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Julio Gomes


Real Madrid pode confirmar hoje título que parecia improvável

Zidane não gostou do questionamento sobre Bale na coletiva pré-jogo - GettyImages
Zidane não gostou do questionamento sobre Bale na coletiva pré-jogo Imagem: GettyImages
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

16/07/2020 04h00

Sim, eu sei. O Real Madrid ser campeão espanhol nunca é algo exatamente improvável. Mas nesta temporada, toda estranha como foi, dá para chamar de surpreendente, sim, o possível 34o título nacional, que virá em caso de vitória contra o Villarreal ou caso o Barcelona não vença o Osasuna (ambos os jogos a partir das 16h de Brasília).

Surpreendente por várias razões. Uma delas: Zidane nunca encontrou um time titular. Não há um pôster que faça justiça a um "time" campeão. Terá de ser a foto do elenco todo. Sabe-se lá como será a formação que vai enfrentar o Villarreal hoje, por exemplo.

Courtois, Sergio Ramos, Casemiro e Benzema. Estes pareceram ser os únicos titulares absolutos ao longo da temporada.

A era Messi não tem sido moleza para o Madrid domesticamente. Desde que o argentino estreou no time principal do Barça, os catalães ganharam mais que o dobro de Ligas que o maior rival (nove a quatro). No cenário europeu, o Real Madrid mostrou a camisa pesada que tem. Mas o mata-mata é um bicho à parte, como sabemos.

Na última temporada inteira de Zidane no Espanhol, a 17/18, o Real acabou em terceiro, 17 pontos atrás do Barça. O francês saiu no meio de 2018 e voltou na temporada passada, já em março de 2019, acabando de novo em terceiro, agora a 19 pontos.

Como se isso não fosse pouco, a pré-temporada teve, exatamente um ano atrás, uma goleada de 7 a 3 sofrida para o Atlético de Madrid. Até o Atlético, vice nas duas temporadas anteriores e com ótimos reforços, parecia ter mais chances que o Real de superar o Barcelona na tabela.

Tirar uma diferença assim de um ano para outro? Sem grandes contratações por parte do Real e nem baixas importantes no Barça? Sim, é surpreendente.

É claro que o Barça ajudou, demitindo em janeiro Ernesto Valverde, o técnico bicampeão - eu nunca achei Valverde o treinador ideal, mas o cara foi mandado embora com dois títulos de Liga em dois anos e na liderança do campeonato! Na volta do futebol pós-pandemia, bastava ao Barça fazer seu trabalho para ganhar o título. Mas vieram três tropeços seguidos.

Enquanto isso, o Real Madrid ganhou simplesmente todas e hoje busca a décima vitória consecutiva. Reduzir a sequência a uma conversa sobre árbitros e VARs é empobrecer o debate.

O Real Madrid de Zidane não encher os meus olhos, mas é um time de grande solidez defensiva e que sabe o que quer em campo. Talvez nunca ter um time titular do meio para frente tenha sido virtude, e não defeito. A cada jogo, dependendo do adversário, Zidane tentou encontras as soluções.

Elas apareceram com Valverde no meio de campo, com Mendy e com Marcelo na lateral, cada um a seu tempo, apareceram com Vinícius Jr em várias partidas, Rodrygo também teve espaço. Enfim. Até mesmo Bale foi importante em algum momento! A capacidade de Zidane manter o elenco na mão é um mérito enorme.

Sim, a temporada teve vários momentos de instabilidade, como a eliminação da Copa do Rei e os tropeços antes da parada pelo coronavírus. Mas Zidane, de novo, encontrou os caminhos. E sempre teve a seu lado Sergio Ramos, atrás, e Benzema, na frente - vai ser difícil escolher um MVP entre esses dois.

Hoje, Zizou pode conseguir seu segundo título de campeonato como treinador, o segundo em três temporadas completas - em outras duas ele assumiu o time já com a Liga em andamento. Ele é um vencedor. Por isso combina tão bem com o clube.

Julio Gomes