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"Asterisco" no MSI reacende alerta sobre efeitos da pandemia

RNG MSI 2022 - Divulgação/RNG
RNG MSI 2022 Imagem: Divulgação/RNG
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

31/05/2022 04h00

A pandemia do coronavírus causou (e continua causando) efeitos no ambiente competitivo de todas as modalidades possíveis e imagináveis de esporte. Principal torneio a nível global de League of Legends no primeiro semestre, o Mid-Season Invitational, realizado em Busan, na Coreia do Sul, ao longo do mês de maio, voltou a levantar o questionamento: é possível bater de frente com as limitações causadas pelo distanciamento social e ainda proporcionar experiências de alto nível para os espectadores?

Quem acompanha o blog sabe que a Riot Games é tratada como sinônimo de excelência quando falamos de Esports por aqui. Porém, a situação da Fase de Grupos do MSI, na qual a Royal Never Give Up, da China, jogando à distância, teve três jogos que já haviam sido realizados anulados - e repetidos - não é aceitável para um torneio desse tamanho. Há que se compreender as circunstâncias, mas também não se blindar de críticas o panorama constrangedor.

A RNG terminou como campeã, superando a dona da casa, T1, do lendário Lee "Faker" Sang-Hyeok. A milhares de quilômetros, silenciou centenas de sul-coreanos que se reuniram para torcer pela retomada do país. Ficou o gosto, porém, de campeonato com asterisco. Não se trata aqui de falar que não valeu ou de diminuir o League of Legends chinês. Pelo contrário. Mas fica o questionamento: estamos, mesmo, prontos para lidar com essas limitações sanitárias?

A Riot chegou a divulgar uma longa e densa explicação sobre o sistema adotado para realizar um campeonato dentro dos conformes de integridade competitiva (que você pode ler clicando aqui) nessas circunstâncias, mas a verdade é que, independentemente do que se justifique, será inviável repetir uma experiência semelhante no Worlds, que deve ocorrer em outubro. E aí fica a pergunta: qual seria a solução?

O Mundial está previamente marcado para os Estados Unidos em sua fase principal, prometendo uma "turnê continental", passando também por México e Canadá. Hoje, a verdade é que isso soa totalmente como inviável. Não só pela logística de vistos, mas por todas as restrições que possam vir a acontecer do ponto de vista da saúde. A pandemia ainda não acabou, e é preciso medir riscos para evitar complicações, em todos os âmbitos.

A verdade é que todas as publishers precisarão se desdobrar para avaliar cada mínimo detalhe antes de iniciar uma competição. Em 2020, o próprio MSI chegou a ser cancelado pelas circunstâncias impostas pelo coronavírus. Sabemos que as vacinas e todos os métodos de prevenção aplicados tornaram o panorama geral mais animador, mas ainda é necessário manter a cautela ao pensar a longo prazo.

É natural que todos nos empolguemos com a possibilidade do retorno presencial de jogadores aos mais variados tipos de competições e, principalmente, dos torcedores às arquibancadas. Porém, na mesma medida, precisamos entender que, nos dias de hoje, dar um passo atrás se tornou um movimento protocolar.