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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Watch parties: uma revolução nas transmissões esportivas

Gaules transmite NBA em seu canal - Divulgação/Gaules
Gaules transmite NBA em seu canal Imagem: Divulgação/Gaules
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

18/06/2022 04h00

Se você cresceu acompanhando futebol no Brasil nos anos 90, certamente há de concordar: nos dias atuais, descobrir em qual canal a partida do seu time vai ser transmitida é uma tarefa hercúlea. O conceito de direitos de transmissão, inclusive, está cada vez mais dissipado. Nos esportes eletrônicos, a ideia da watch party - ou seja, de um streamer e/ou influenciador transmitindo e comentando partidas de Esports - é cada vez mais usual, incorporado às grandes publishers e responsável por uma camada considerável da audiência.

Sob uma linha de raciocínio lógica, a primeira pergunta que vem à mente é: oras, mas por que a empresa abriria mão de um pedaço desse público em seu próprio canal para dissipar os fãs em outros locais? Pois tenha certeza: vale a pena. Aqui, a palavra mágica é "awareness": ou seja, espalhar a ideia. Levar o produto a lugares nos quais a chegada dele seria pouco provável e renovar constantemente quem (e por que) assiste.

Imagine quantas pessoas que não davam a menor importância para a Fórmula 1 ou a NBA, por exemplo, passaram a acompanhar graças ao interesse (e, depois, aos direitos adquiridos) de Alexandre "Gaules". A tendência se mostra cada vez mais poderosa, com Casimiro, ao longo de 2022, exibindo jogos do Campeonato Carioca e agora do Brasileirão. Pois é, virou parte da rotina ter de explicar àqueles que não estão familiarizados o que é a Twitch, por exemplo.

A força das watch parties nessa proporção é mais recente. No Brasil, vemos o VALORANT, o Rainbow Six Siege e, principalmente, o Counter-Strike: Global Offensive dando um boost considerável nos seus números por meio das transmissões dos streamers. É bom que se entenda: não se trata aqui de "desprezar" a transmissão oficial ou o trabalho dos casters profissionais, mas sim de proporcionar uma nova experiência aos fãs por meio de uma imersão personalizada.

Por mais óbvio que isso pareça, é, sim, uma questão de perfil. Do League of Legends ao cricket, não importa a modalidade esportiva, sempre haverá quem prefira assistir aos jogos em uma "pegada" mais analítica, enquanto também haverá quem esteja ali mais pela diversão, tratando o Esporte como um pano de fundo para confraternizar e engajar junto de uma mesma comunidade. Não há por que se criar uma rivalidade neste sentido. Todas as formas de assistir têm seu devido valor e agregam.

Obviamente, direitos de transmissão continuam representando um elemento extremamente caro quando falamos de exclusividade, mas a tendência é que a força das watch parties gere um contexto muito mais difuso no que diz respeito aos canais. Ainda é difícil desapegar da facilidade proporcionada pela TV aberta em relação ao futebol, por exemplo, mas o público dos Esports já está acostumado ao combo das plataformas de transmissão somadas à interatividade.

O esporte eletrônico é um símbolo de revolução diária em se tratando de lógica das transmissões: seja pela conversa em tempo real, seja pelos famosos drops (recompensas por assistir), entre tantos outros elementos... As modalidades tradicionais têm muito a ensinar, mas tenha certeza: também tem muito a aprender com o que vem dos games.