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Julio Gomes


Pressionado, Bayern tenta retomar o ritmo alucinante de antes da parada

Lewandowski comemora após marcar para o Bayern de Munique contra o Union Berlin - Sebastian Widmann/Bongarts/Getty Images
Lewandowski comemora após marcar para o Bayern de Munique contra o Union Berlin Imagem: Sebastian Widmann/Bongarts/Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

17/05/2020 04h00

Início de novembro, ainda começo de temporada (mas não tanto assim) e a Alemanha entra em choque. O Bayern de Munique, heptacampeão nacional, leva de 5 do Eintracht Frankfurt.

O Bayern não apanhava de 5 desde 2009, quando levara um baile histórico do Wolfsburg, de Grafite, que seria campeão naquele ano. A década que se encerra foi toda do clube bávaro, sem tropeços, sem vexames. Mas a temporada 19/20 começou realmente mal, e o técnico croata Niko Kovac pagou com o emprego após a derrota em Frankfurt. Naquele momento, o Bayern era o quarto colocado no campeonato.

Assume interinamente Hansi Flick. Ex-jogador do clube e auxilar de Low na Alemanha em dois ciclos de Copa do Mundo (ficou de 2006 a 2014), que acabaram com o tetra no Maracanã, Flick chegou ao Bayern nesta temporada, como auxiliar de Kovac. Hoje, tem contrato assinado para ser técnico principal do clube até 2023.

A chefia agiu rápido após o bom início de Flick como treinador. Com ele, o Bayern ganhou 18 de 21 partidas, passou tranquilamente pelo Chelsea na Champions League (3 a 0 em Londres, faltando o jogo de volta) e abriu vantagem na ponta da Bundesliga. O principal: encontrou um time, encontrou um jeito de jogar, encontrou a confiança perdida.

Mas como será o Bayern no retorno ao futebol, a partir deste domingo, às 13h, contra o Union Berlin?

As pré-temporadas e inter-temporadas estão aí para nos mostrar que muitas vezes um ou dois meses são suficientes para a água virar vinho ou o vinho virar água. Lembram do Palmeiras de Felipão, menos de um ano atrás?

O que o Bayern de Munique já sabe é que o futebol do Borussia Dortmund, que mudou da água para o vinho a partir de janeiro, continua nos trinques. Os 4 a 0 sobre o Schalke, ontem, mostram que o time retomou exatamente de onde deixou. E agora a diferença entre eles na tabela é de só um ponto.

Daqui a nove dias, 26 de maio, uma terça, será disputado o confronto direto entre Borussia e Bayern - menos mal para o time de Flick que a muralha amarela estará vazia. Mas com um ponto de diferença e confronto direto à vista, o Bayern sabe que não pode perder pontos de forma alguma em Berlim, hoje, e contra o Frankfurt, sábado que vem.

Outra boa notícia para o Bayern é a volta de Lewandwski. O polonês estava "on fire" quando sofre uma mesão justamente contra o Chelsea, em fevereiro, e iria ficar um mês fora. A pandemia serviu para o artilheiro da Champions se recuperar e estar pronto para a sequência do Bayern. Ele tem, até agora, 39 gols em 33 jogos na temporada - uma marca absurda.

Quando o futebol parou, o Bayern era o time europeu que vivia melhor fase. Real e Barça nunca se acertaram, o Liverpool vivia uma queda, o City fazia uma temporada abaixo e a Juventus não voava. O desafio bávaro é continuar o que estava dando muito certo com Flick. E ele começa hoje.]

Julio Gomes