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Julio Gomes


Cinco brasileiros que fracassaram no futebol francês: É duro até de lembrar

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

06/05/2020 04h00

Encerro com a França a série de brasileiros que decepcionaram nas grandes ligas europeias. Confesso que fazer as listas de fracassos foram muito mais difíceis do que as listas dos cinco melhores em cada país. Porque os melhores entram para a história, enquanto os fracassos entram para o esquecimento. Após a publicação de todas as listas de jogadores que decepcionaram, sempre veio alguém na memória. "Esqueci de botar o fulano!".

Roberto Dinamite, Denílson, Ganso, Sóbis e tantos outros na Espanha, Paulinho na Inglaterra, Baltazar em Portugal, Gabigol na Itália, enfim. Os nomes mais recentes vêm rápido na memória, mas, quanto mais o tempo passa, mais difícil fica para resgatar essas histórias. Foi o caso da lista francesa. Muitos dos nomes que vocês verão abaixo eu, confesso, não lembrava nem que haviam passado pela França.

Neymar entrou na minha lista dos brasileiros mais importantes que jogaram na França. Mas, naquela postagem mesmo, eu faço a ressalva: é uma posição volátil. Se Neymar seguir no PSG e triunfar na Champions, pode escalar posições e chegar ao topo. Se ele saísse ao final da temporada passada, como tentou fazer, não só não estaria naquela lista como possivelmente encabeçaria essa aqui, a das decepções. Ainda precisamos aguardar

Houve gente que não foi bem na França, como Miranda e Luís Fabiano, mas que eram desconhecidos e explodiriam mais tarde, ambos no São Paulo. Não decepcionaram, pois deles nada se esperava. Lembram do Doria? Saiu daqui do Botafogo com altas expectativas, zagueiro de seleção, e quase não jogou no Marselha.

Vágner Love passou pelo Monaco em 2016 e estava à frente de Mbappé na lista de atacantes - não por muito tempo. Emerson Sheik deu um tempo em suas 1001 noites para passar pelo Rennes, em 2007, quando era (e continuou sendo) desconhecido. Saiu dizendo-se "desrespeitado". E o Denílson? Após anos de pouco brilho no Bétis, passou pelo Bordeaux em 2005/2006 e não deixou saudades. Vampeta, que havia acabado de enganar na Inter de Milão, enganou também no PSG em 2001, mas ele já está na lista italiana de decepções.

Alíás, entre alguns sucessos com brasileiros, o Paris teve um montão de fracassos. O primeiro de todos, Joel Camargo, zagueiro tricampeão do mundo e que jogava naquele Santos de Pelé que ganhava tudo nos anos 60. Chegou ao PSG em 1971, jogou duas partidas e nada mais. Joel lutou contra o alcoolismo e diabetes, queimou tudo o que havia conseguido ganhar como jogador e passou mais de duas décadas trabalhando no Porto de Santos - morreu em 2014.

Vamos à lista!

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Imagem: Jean Catuffe/Getty Images

5- GANSO

OK, OK, já sei. Não se esperava muito dele mesmo no Amiens. Mas não houve espaço para Ganso na lista de fracassos na Espanha e em algum lugar ele tinha que aparecer! De alguma forma, era possível colocar a culpa em Sampaoli por não ter dado chances a Ganso no Sevilla. Então, quando ele desembarca no pequeno Amiens em 2018, com pompa, circunstância e a promessa de ser titular, esperava-se mais do que ele efetivamente fez. Jogou 12 partidas pela Ligue 1, perdeu 9. Saiu após três meses.

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Imagem: AFP

4- DEIVID

A temporada de Deivid no Bordeaux, 2003/2004, não foi a pior do mundo. Mas o curriculum dele, com tantos gols e títulos por Santos, Corinthians e Cruzeiro, foi o que fez o clube francês pagar 5 milhões de dólares. Ao contrário de outros, não era um ilustre desconhecido e a esperança é que ele fizesse mais do que 4 golzinhos em 29 jogos na temporada. Repetindo a história de tantos brasileiros, bateu e voltou (para o Santos). Deivid acabaria brilhando na Europa anos mais tarde, com a camisa do Fenerbahce.

top5 flops frança jairzinho - Gilbert UZAN/Gamma-Rapho via Getty Images - Gilbert UZAN/Gamma-Rapho via Getty Images
Imagem: Gilbert UZAN/Gamma-Rapho via Getty Images

3- JAIRZINHO

O Furacão da Copa de 70, um mito da história do Botafogo e da seleção. Jairzinho chegou ao Olympique de Marselha em dezembro de 1974 com uma recepção à la Neymar. Era uma estrela mundial! Chegou já machucado, demorou para jogar e, quando jogou, marcou 9 gols em 18 partidas. Saiu de lá com uma suspensão de dois anos, acusado de agredir um bandeirinha. Foi contemporâneo de Paulo Cézar Caju, que outro dia estava sendo homenageado pelo governo francês! O saudosismo pode nos trair, mas a passagem de Jairzinho pela França não passou nem perto de ser um sucesso.

Nilmar em ação pelo Lyon - John Walton/PA Images via Getty Images - John Walton/PA Images via Getty Images
Imagem: John Walton/PA Images via Getty Images

2- NILMAR

Outro que chegou badalado e saiu pela porta dos fundos. Nilmar chegou ao Lyon com apenas 20 anos, após se destacar cedo no Inter e ter toda pinta de jogador grande. O time era tricampeão francês e estava certinho, era só chegar, meter gols e correr para o abraço. Bem, no Francesão foram só dois gols em sete partidas como titular. E ele correu foi de volta ao Brasil, para defender o Corinthians da MSI, em 2005. A saída dele ainda virou caso de Justiça, com um longo litígio entre Corinthians e Lyon. Nilmar jogaria bem no Corinthians, no Inter de novo e no Villarreal, da Espanha. Mas, na França, não deixou saudades.

top5 flops frança Lucas Severino - Barrington Coombs/EMPICS via Getty Images - Barrington Coombs/EMPICS via Getty Images
Imagem: Barrington Coombs/EMPICS via Getty Images

1- LUCAS SEVERINO

Quem? Não lembram do Lucas? Apareceu no Athletico-PR lá para 99, se destacou, foi convocado por Luxemburgo para a seleção olímpica no ano 2000. Quem se encantou foi o pessoal do pequeno Rennes, que pagou 21,3 milhões de euros por ele em 2001. Na época, segunda venda mais cara da história do nosso futebol (atrás apenas de Denílson, do São Paulo para o Bétis). Figurou no top 10 de maiores vendas até o ano retrasado e até hoje figura no top 15. Difícil de lembrar e de acreditar! Lucas ficou na França até 2004 - com empréstimos para Cruzeiro e Corinthians na temporada 02/03. Fez só 6 gols em mais de 70 jogos e, nesta entrevista ao UOL Esporte, reclamou da pressão que sofreu para "ser Pelé". Também pudera! É até hoje a contratação mais cara do Rennes. Um fiasco.

Julio Gomes