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Julio Gomes


Flamengo fez acordo e nunca mais telefonou, conta pai de vítima do Ninho

gedson fla vitima - Arte/UOL
gedson fla vitima Imagem: Arte/UOL
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

21/01/2020 18h44

Resumo da notícia

  • A tragédia do Ninho do Urubu deixou 10 famílias destroçadas
  • Algumas, como a de Gedson, fizeram acordo com o clube e foram indenizadas
  • Mas nunca mais receberam uma ligação sequer, como conta o pai nesta entrevista

Gedson Beltrão dos Santos Corgosinho, de 14 anos, não chegou nem a treinar com a bola, sua grande paixão, vestindo a camisa do Flamengo. Natural do interior paulista, havia jogado no Athlético-PR. No início de 2019, partiu para uma nova aventura, no Rio de Janeiro. Poucos dias depois de chegar, morreu queimado em um contêiner, junto com outros nove meninos.

Das 10 famílias destroçadas pela tragédia do NInho no Urubu, algumas poucas já fizeram um acordo financeiro com o clube. Nesta terça, no Bandsports, entrevistamos Gedson, o pai de Gedinho, um dos que resolveram a situação com o clube. Nas entrelinhas, fica claro que a família resolveu aceitar o que foi oferecido para não estender o sofrimento.

"Achamos por bem finalizar isso aí, porque toda vez que a gente mexe, dói", conta Gedson.

"A gente fez o acordo. Depois que fez o acordo, a gente não conversou mais com eles e eles não conversaram mais com a gente. A gente não tem uma ligação... Não ligaram no dia das mães. Não tem essa parte humana. Não é porque fez o acordo que o assunto acaba. Eles estavam cuidando dos nossos filhos. Que eles botem a mão na consciência para fazer um acordo com os demais pais, que estão tentando fazer acordo e não estão conseguindo. É um assunto que machuca demais todos os dias", desabafou o pai.

O vídeo acima tem a entrevista inteira com o pai do menino. O vídeo mais abaixo neste post tem meu comentário. Eu considero a falta de tato da instituição Flamengo imperdoável.

A Justiça deveria estar envolvida neste caso somente para apontar culpados e penas. Quem foi responsável pela tragédia? Quem dentro do clube? Que empresa? Bombeiros? Esse inquérito e posterior julgamento é coisa da Justiça.

Mas não deveríamos estar esperando a Justiça para resolver o básico do básico. Que o Flamengo mande flores em datas importantes, abra as portas do clube para estas pessoas, mande seus jogadores famosos visitá-los. Que mostre um pingo de sensibilidade. O ideal seria ter um departamento de comunicação/marketing muito mais preocupado com isso do que com a apresentação de jogadores. Hoje teve outra, né? Dinheiro não falta para comprar Michael, mas falta para indenizar.

Que o Flamengo pague indenizações consideráveis e basicamente resolva a vida financeira dessas famílias. Famílias que entregaram meninos e receberam caixões.

Julio Gomes