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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Investir no Tier 2 é fornecer futuro saudável aos Esports

Elite Cup VALORANT - Divulgação/Gamers Club
Elite Cup VALORANT Imagem: Divulgação/Gamers Club
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

08/06/2022 04h00

Assim como no esporte tradicional, o ambiente competitivo de games também conta com suas diferentes "divisões". Obviamente, varia muito de jogo para jogo, obedecendo lógicas estabelecidas por cada comunidade, mas é importante entender como, cada vez mais, o que se chama de "Tier 2", "Tier 3", ou, simplesmente, o ambiente "semiprofissional", é importante para estruturar um cenário a longo prazo e permitir que sejam criados talentos para alimentar um ecossistema a longo prazo.

O VALORANT, FPS tático da Riot Games, é um bom exemplo a ser analisado nesse sentido. Com planos de uma grandiosa expansão internacional para 2023, na qual as principais organizações do mundo partirão para um sistema semelhante ao de franquias em três ligas internacionais (Américas/Europa/Ásia), o jogo já se preocupa em fortalecer os torneios nacionais - e o Brasil logo se adiantou de maneira interessante.

Em parceria com a Gamers Club, uma das principais organizadoras de campeonatos de Esports do país, a publisher fez com que os jogadores e as equipes em geral, independentemente da expressão, ganhassem segurança para "ter calendário" ao longo de toda a temporada. Uma reclamação recorrente no esporte tradicional, inclusive. Da qual não se inclui nem mesmo o futebol - modalidade que é, com sobras, a mais popular do mundo.

Tomemos os clubes do interior, por exemplo. À exceção dos estaduais, os times podem passar meses e meses sem entrar em campo, por mera falta de planejamento de federações. É necessário, em qualquer jogo, pensar que as grandes estrelas são uma minoria. Quem consegue viver do game também é minoria. E, nem por isso, a maioria deve ficar escanteada. É preciso pensar em todos.

Inclusive, ainda se debruçando sobre o exemplo trazido pelo VALORANT, a Elite Cup, competição cujos detalhes foram revelados nesta semana, traz outro fator importante: um "mix" destinado às equipes profissionais, semiprofissionais e também exclusivamente femininas (aqui, no programa chamado de Game Changers). A experiência proporcionada por esse contato é benéfica para o cenário e faz com que ele respire a longo prazo.

O mesmo já acontece em outros jogos - tanto no gênero FPS, como o Rainbow Six Siege, quanto de outros tipos. Que o diga o CBLOL Academy, uma intenção declarada de revelar talentos para a principal divisão do League of Legends brasileiro. É preciso vislumbrar o futuro e saber que, independentemente do tamanho do sucesso, todo jogo precisa se renovar. A concorrência no mercado tende a ser cada vez maior.

A diferença técnica sempre será inerente aos diferentes "tiers" ou divisões. Faz parte. Assim como também deve fazer parte do dia a dia de quem quer elevar o cenário o apoio constante de todas as formas: jogando, assistindo, consumindo a publisher de diversas formas. Os Esports vivem de seus espectadores - e se desenvolvem de acordo com a fidelização deles.