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Julio Gomes


Vinícius Jr dá vitória ao Real Madrid e se eterniza na história do clássico

Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

01/03/2020 18h55

Resumo da notícia

  • Barcelona teve as melhores chances no primeiro tempo
  • Real Madrid assumiu o comando no segundo, chegou à vitória e à liderança
  • Vinícius Jr foi o melhor em campo e fez o primeiro gol do clássico

Se o Santiago Bernabéu viu na quarta-feira o jogo mais importante da carreira de Gabriel Jesus, neste domingo foi outro brasileiro que fez a partida da vida no estádio madrilenho: Vinícius Jr.

É um garoto de 19 anos, com uma longa trajetória pela frente. Por qualquer ângulo que se conte sobre esta trajetória, daqui a alguns anos, o jogo deste primeiro dia de março de 2020 será lembrado. O clássico de Vinícius. Assim ficará conhecido o Real Madrid 2 x 0 Barcelona, que devolveu o Real à liderança do Campeonato Espanhol.

O time de Zidane, que viveu um mês de fevereiro infernal - eliminado da Copa do Rei e derrotado em casa no mata-mata da Champions -, fica um ponto à frente na tabela e passa a contar com a vantagem no critério de desempate. Falta muito chão no Campeonato Espanhol, mas o momento volta a ser do Real, as dúvidas, do Barça.

O clássico teve um Barcelona melhor no primeiro tempo e um Real dominante no segundo, capitaneado pelas incontáveis espetadas de Vinícius Jr pela esquerda, sem que o adversário mostrasse qualquer tipo reação. Em uma das espetadas, o brasileiro teve coragem para finalizar - em vez de passar - e fez o gol que determinou a justa vitória. No último lance, Mariano decretou o 2 a 0.

Quique Setién volta a ficar com os holofotes em cima dele, pois em nenhum momento o Barcelona mostrou saber como reagir ao jogo do Real Madrid no segundo tempo, e a substituições tiveram efeito zero. Voltamos à sensação de estarmos vendo um Messi "desperdiçado" e um time sem muitas ideias.

Zidane respira. Não porque corria risco de demissão, mas porque sabia que a Liga estaria praticamente finalizada se o Real Madrid voltasse a perder em casa para o Barcelona. Eram quatro vitórias seguidas dos catalães no Bernabéu, em jogos do campeonato.

O primeiro tempo foi todo do Barcelona, que conseguiu chegar à frente alternadamente com seus meio-campistas e criar ótimas chances de gol. Arthur, pela esquerda, teve um mano a mano com Courtois, defendido pelo goleiro belga - que também parou Messi cara a cara com o argentino. Griezmann chutou por cima uma bola limpa dentro da área, e até Vidal chegou à frente com perigo, mas preferiu procurar os atacantes em vez de definir a jogada.

A posse de bola foi de 61% - não exatamente um massacre, pois o Real Madrid tentava se proteger tendo a posse. Mas o fato é que o time da casa ficou acuado o tempo todo, sem saber como encontrar uma situação que pudesse machucar o Barça.

Marcelo deu uma pontada pela esquerda, mostrando que o plano de Zidane até poderia funcionar - criticado por suas atuações defensivas, Marcelo continua e continuará sendo uma baita arma ofensiva.

O segundo tempo começa com um desenho parecido - o Barcelona com a bola nos primeiros 15 minutos. O problema é que o Madrid tinha a marcação mais encaixada, impedindo o time catalão de ameaçar de qualquer forma. Os meio-campistas tinham a bola longe da área adversária. Os laterais não davam profundidade, Griezmann estava escondido e Messi, quando pegava a bola, tinha três ou quatro no combate.

Pouco a pouco, o Real Madrid foi conseguindo encontrar sua válvula de escape: Vinícius Jr.

O brasileiro foi acionado seguidamente, e o Barcelona não encontrou soluções para pará-lo. O jogo mudou de lado, e o Real Madrid passou a ser muito mais perigoso, criando duas chances com Isco e uma com Benzema. Em 10 minutos, Ter Stegen transformou-se no melhor em campo.

O gol estava tão maduro que saiu. Na enésima bola recebida por Vinícius Jr pela esquerda, com espaço para trabalhar, ele entrou na área e resolveu finalizar. O desvio de Piqué matou Ter Stegen. Justa vantagem do Madrid no marcador.

O Barcelona teve uma bola com Messi para empatar, mas o ótimo carrinho de Marcelo evitou o pior - talvez seja o renascimento do brasileiro na temporada, fez um jogo decente e evitou o empate.

Fora isso, foi o mesmo Barça sem graça da temporada toda. Se Messi não resolve, ninguém resolve. O futebol é muito dinâmico, e o Real Madrid volta ao controle.

Julio Gomes