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Julio Gomes


Liga volta com dérbi quente e dois brasileiros que podem parar no Barcelona

Emerson em lance com Vinicius Junior durante jogo entre Betis e Real Madrid - REUTERS/Marcelo Del Pozo
Emerson em lance com Vinicius Junior durante jogo entre Betis e Real Madrid Imagem: REUTERS/Marcelo Del Pozo
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

11/06/2020 03h17

Resumo da notícia

  • Após 3 meses, Liga espanhola volta com Sevilla x Bétis
  • Dérbi é o mais quente do país, e autoridades se preocupam com aglomerações
  • Dois brasileiros pretendidos pelo Barcelona estarão em campo

Todos sabem que Real Madrid x Barcelona é não só o grande clássico da Espanha, mas do mundo. Não à toa, porém, a Liga espanhola volta a ser disputada nesta quinta-feira, após três meses de paralisação, com outro clássico. O dérbi de Sevilla é o jogo escolhido para o retorno, o mais quente do país, com uma rivalidade enorme e ambiente contagiante nas arquibancadas. Claro, o Sevilla x Bétis que reabre o futebol espanhol não terá gente ou ambiente no estádio Ramón Sánchez Pizjuan. Será estranho. Mas é assim por enquanto.

O público brasileiro deve ter atenção especial a dois jogadores que podem vestir a camisa do Barcelona a partir da próxima temporada. O lateral Emerson, do Bétis, revelado pela Ponte Preta, ex-Atlético Mineiro e já convocado por Tite. E o zagueiro Diego Carlos, do Sevilla, que não teve chances no São Paulo e hoje tem cláusula rescisória de 75 milhões de euros.

Depois da Alemanha e de Portugal, a Espanha é a terceira liga importante a recomeçar na Europa. E os protocolos são parecidos com os que já estamos nos acostumando. Nada de cumprimentos antes do jogo, evitar contato físico nas comemorações, distância de 2 metros para falar com o árbitro, uma garrafinha de água para cada atleta, máscaras e luvas para quem estiver no "banco", ou seja, nas arquibancadas, álcool em gel a rodo, etc, etc, etc.

É o "novo normal", e assim será por um bom tempo - ainda que na Espanha já se fale em futebol com torcida dentro de duas semanas. Precipitadamente, a meu ver.

O campeonato parou em 10 de março, com 27 rodadas realizadas, faltando 11 para o encerramento. No último fim de semana de jogos, justamente o Bétis havia vencido o Real Madrid, o que gerou uma troca na liderança. O Barcelona chegou a 58 pontos, enquanto o Real ficou estacionado em 56. E esta é a grande disputa após a parada pela pandemia, considerando todas as ligas domésticas europeias. Quem ficará com o título espanhol?

No retorno, o Barça joga em Mallorca (sábado, 17h), enquanto o Real Madrid recebe o Eibar (domingo, 14h30) - dois adversários que lutam contra o rebaixamento. Como o estádio Santiago Bernabéu está em obras, o Real mandará seus jogos no pequenino estádio Alfredo di Stéfano, que fica no CT do clube e é usado pelo time B, o Castilla.

Mas isso não parece importar no momento. Nas cinco rodadas da Bundesliga com portões fechados, os times da casa ganharam só 35% dos pontos, contra 65% dos visitantes. A média de pontos por jogo do mandante despencou de 1,5 para 1,0. O fator casa simplesmente não existe mais neste futebol sem torcida. E isso é bom para os melhores times, ou seja, para os dois grandões.

No caso do dérbi sevilhano de hoje, pior para o Sevilla, que deixa de ter ao lado uma torcida que empurra demais. O Sevilla é o terceiro colocado na tabela, com 47 pontos, em uma apertada disputa por vagas na Champions com Real Sociedad, Getafe, Atlético de Madrid e Valencia - todos separados por 5 pontinhos. Já o Bétis está só em 12o, com 33 pontos, naquele meio de tabela em que nem sobe nem desce.

O jogo do Sevilla passa pelo interminável argentino Banega, no meio, e depende dos gols do argentino Ocampos (que é dúvida para o dérbi) e do holandês De Jong, à frente. O técnico é Julen Lopetegui, aquele que acabou demitido pela Federação Espanhola dias antes do início da Copa da Rússia, porque havia negociado às escondidas com o Real Madrid. No fim, durou poucos meses antes de ser mandado embora também do clube branco. Mas faz um ótimo trabalho em Sevilha.

O Bétis tinha apenas uma vitória em dez jogos, antes de vencer justamente o Real Madrid na última partida antes da parada. No turno, perdeu em casa o dérbi para o arquirrival por 2 a 1. Fora de casa, é um time pífio - ganhou apenas uma, empatou seis e perdeu seis. Mas agora tem a vantagem de jogar sem torcida contra. É um time de velocidade, que irá tentar explorar contra ataques. Caberá ao Sevilla a responsabilidade de dominar e conduzir o jogo.

Ao longo da semana, dirigentes e autoridades expressaram a preocupação pela possibilidade de torcedores se aglomerarem na porta dos hotéis ou do estádio. É um dérbi histórico. Com arquibancadas vazias, mas os olhos do mundo inteiro nele.

Julio Gomes