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OPINIÃO

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CBLOL reforça: personagens e narrativas sustentam o Esporte

Troféu do CBLOL - Bruno Alvares/Riot Games
Troféu do CBLOL Imagem: Bruno Alvares/Riot Games
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

11/06/2022 04h00

Às vésperas de seu retorno para a Segunda Etapa, o Campeonato Brasileiro de League of Legends trouxe a público um vídeo promocional que levou a comunidade ao delírio. A produção retrata, em torno da temática "sonho e realidade", as 10 organizações que disputam a competição - representadas, cada uma, por um jogador. O trabalho mescla bom humor e expectativa, mas reforça um fator que muitas vezes passa despercebido aos Esports: a necessidade de construir bons personagens e narrativas interessantes.

Não há dúvidas de que Felipe "brTT", hexacampeão do CBLOL e, disparado, o jogador com a maior fan base do cenário competitivo de League of Legends brasileiro, seja o nome que mais traga repercussão ao campeonato. O fato de ele ser a cena pós-créditos do vídeo em questão significa muito: a produção (que está a nível de cinema, vale destacar) valoriza quem construiu a história, mas sabe que há múltiplos caminhos para seguir em frente com novas trajetórias.

Todos os jogadores que ali aparecem têm a própria personalidade. Do dyNquedo "TikToker" com sua caixa de som enorme ao Ranger evocando sua "nação", o CBLOL mostra se aprofundar nas características de cada jogador e cada organização para, de maneira cuidadosa, reforçar com atitudes, e não somente teorias, o que é uma liga franqueada e como cada equipe tem, sim, o mesmo peso e a mesma importância para a publisher.

O esporte tradicional nos ensina que ídolos são construídos por meio de identificação e, claro, conquistas. Levantar troféus sendo parte fundamental da conquista é, inevitavelmente, uma forma de atrair fãs. Nos Esports, para muito além da gameplay, observamos que os perfis dos jogadores e a forma como interagem ou se promovem diante do público são importantes para compor as rivalidades e a narrativa competitiva como um todo.

Nesta Segunda Etapa do CBLOL, inclusive, temos como uma das novidades a entrada da Los Grandes ao lado do Flamengo Esports. Vai ser interessante observar a "Onda Laranja" atraindo um novo público, reforçando a rivalidade com a LOUD, construída essencialmente no Free Fire, e desafiando as grandes torcidas. Uma união "amigável" com os flamenguistas tem tudo para gerar grandes frutos em Summoner's Rift.

Já mencionamos aqui no GGWP algumas vezes como os Esports têm dificuldade em documentar a própria história e valorizar narrativas sem que elas se percam. Não precisa ser assim. O investimento em torno das principais ligas do país já justifica que os jogadores sejam grandes estrelas, que as organizações estejam no mainstream e ganhem cada vez mais espaço nos setores não-endêmicos do mercado.

Construir personagens tira a liga da bolha e a coloca como algo palpável a muita gente que nem imaginava em assistir a esportes eletrônicos. Ainda que, hoje, o cenário não dependa disso, o longo prazo é sempre o melhor plano.