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OPINIÃO

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CS:GO: Last Dance se prova como carta de amor ao Esport brasileiro

PGL Major FalleN - Divulgação/PGL
PGL Major FalleN Imagem: Divulgação/PGL
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

22/05/2022 08h00

Construir uma história no esporte depende de inúmeros fatores. Além de vencer, é necessário cativar o público e obter um reconhecimento resistente ao tempo. Nas últimas semanas, tivemos a oportunidade de acompanhar, no Counter-Strike: Global Offensive, mais uma linda e histórica página. O quinteto liderado por Gabriel "FalleN" e apelidado pelo público de Last Dance, vestindo a camisa da Imperial, mostrou, mais uma vez, que respeito se constrói com atitude - e não apenas com palavras.

A eliminação diante da Copenhagen Flames não foi sequer uma vírgula deste novo capítulo. E, aqui, não se trata de normalizar a derrota - ou tentar romantizar a situação. Todos gostamos de vencer, e dizer qualquer coisa contrária a isso seria hipocrisia. Porém, seria igualmente errado dizer que não saímos do Major em Antuérpia ainda mais unidos e convictos da força que o Esport brasileiro tem perante o mundo.

Pare e reflita: Lincoln "fnx" ganhou seu primeiro campeonato mundial de CS (ainda na versão 1.6) em 2006. Ou seja: há longínquos 16 anos. É uma vida. Ele, que estava "quando tudo era mato", é o símbolo de um game responsável por moldar o alicerce do que hoje é o esporte eletrônico no Brasil. Se temos o que temos, é porque, lá atrás, essas pessoas acreditaram e insistiram na convicção de que o "solo" nacional era fértil para isso.

Olhar para o canal de Alexandre "Gaules" na Twitch e ver o contador de audiência apontar 710 mil pessoas simultâneas é dar um recado ao mundo. O Brasil ama Esports e reconhece quem pavimentou esse caminho. Se não fosse profissionais como FalleN e fer guerrearem por anos e anos, resilientes a obstáculos e quaisquer desafios no meio do caminho, definitivamente o cenário competitivo de jogos eletrônicos não seria o que é hoje por aqui.

A imagem que ilustra este texto é simbólica e escolhida a dedo por diversos motivos. O que acompanhamos nesse início de trajetória do Last Dance, em um Major, é uma carta de amor aos fãs brasileiros de Esports. Liminha, símbolo da grande família criada por Gaules em torno de sua Tribo, simboliza um público que idolatra quem acreditou e continua acreditando que o lugar da bandeira brasileira é no ponto mais alto do pódio.

Particularmente, vejo a racionalidade excessiva, em qualquer esporte que seja, como uma abordagem rasa. Nem só de estatísticas, desempenho irretocável e toneladas de números vive o esporte. Pelo contrário: o irracional - e a "magia" que o cerca - é inerente à competição. Está no time que se classifica ou é desclassificado no detalhe. Na alegria e na tristeza. No grito que extravasa ou no choro que desabafa.

Ganhar ou perder é do jogo e da vida - e continuará sendo. Por mais clichê que pareça, porém, nunca será só um game. A relação que o brasileiro tem com os Esports é diferente - e não por ufanismo. Pare e pense quantas vezes você já viu jogadores do mundo inteiro falando sobre o quão insana é a torcida por aqui. Independentemente de quanto o placar marca quando o servidor fecha, seguimos vencendo quando estamos unidos. Quebrando recordes, fazendo história, amando o esporte eletrônico.