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OPINIÃO

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Game Changers Series é o triunfo de uma luta diária das mulheres

Game Changers Series Brasil - Divulgação/Riot Games
Game Changers Series Brasil Imagem: Divulgação/Riot Games
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

30/06/2022 04h00

A partir do próximo sábado, o VALORANT brasileiro dará um passo importante em um de seus principais pilares: ser um game plural e construir um cenário competitivo destinado também às minorias e gêneros marginalizados. As oito melhores equipes femininas do Brasil jogarão o Game Changers Series 1 diretamente dos estúdios da Riot Games em São Paulo, e a semana tende a ser histórica para o esporte eletrônico nacional por diversos motivos, que não param no servidor.

Além da poderosa Team Liquid, dona de um quinteto totalmente dominante no Brasil, temos no páreo: Gamelanders, Stars Horizon, B4, TBK Esports, Oddik, Cleiteam e Maze e Amigas. Ao longo do ano passado e também deste, assistimos a um longo trabalho de sedimentação de uma ideia e de crescimento profissional do cenário como um todo. Que o diga o corpo de casters, 100% feminino, com 12 mulheres entre hosts, narradoras e comentaristas.

Um grande trunfo do Game Changers, desde os seus primeiros passos, é entender que estimular a representatividade nos Esports é muito mais do que organizar campeonatos e focar na formação de pro players. É necessário que os espaços sejam ocupados por todos os lados. No VALORANT, especificamente, temos, de forma muito interessante, visto um bom número de mulheres trabalhando em diversas funções.

Em geral, o FPS nacional, também nos outros títulos, como Rainbow Six Siege e Counter-Strike:Global Offensive, forma muitas jogadoras. Porém, até que ponto elas realmente têm espaço para se desenvolver e incentivo para pensar os Esports com um plano de carreira digno, a longo prazo? Por isso, é necessário fazer a diferença no ecossistema como um todo.

Recentemente, o anúncio de que haveria um Mundial de VALORANT dedicado às mulheres empolgou a comunidade, mas a atualização com a novidade de que haveria apenas oito vagas reacendeu o desânimo. E com razão. Um número de 12 a 16 organizações já atenderia bem melhor as necessidades e evitaria qualquer impressão de que o torneio está sendo realizado "somente para constar".

Sabemos que, no dia a dia, as mulheres encontram muito mais obstáculos do que os homens para ter o mínimo dentro dos servidores de games. Um nick feminino pode ser o suficiente para que algum cretino se sinta no direito de ofender, diminuir e fazer qualquer outra coisa no sentido de tornar a experiência da jogadora um inferno. Ou seja: o Game Changers Series presencial deve ser, sim, encarado como um troféu à resiliência daquelas que lutaram por isso.

Que, nesta semana, todas as que batalharam por um grande evento dedicado a elas tenham a oportunidade de celebrar. Mas sem se contentar. Não é suficiente, e a luta continua. A nível nacional e global. O trunfo do esporte eletrônico deve ser o pertencimento a todos - sem distinções. Elas merecem.