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Julio Gomes


Brasileiros do Barça dominam top 5 dos mais importantes da história da Liga

Rivaldo e Ronaldinho em ação em amistoso do time de lendas do Barcelona - Pedro Salado/Action Plus
Rivaldo e Ronaldinho em ação em amistoso do time de lendas do Barcelona Imagem: Pedro Salado/Action Plus
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

17/04/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Quatro brasileiros viraram Bolas de Ouro jogando no Barça
  • Outra característica histórica é que quase todos saíram pela porta dos fundos
  • Ronaldinho é o brasileiro mais importante da história da Liga

Mais uma lista difícil! Top 5 da Espanha. Os cinco jogadores brasileiros mais importantes na história de La Liga. De cara, é fácil notar como o Barcelona teve mais brasileiros relevantes para o campeonato do que o Real Madrid.

Nos últimos dias, já fiz o top 5 de três países (clique para ler): Itália, Inglaterra e Alemanha. A lista italiana é a mais complicada de todas, brasileiros foram para lá, para times relevantes, em ondas no meio do século, nos anos 80, 90, enfim. A Espanha recebeu bastante gente nossa, mas foi uma lista menos difícil porque alguns caras destruíram, simplesmente destruíram. Temos vídeos muito bacanas de cada um deles mais abaixo neste post, divirtam-se.

Nas menções honrosas, vamos lembrar de Evaristo de Macedo, que poderia estar no top 5 tranquilamente. Um precursor, o primeiro brasileiro a brilhar por lá, que ganhou títulos tanto no Barcelona quanto no Real Madrid e é até hoje o maior artilheiro brasileiro da história blaugrana. Evaristo é um grande, muito respeitado na Espanha e lembrado por ter feito o gol que eliminou o Real Madrid pela primeira vez da Copa dos Campeões, em 1960 - o Real vencera as cinco primeiras edições do torneio europeu.

Como não mencionar os brasileiros do La Coruña? Mauro Silva, eu deixo fora do top 5 com dor no coração, o cara é até nome de rua em La Coruña, além de ser um exemplo de profissionalismo, cordialidade, educação e jogo limpo. Bebeto, Donato, Djalminha, gente que jogou muita bola e fez parte de momentos mágicos da história da cidade e da Liga.

Nos anos 70, Leivinha e, principalmente, Luís Pereira fizeram história com a camisa do Atlético de Madrid e também são lembrados e respeitados. Diego Costa, Miranda e Filipe Luís deixaram sua marca mais recentemente, no Atleti de Simeone. Sávio precisa ser lembrado pelo que jogou no Real, assim como Casemiro e Marcelo, titulares da mais recente era dourada madridista. Deco precisa ser lembrado pelo que jogou no Barcelona - que tinha tantos outros brasileiros. Tem a turma de Sevilla também.

(Acréscimo posterior à publicação: Nunca poderia deixar de citar o grande Marcos Senna. Que jogou muito bem no Villarreal, foi semifinalista de Champions League, e teve um impacto monstruoso na seleção espanhola, sendo titular do título da Eurocopa em 2008. Senna estaria na lista, se fosse um top 10, por exemplo).

A polêmica possivelmente resida nas ausências de Neymar e Ronaldo Fenômeno da lista. Neymar não era o número 1 do Barça, mas meteu mais de 100 gols, foi multicampeão com o clube. Saiu pela porta dos fundos, talvez ainda tenha tempo para reescrever essa história.

Sair mal do Barça não é exclusividade dele. Ronaldo fez o mesmo, após uma temporada (a única dele no Camp Nou) simplesmente espetacular, quando virou o melhor do mundo (96). Coloquei Ronaldo em segundo lugar na minha lista italiana pelo impacto que teve sua chegada, no auge, à Inter de Milão e ao calcio. No Barcelona, ele jogou muito, mas o tempo e as conquistas precisam ser levados em consideração, quando o compararmos aos nomes abaixo. E no Real Madrid, convenhamos, não entregou o que dele se esperava. Então, nesta lista ele não entra.

Quem entra? Esses aqui:

5- ROMÁRIO

O Baixinho poderia estar até no topo desta lista. Mas ele resolveu jogar no Barcelona por apenas um ano e meio, largando o clube no meio do campeonato 94/95. Ele era indiscutivelmente o melhor jogador de futebol do mundo, tinha arrebentado em sua primeira temporada, mas as saudades do Rio de Janeiro bateram após seis anos na Europa. Foi realmente uma grande pena não termos visto Romário jogar por mais tempo no Barça. Enquanto esteve lá, fez parte do Dream Team comandado por Cruyff e, ao contrário de Evaristo e Neymar, era o número um do elenco. Meteu muitos gols, humilhou o Real Madrid (vejam o vídeo acima, o primeiro gol é o mais famoso dele como culé), foi campeão espanhol e vice europeu. Ficou o gostinho de "quero mais".

4- ROBERTO CARLOS

Em 2002, campeão europeu com o Real Madrid e do mundo com a seleção brasileira, Roberto Carlos deveria ter conquistado a Bola de Ouro. Mas votações são votações, e ele acabou em segundo lugar, poucos pontos atrás de Ronaldo (cuja temporada se resumiu à Copa). Roberto era um portento físico, um lateral capaz de correr o campo todo quantas vezes fossem necessárias e com uma bomba na canhota. Ele chega ao Real Madrid em 96, um clube com problemas financeiros e amargando uma fila de 30 anos sem Copa da Europa. Joga 11 temporadas como titular absoluto (Marcelo, por exemplo, apenas como comparação, teve muitos períodos de banco), ganha três Champions, faz parte do renascimento do clube como potência e ganha até a alcunha de galáctico. Um monstro.

3- DANIEL ALVES

Foi difícil a batalha dos laterais, mas deixei Daniel Alves, o maior levantador de troféus da história do futebol, à frente de Roberto Carlos por algumas razões. Ele chega à Espanha desconhecido, novinho, não era um jogador já de seleção, como Roberto. E constrói sua caminhada do zero, lá de baixo, no Sevilla, onde que sonhou com o título espanhol em 2007, conquistou Copa do Rei e Uefa, até virar um astro com Guardiola no Barça. É o brasileiro com mais jogos na história da Liga e o segundo estrangeiro, atrás de Messi. Além de tudo isso, tinha uma participação tática mais importante para o seu time, o Barcelona, nos triunfos europeus, do que teve Roberto Carlos no Real. Dani foi uma peça fundamental da engrenagem, não era apenas coadjuvante, foi o melhor companheiro que Messi já teve. Outro monstro.

2- RIVALDO

Este é um cara que não ganhou tantos titulos quanto Daniel Alves ou Roberto Carlos. Que não era fenomenal, plástico, como Ronaldo, Neymar e Romário. Pouco carismático, zero midiático. Mas como jogava bola! Como fazia gols, como criava jogo. Rivaldo chega à Espanha para jogar no La Coruña, após brilhar no Corinthians e no Palmeiras, e arrebenta logo de cara. Tanto que o Barcelona, desesperado por perder o Fenômeno para a Inter, paga 27 milhões de dólares para tirá-lo do Deportivo. E, apesar da responsabilidade enorme, a coisa dá certo. No que talvez tenham sido os anos mais competitivos da Liga espanhola, com um Real Madrid estrelado, Valencia e La Coruña fortíssimos, além de outros bons times, Rivaldo é coroado melhor do mundo (em 99), coloca o clube nas costas e ganha títulos para o Barça. Em 2001, ele faz esse hat trick do vídeo acima, com direito a gol de bicicleta no último minuto, classificando o Barça para a Champions seguinte. Ele é o grande jogador do clube e da Liga justamente nos anos em que a Liga torna-se a mais forte da Europa e ganha apelo global. Não foi pouca coisa, não.

1- RONALDINHO

Nos últimos anos de Rivaldo, o Barcelona se perde no extra-campo, A virada do milênio é triste, fica três anos sem fazer nada importante, era um clube em depressão. Uma diretoria nova e arrojada vai buscar a solução em Paris. Em 2003, desembarcam na Catalunha a magia, o sorriso, a arte, o renascimento. A chegada de Ronaldinho muda a história do Barcelona e pavimenta o caminho para tudo o que viria depois. Antes disso, claro, ele lidera as campanhas do bi espanhol e da conquista da Champions após 14 anos de espera, ganhando duas vezes o prêmio de melhor do mundo. Ronaldinho não é o primeiro da lista de brasileiros que mais impactaram o futebol espanhol apenas pelos títulos ou pelo futebol magnífico que jogou, mas por ter mudado a imagem do clube e até da Catalunha, ter popularizado o Barça ainda mais em escala global. Jogo Bonito. Fiesta, fiesta.

Gostaram? Ainda faltam as listas de Portugal e França, aguardem! Gracias aos amigos Martín Ainstein e Sid Lowe por compartilharem seu vasto conhecimento comigo.

Julio Gomes