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Julio Gomes


Sete ótimas razões para acompanhar o retorno da Bundesliga

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

15/05/2020 04h01

São dois meses sem futebol, o que não parece o maior problema do mundo quando velamos milhares de mortos e vivemos sob tantas incertezas que é difícil até começar a listá-las. Mas o fato é que neste sábado o país mais organizado do mundo conseguirá reativar seu futebol: recomeça a Bundesliga. Este post vai trazer sete razões para acompanhar de perto o Campeonato Alemão, mas é claro que o maior motivo possível é óbvio: é o que tem e estamos precisando muito do futebol nesses tempos de isolamento social.

A tristeza será ver que as arquibancadas mais cheias do mundo estarão vazias. Isso não nos deixará esquecer do maldito vírus, mas não há como fugir deste problema. Faltam nove rodadas para o fim do campeonato, e o mundo inteiro está de olho. É difícil não ver a liga e os jogadores como cobaias. Se os alemães conseguirem fazer os protocolos funcionarem, em junho estarão de volta os campeonatos na Inglaterra, Espanha, Itália e, quem sabe, os malucos aqui no Brasil tentem fazer o mesmo em pleno pico da pandemia.

Neste link a seguir, está a lista de jogos da rodada do fim de semana e as transmissões na TV. A classificação da Bundesliga está aqui, com o Bayern na ponta. Vamos aos 7 motivos para não deixar de ver tudo o que for possível ver neste retorno do futebol na Alemanha.

1- A LIGA MAIS SAUDÁVEL

Eu sei que a Premier é a mais rica, que La Liga tem os dois maiores clubes, que o Brasileirão gosta de presumir do "equilíbrio". Mas a Bundesliga é o campeonato mais completo do mundo. É só fazer o checklist: a maior média de público, ingressos baratos para o padrão do país, clubes todos financeiramente equilibrados, que não podem ser comprados por aventureiros ou empresas e nem gastar acima de certo percentual com folha salarial, categorias de base com nível altíssimo de qualidade, organização e estrutura, jogo de alto nível em campo. O futebol na Alemanha é um negócio saudável e democrático financeiramente. Talvez falte apenas um ingrediente: mais estrelas mundiais.

Sim, é verdade que o Bayern de Munique ganhou os últimos sete campeonatos. O gigantesco clube bávaro, um dos cinco mais fortes do mundo, consegue navegar bem em seu mercado doméstico, mas isso não se deve a receber da liga ou das TVs uma quantidade de dinheiro seis, sete, dez vezes maior que os outros - como acontece no Brasil e chegou a acontecer na Espanha. É que o Bayern realmente trabalha bem e, por isso, exerce uma dominação inédita.

2- COMPETITIVIDADE

Bayern à parte, temos uma liga extremamente competitiva e equilibrada, com a melhor média de gols da Europa entre as principais (acima de 3) e jogos de alta intensidade e qualidade. Nestes sete anos de domínio do Bayern, um total de 11 clubes circularam entre os cinco primeiros na classificação final - só o Borussia Dortmund acompanha o ritmo e está sempre lá no top 4.

Na Inglaterra, por exemplo, foram só 8 clubes no mesmo período, sendo que o Everton foi uma vez quinto colocado e o Leicester conseguiu o milagre do título. Fora isso, são sempre os mesmos 6, o "big six", com um abismo se abrindo entre eles e o resto. O Inglês é um campeonato, em teoria, mais parelho no topo. E na Espanha, que tenta reencontrar o equilíbrio, é Real, Barça e Atlético sempre. Na Alemanha, a imprevisibilidade em cada jogo é muito maior - Bayern à parte, repito.

