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Palmeiras ultraofensivo vence, mas teve buracos demais e chances de menos

Dudu em ação pelo Palmeiras diante do Tigre, na estreia da Libertadores 2020 - Agustin Marcarian/Reuters
Dudu em ação pelo Palmeiras diante do Tigre, na estreia da Libertadores 2020 Imagem: Agustin Marcarian/Reuters
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

04/03/2020 21h04

Resumo da notícia

  • Palmeiras vence bem na estreia, mas sistema precisa de mais testes
  • Tigre, da segunda divisão argentina, não marcou porque não tem bola para isso

Precisamos dividir em dois o jogo entre Tigre e Palmeiras. Até a expulsão por agressão de Acuña, aos 16min do segundo tempo, foi um. Depois, foi outro.

Após a expulsão, o Palmeiras fez 2 a 0, teve um pênalti absurdo não marcado em Willian, teve espaço, teve chances de fazer um monte de gols.

Mas a análise válida é a dos 60 minutos de 11 contra 11.

O sistema ultraofensivo de Luxemburgo parece que não tem os minutos de treinamento necessários. Não é fácil para ninguém encontrar o equilíbrio defensivo, principalmente para times que querem propor e ter o controle do jogo.

Com Ramires e Bruno Henrique no meio, Felipe Melo e Gustavo Gómez muitos metros para trás, ficou um buraco gigantesco. O Tigre, um time de segunda divisão da argentina, não fez gol no primeiro tempo porque não tem capacidade técnica para isso. E esta é a análise interna principal que Luxemburgo precisa para a sequência do trabalho.

Eu já esperava um Palmeiras mais frágil defensivamente, e correr o risco faz parte em jogos em que a superioridade técnica é tão grande. Melhor ganhar de 5 a 2 do que de 1 a 0.

Mas tal fragilidade precisa ser trabalhada, se Luxa quiser usar o sistema daqui para frente.

O que chamou atenção foi a falta de volume, que deveria ser a contrapartida. Fragilidade atrás, volume à frente.

O Palmeiras não teve volume nestes 60 minutos. Por onde a construção começa? Pelo zagueiros? Volantes? Laterais? Dudu? Não está claro, o time precisa de mais treinamento.

O Palmeiras enfrentou um timeco, que está na Libertadores bem por acaso, e não soube construir a goleada que deveria ter construído.

Depois, como já dito, com 2 a 0, ficou mais fácil. Aliás, dois gols maravilhosos de Luiz Adriano e Willian - este último foi o melhor em campo, é um jogador incrivelmente coletivo e capaz de funcionar em qualquer sistema, o coringa que qualquer técnico quer ter.

O Paulistão é perfeito para testes e esse grupo da Libertadores é uma grande moleza. Luxemburgo tem ainda um par de meses para fazer testes, é justo insistir neste sistema.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL