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Gabriel Vaquer

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Constrangimento marca transmissões de jogo do Atlético Mineiro na Colômbia

Jogadores de Atlético e America de Cali sofrem com efeitos de gás lacrimogêneo  em jogo da Libertadores - Ricardo Maldonado-Pool/Getty Images
Jogadores de Atlético e America de Cali sofrem com efeitos de gás lacrimogêneo em jogo da Libertadores Imagem: Ricardo Maldonado-Pool/Getty Images
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

13/05/2021 23h49

Não foi nada agradável acompanhar América de Cali (COL) x Atlético Mineiro na noite desta quinta-feira (13). O jogo foi paralisado quatro vezes pelos efeitos dos protestos populares que estão ocorrendo na Colômbia e se repetiram nas proximidades do estádio Romélio Martinez, em Barranquilla. Os jogadores de ambos os times sofreram com gás lacrimogêneo que era jogado pela polícia local em manifestantes fora do estádio.

Toda a situação foi uma vergonha e o árbitro um grande omisso. Mas este espaço fala de mídia esportiva e comunicação. E precisamos destacar o trabalho de quem cobriu o jogo. No Fox Sports, a partida foi narrada por João Guilherme, com comentários de Léo Bertozzi, Zé Elias e Carlos Simon, além da apresentação de Alex Tseng. Já no Facebook, o narrador Jorge Iggor comandou em dupla com Bruno Formiga.

Em todos eles, o constrangimento pelo que acontecia foi a tônica do trabalho. João, um narrador com mais de 30 anos de carreira, afirmou nunca ter testemunhado nada parecido nos jogos que já transmitiu. No segundo gol, um grande lance de Guilherme Arana, João Guilherme nem sequer chegou a gritar gol, tamanha a indignação. Posteriormente, ele pediu desculpas. "A torcida do Galo vai me entender".

Leonardo Bertozzi foi perfeito nas críticas ao falar que o futebol era apenas futebol na noite interminável na Colômbia e, mais ainda, quando lembrou que poderia se transmitir uma vergonha televisiva e fazer jornalismo ao mesmo tempo. O mesmo vale para Zé Elias, que lembrou que a Conmebol não deveria ser tão alheia à realidade.

No Facebook, Jorge Iggor denominou o fato como uma "noite interminável". Bruno Formiga, conhecido já por ter comentários que não separam futebol e causas sociais, também usou o termo "vergonha" para o que estava acontecendo e criticou a omissão do árbitro que não suspendeu a partida. Formiga também lia notícias da imprensa local para atualizar os telespectadores.

As situações de ambas as equipes eram difíceis. Fox Sports e o Facebook são donos dos direitos de transmissão da Libertadores e parceiras da Conmebol. Por ano, a rede social paga US$ 20 milhões, enquanto a Disney, dona da Fox, paga US$ 50 milhões. Criticar uma parceira, ao vivo, é sempre delicado. Mas, por hoje, como deveria ser, as empresas esqueceram os acordos comerciais e fizeram jornalismo.

Foi uma noite histórica, para o bem e o mal. Mesmo constrangidos, os profissionais criticaram e deram o peso correto para a noite triste que o futebol enfrentou. O único dado positivo foi a classificação antecipada do Galo às oitavas de final da Libertadores 2021.

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado, o gol de Guilherme Arana foi o segundo, não o terceiro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL