, ia se transformando em um dos nomes da temporada. Eram boas notícias e boas sensações. E aí... parou tudo!

O que será do São Paulo no retorno, a partir de hoje à noite, contra o Red Bull Bragantino?

Se olharmos em volta, é necessário considerar o São Paulo o grande favorito ao título, confirmando um status que já estava se desenhando em março.

O Palmeiras perdeu seu melhor jogador, Dudu, fundamental para o clube nos últimos anos e a grande válvula de escape para o estilo praticado em campo. Ainda está sem Gustavo Gómez, fundamental na defesa. É forte? É. Mas menos forte que em março (como vimos ontem, no dérbi).

O Corinthians só se classifica por milagre. O Santos não inspira qualquer confiança e ainda perdeu o goleiro e o centroavante, o clima fora de campo é conturbado. Até o Santo André, que vinha com a melhor campanha, perdeu DEZ jogadores de seu elenco. Faço questão de colocar em caixa alta, porque mostra o tamanho do buraco aberto pela pandemia.

Muitos clubes do interior se desfizeram de seus elencos, o que é natural, dado o desenho do calendário e o descaso da CBF. O Paulistão era um antes, será outro agora nessa reta final. O Mirassol, que deve ser o rival do São Paulo nas quartas de final, perdeu DEZESSEIS jogadores.

Talvez o Bragantino, que não perdeu ninguém, voltou antes aos treinos e pertence a uma empresa, a Red Bull, que tem grana e planejamento, torne-se o grande obstáculo de São Paulo e Palmeiras na busca pelo título.

O São Paulo perdeu um titular, é verdade: Antony. E nada mais. Bom jogador, importante para Diniz, mas muito, muito, muito mais substituível do que Dudu, por exemplo.

A chave para o time é retomar o ritmo desde já. Na Europa, os clubes que vinham muito bem antes da parada voltaram igualmente bem após a parada logo de cara: o Bayern na Alemanha, o Manchester United na Inglaterra, Atalanta na Itália, etc. Não vimos nenhum clube dos europeus ter uma queda muito brusca ou uma melhora muito acentuada de rendimento. O ritmo foi mais ou menos mantido.

Essa é uma boa notícia para a torcida do São Paulo. Mas, claro, uma coisa são os outros. Outra coisa é o São Paulo. Começaremos a saber a partir de hoje à noite.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL