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Julio Gomes


Regra é detestável, mas não dá para passar pano para o Janderson

Janderson comemora segundo gol do Corinthians sobre o Santos com torcedores - Marcello Zambrana/Marcello Zambrana/AGIF
Janderson comemora segundo gol do Corinthians sobre o Santos com torcedores Imagem: Marcello Zambrana/Marcello Zambrana/AGIF
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

02/02/2020 12h56

Resumo da notícia

  • Corinthians arrisca ao escalar titulares, mas mostra ótimo futebol e atropela o Santos
  • Expulsão de Janderson ao comemorar gol marca o clássico
  • Regra é antiga e merece debate, mas não dá para tratar o jogador como mártir

Agora, é o fim do mundo. Um jogador foi expulso por comemorar um gol. Óóóóóóóóóó. Que absurdo. É o fim do futebol. Pode pregar o caixão. Não dá mais para assistir....

Mas.... e o Janderson?

O que falar de um jogador profissional de futebol que, sabendo que tem um cartão amarelo, se "auto-aplica" o segundo, podendo prejudicar o time em um clássico? Sério que vamos ficar tratando o Janderson como mártir?

É típico da nossa sociedade reclamar de regras, não fazer absolutamente nada modificá-las e passar a mão na cabeça de quem não as cumpre.

Eu acho detestável dar cartão amarelo por comemoração de gols. Amarelo por tirar a camisa, por subir em alambrado, por mostrar plaquinha, por se manifestar politicamente, etc, etc, etc. Sim, fere o espírito do jogo, limita a emoção máxima, que é o gol.

Mas há quanto tempo essa regra existe? Há quanto tempo comentamos que ela é absurda? E o que foi feito neste meio tempo?

Por acaso jogadores de futebol mundo afora se reuniram para pedir a extinção deste tipo de punição? Por acaso o sindicato aqui no Brasil se movimentou para conversar com comissão de arbitragem, TVs, clubes, para debater e conversar sobre isso?

Por acaso já paramos para entender as razões de quererem dar cartão amarelo para o jogador que faz X, Y ou Z? Lembram da imagem de Ronaldo subindo no alambrado em Presidente Prudente e o alambrado, com o peso dos torcedores, desmoronando? Pois é. Deve haver alguma razão para esses amarelos.

Que tal sentar à mesa, compreender as razões de cada lado, que os jogadores expressem seus sentimentos e que cheguem a um meio termo? Escada pode, alambrado não pode. Tirar a camisa pode, xingar torcida adversária não pode. Sei lá. Que conversem sobre isso. Se o mundo da bola acha tão absurdo amarelo por comemoração, tem que se mexer.

Acho muito simplista atirar pedras na regra, no árbitro e passar pano no que fez Janderson. Profissionais de futebol precisam conhecer regras e respeitá-las. Podemos debatê-las e tentar mudá-las? Sem dúvida. Isso serve para regras, leis, acordos, estatutos. Mas o respeito ao combinado é primordial.

Janderson não é herói, é vilão.

Aliás, adorei o que disseram Boselli e Janderson após o jogo.

Boselli: "Vamos matá-lo (Janderson) no vestiário, porque nos fez correr todo o segundo tempo". Percebem? Essa é a mentalidade correta, o pito correto. Não ficar reclamando de regra. Cada vez mais fã do argentino, que se comportou muito bem durante o ostracismo da era Carille e agora também se comporta bem com seu jogo funcionando.

Janderson: "Esqueci que tinha cartão amarelo". Ou seja, ele sabe que está desrespeitando a regra. Ele não esqueceu da regra "na emoção do gol". O que ele esqueceu foi que seria expulso, apenas.

O jogo? O Corinthians foi superior desde o começo e mereceu a fácil vitória. Com uma a mais no segundo tempo, o Santos criou volume de jogo, mas sem a intensidade e velocidade necessárias.

O tal Cantillo é uma máquina, dá uma dinâmica importante ao meio de campo. Boselli tem muita bola, o time está pronto para a pré-Libertadores. Apesar dos elogios, não entendo bem por que Tiago Nunes quis jogar com todos os titulares. Perdeu Camacho e colocou o time para fritar neste absurdo horário das 11h para um jogo no verão. Enfim.

O Santos? 2020 será um ano looooongo, loooongo.

Julio Gomes