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Julio Gomes


Pato e Robinho estão entre os brasileiros que mais decepcionaram na Premier

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

02/05/2020 04h00

Chegar à Inglaterra nunca foi fácil para jogadores brasileiros. Leis mais restritivas para vistos de trabalho impediram que muitos estrangeiros pudessem ser contratados por clubes da Premier League. Ao longo dos anos, barreiras foram caindo e mais gente passou a vestir camisas dos clubes mais ricos do mundo. Nem tantos brilharam, como mostrei no top 5 de brasileiros mais importantes da história da Premier. Muitos fracassaram.

Jogo mais rápido e intenso? Arbitragens menos permissivas? Alguma explicação haverá. Fato é que determinar as cinco maiores decepções entre brasileiros na Inglaterra talvez tenha sido a tarefa mais difícil das listas que tenho apresentado aqui no blog. Deu vontade de ampliar para um top 10!

Parece que as laterais em especial, justamente onde brasileiros sempre foram bem, são uma zica na Premier. Branco no Middlesbrough, Gilberto no Tottenham, André Santos no Arsenal, Maicon e Danilo no City, até mesmo Filipe Luís no Chelsea. Nenhum deles emplacou. André Santos ficou marcado por, no intervalo de um Arsenal-United, pedir a camisa para Van Persie.

Três pentacampeões tentaram a sorte na Premier e deram errado: Roque Júnior saiu do Milan para o Leeds em 2003, foi expulso na estreia e, em sete jogos como titular, o time levou 24 gols. Já Ricardinho passou pelo Middlesbrough em 2004, depois de jogar pelo São Paulo, antes de voltar para o Santos. Outro que não fez nada. O terceiro nome aparecerá na lista, mais abaixo. Por falar em jogador de seleção, Paulinho foi outro que não conseguiu ser, no Tottenham, algo perto do que foi no Corinthians.

E teve o famoso caso de Lucas Piazon, contratado pelo Chelsea ainda quando jogava nas bases do São Paulo para ser o novo Kaká. Chegou em 2012, jogou uma partida só pela Premier League, o time vencia por 8 a 0. Deixaram Piazon bater um pênalti e... ele perdeu! Desde janeiro de 2013 até hoje, foi emprestado para meio mundo e nunca mais jogou pelo Chelsea.

Enfim. Se fazer o top 5 dos bons foi difícil pela escassez, fazer o top 5 dos piores foi difícil pelo excesso! Aqui vai a lista, que começa com uma licença poética.

Michael Regan/Getty Images
Imagem: Michael Regan/Getty Images

5- JÔ E ROBINHO

Duas das primeiras e caríssimas contratações do Manchester City após o clube ser comprado em 2008. Casos parecidos, vou considerá-los uma dupla dinâmica para a quinta posição. A gastança começou quando o City pagou 32 milhões de libras por Robinho e 18 milhões por Jô na primeira janela como "novo rico" - as duas contratações mais baratas do clube naquela mesma janela foram as de Kompany e Zabaleta, que fariam história no City. Nada parecido do que ocorreu com os brasileiros. Robinho até começou bem, fez uma primeira temporada decente, mas não gostava da cidade, não houve identificação alguma com o clube e, já no ano seguinte, arrumou um empréstimo para o Santos e a saída para o Milan. Jô havia feito boas temporadas no CSKA, mas nunca se acertou no City. Foram três anos de vínculo, entre curtos períodos jogando e empréstimos. Dois brasileiros que, digamos, não abriram porta alguma para os compatriotas em um dos clubes mais ricos do planeta.

Mike Egerton/EMPICS via Getty Images
Imagem: Mike Egerton/EMPICS via Getty Images

4- JARDEL

Jardel é um raríssimo caso de jogador em duas listas. Ele é, para mim, o mais importante jogador brasileiro a atuar em Portugal. Mas, na Inglaterra... fracasso. Depois de tantos gols no Porto, Galatasaray e Sporting, com direito a dois prêmios de artilheiro do ano na Europa, a carreira de Jardel entrou em franco declínio após a decepção de não ser convocado por Felipão para a Copa-2002 e uma séria lesão no joelho. Quem não percebeu isso foi o Bolton, que o contratou em 2003 para um total de sete jogos e zero gols na Premier League.

Divulgação/Conmebol
Imagem: Divulgação/Conmebol

3- PATO

É difícil até lembrar da passagem de Pato pelo Chelsea. Ele chegou ao Corinthians em 2013, decepcionou e ficou dois anos emprestado ao São Paulo. Em 2016, foi parar, também por empréstimo, no Chelsea, para que o Corinthians economizasse com seu salário. Conhecido na Europa por ter atuado bem no Milan, Pato chegou com pompa e circunstância. E saiu sem deixar saudades. Fez um gol na estreia, o que é marca da carreira inteira, mas foram apenas dois jogos e 131 minutos com a camisa azul. Um gol que custou quase 5 milhões de reais ao Chelsea.

Reprodução
Imagem: Reprodução

2- KLEBERSON

A foto precisava ser essa, né? Porque, naquele mês de agosto de 2003, o Manchester United apresentava um campeão mundial, o primeiro brasileiro a vestir a pesada camisa do clube, um cara que chegava para fazer história. E, bem... aproveitou a ocasião para mostrar também que estava chegando um rapaz desconhecido lá de Portugal, uma promessa. Um tal de Cristiano Ronaldo. "Uma das razões pelas quais vendemos o Verón é porque sabíamos que teríamos o Kleberson", disse, na época, Sir Alex Ferguson. Foi um de seus maiores erros de cálculo, já que Kleberson ficou dois anos inteiros no banco de reservas e saiu em 2005.

Mike Hewitt/Getty Images
Imagem: Mike Hewitt/Getty Images

1- AFONSO ALVES

Só três jogadores brasileiros foram artilheiros na Holanda: Romário, Ronaldo e... Afonso Alves! Com a camisa do Heerenveen, ele marcou 45 gols em 38 jogos. Por isso, foi convocado por Dunga e fez parte do grupo da Copa América em 2007. Em janeiro de 2008, o Middlesbrough fez a maior contratação de sua história ao pagar 20 milhões de euros pelo artilheiro. Em 2009, o clube era novamente rebaixado para a segunda divisão. Digamos que não deu muito certo.

Julio Gomes