PUBLICIDADE
Topo

Coluna

Julio Gomes


Tem Neymar? Veja o top 5 dos brasileiros que fizeram história na França

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

18/04/2020 04h00

Chegamos à França, para o top 5 dos brasileiros que já atuaram na Ligue 1. Quem foi o mais importante? Onde se encaixa Neymar? Entra na lista?

Entre as ligas europeias de peso, a França é uma das menos influenciadas por brasileiros. Até porque a liga e os clubes franceses nunca haviam sido muito relevantes no cenário europeu - até a explosão de dinheiro que o Catar injetou no Paris Saint-Germain. As listas da Espanha e da Itália, por exemplo, têm alguns dos maiores jogadores brasileiros da história.

Como sempre, começo pelas menções honrosas. Ronaldinho passou pelo PSG antes de explodir mundialmente em Barcelona. Apesar de ser idolatrado, fazer alguns golaços e de ter mostrado sinais da magia que encantaria o mundo, o clube não foi a lugar nenhum com ele - na segunda das duas temporadas, acabou em 11o no Francesão. Ronaldinho foi monstruoso no Barcelona, grande na seleção, mas não marcou exatamente uma época em Paris.

Ricardo Gomes e Valdo foram juntos do Benfica ao PSG para conquistarem a Liga em 94. Thiago Silva e Marquinhos fazem parte já da era endinheirada, em que o Paris passou a dominar o futebol do país. Assim como antes dominou o Lyon, que teve Edmílson e Cris - este último, respeitado demais na França. Nenê jogou muito no Monaco e no PSG, é outro que merece menção honrosa.

Não posso deixar de citar Hilton, há 16 anos na Ligue 1, bateu o recorde de longevidade no país. Foi campeão francês com o pequeno Montpellier, em 2012, e tinha sido com o Marselha dois anos antes. (Atualização após a publicação: o post cometeu o sacrilégio de não citar Paulo Cézar Caju, um desbravador, que jogou pelo Olympique de Marselha em 1975 e é muito respeitado na França).

Mas vamos logo à lista:

5- MOZER

Mozer em partida do Olympique de Marselha contra o Estrela Vermelha - Ross Kinnaird/EMPICS via Getty Images - Ross Kinnaird/EMPICS via Getty Images
Imagem: Ross Kinnaird/EMPICS via Getty Images

Campeão no Flamengo, campeão no Benfica, Mozer chegou a Marselha em 1989. E foi titular absoluto durante três anos, no maior Olympique da história. Em três temporadas, três títulos franceses, confirmando o tetra inédito para o clube. Em 91, o Olympique chegou à final da Copa dos Campeões, perdendo nos pênaltis o título europeu para um timaço do Estrela Vermelha, da ex-Iugoslávia. Mozer saiu em 92, e seu time ganharia a Europa, finalmente, em 93, com a mesma base. Um zagueiro que dispensa comentários, de seleção brasileira, Mozer teve uma carreira sólida e vitoriosa na França.

4- NEYMAR

Nada pode ser mais volátil do que a presença de Neymar na lista. O Paris está, de momento, nas quartas de final da Champions League, que não sabemos se será jogada até o fim. Se o PSG sai na próxima fase e Neymar deixa o clube, talvez ele nem mereça estar neste top 5. Por outro lado, ele pode rapidamente subir para a primeira posição se seguir no clube e chegar ao tão sonhado título continental. O fato é que Neymar é craque, e sua chegada ao Paris mudou a importância da Ligue 1. É claro que o clube seria campeão de tudo na França mesmo sem ele, mas o impacto da contratação mais cara da história precisa ser considerado.

3- SONNY ANDERSON

Após surgir no Vasco, passar pelo Guarani e pela Suíça, Anderson da Silva, o Sonny Anderson, chegou chegando ao Marselha em janeiro de 94. Fez 16 gols em 20 jogos em meia temporada, mas o Olympique acabaria rebaixado pelos escândalos extra-campo. Jogou, então, três temporadas pelo Monaco, foi campeão francês em 97 e acabou sendo levado ao Barcelona, onde seguiu metendo gols e levantando taças. Em 99, chega ao Lyon e participa da construção de um time multicampeão, conquistando as duas primeiras de sete ligas seguidas. Sonny chegou a ser convocado algumas vezes, mas nunca teve sequência na seleção, em época ultraconcorrida no ataque. Na França, tem status e respeito pelo goleador que foi.

2- RAÍ

Na lista da France Football, Raí foi escolhido o maior brasileiro que já passou pela França. Nesta aqui, fica em segundo lugar. Depois de ganhar tudo pelo São Paulo, Rai chegou a Paris em 1993 e foi destaque de uma campanha que acabaria no segundo título francês da história do PSG. Ganharia ainda várias Copas domésticas e a Recopa europeia, na melhor fase da história do Paris - até ser comprado com dinheiro do Catar, anos atrás. Um meia de jogo agressivo, alto, goleador, Raí conquistou a França também por sua elegância - dentro e fora de campo - e profissionalismo. Até hoje, seu nome é cantado nas arquibancadas do Parque dos Príncipes.

1- JUNINHO PERNAMBUCANO

Após ser campeão de tudo com o Vasco, Juninho chegou ao Lyon em 2001. O clube nunca havia sido campeão francês até aquela temporada. Quando Juninho foi embora, em 2009, deixou o Lyon com sete títulos franceses e, a torcida, com dezenas de golaços de falta para serem lembrados. Juninho foi o grande nome de um Lyon que fez história e só não conseguiu, apesar de ter bola para isso, beliscar uma final de Champions. Bom lembrar que o domínio absurdo do Lyon na década passada veio sem mecenas ou dinheiro esquisito. Reizinho de São Januário, ele virou o Reizão da França com muito jogo, muita personalidade e muita liderança dentro do vestiário.

Curtiram a lista? Comentem, cornetem, participem!

Agradeço aos amigos Nicolas Viot, Tiago Leme e Fernando Duarte por compartilhar suas visões comigo e me ajudarem a fazer essa lista.

Julio Gomes