3- BRASILEIROS DO PRESENTE E DO FUTURO

Philippe Coutinho é uma decepção no Bayern. Começou a temporada como titular e foi perdendo espaço após a chegada do técnico Hans Flick. Vai se recuperar? Vai ficar? Vai voltar para o Barça? Outro jovem que saiu do Vasco, Paulinho, de 19 anos, ainda não vem sendo tão utilizado pelo Bayer Leverkusen - atuou em 12 partidas, foi titular só uma vez. Já seu companheiro de Pré-Olímpico, Matheus Cunha, foi contratado pelo Hertha Berlin na janela de janeiro junto ao RB Leipzig e chegou chegando. Jogou as quatro partidas como titular e fez dois gols nos últimos dois jogos antes da parada. É preciso ficar de olho no garoto. Na temporada passada, ainda pelo Leipzig, ele fez esse gol aqui, que concorreu ao Prêmio Puskas:

4- HAALAND

                                Ina Fassbender/AFP
Imagem: Ina Fassbender/AFP

O fenômeno norueguês meteu nove gols em oito partidas na Bundesliga desde sua chegada, em janeiro - e o time ganhou sete destes oito jogos. Explodiu contra o PSG nas oitavas da Champions, mas não evitou a eliminação do Borussia Dortmund na Europa. O time amarelo, no entanto, promete ir à caça do Bayern nestas rodadas finais e tem, além de Haaland, o jovem inglês Sancho no ataque. São dois jogadores que prometem estar nas manchetes pelos próximos anos no futebol europeu, temos uma grande chance para vê-los. Já começa com o dérbi local entre Dortmund e Schalke 04, no sábado.

5- RB LEIPZIG

Era o time que parecia que iria ameaçar o título do Bayern e chegou a liderar o campeonato. O problema é que fez só dez pontos nos sete jogos anteriores à parada e se desgarrou um pouco na disputa. Talvez tenha perdido o foco por estar em um duelo contra o Tottenham pela Champions League. Se a máxima competição europeia voltar, o Leipzig será um dos oito times classificados para as quartas. E é por isso que é necessário ficar de olho! O técnico Julian Nagelsmann, de 32 anos, é agressivo e ofensivo. O cara do time é Timo Werner, com 21 gols e sete assistências em 25 jogos. Mas é bom ter atenção também para o zagueiro francês Dayot Upamecano, que desperta o interesse de muitos grandes da Europa. Ele tem só 21 anos, joga na seleção francesa desde o sub-16 e é um muro na defesa do time da Red Bull.

6- SUPER BAYERN

Será que alguém conseguirá pará-los e evitar o octa? A temporada começou esquisita, Kovac foi demitido e o Bayern vivia uma instabilidade rara para a década. O técnico Hans Flick assumiu como interino em novembro e foi efetivado no cargo em dezembro. Com ele, o Bayern ganhou 18 de 21 jogos, não perdeu de ninguém em 2020 e tinha pinta de atropelar todo mundo neste fim de temporada - inclusive na Champions. Lewandowski, 25 gols em 23 jogos, dispensa comentários. No retorno, o Bayern defende sua liderança contra a sensação da liga, o Union Berlin.

7- GIGANTE EM APUROS

Reprodução/Instagram/Millot Rashica
Imagem: Reprodução/Instagram/Millot Rashica

OK, talvez gigante seja exagero. Mas o fato é que o Werder Bremen é um dos clubes mais tradicionais da Alemanha. É fundador da Federação, caiu só uma vez, ganhou quatro Bundesligas, seis Copas da Alemanha e uma Recopa Europeia (92). Orgulha-se de, juntando os pedaços de campeonatos que a Alemanha teve ao longo do século passado, ser o clube com mais jogos na "elite", à frente do Bayern. Pois bem. O Werder ganhou só 4 de 24 partidas e é o penúltimo na tabela, quatro pontos atrás do antepenúltimo e a oito da salvação. Para não cair pela segunda vez, 40 anos depois, terá de fazer uma recuperação incrível neste retorno da Bundesliga. As esperanças estão depositadas em Milot Rashica, um atacante do Kosovo de só 23 anos. Está difícil.

Julio Gomes