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Gabriel Vaquer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Fernando Caetano 'inaugurou' o Fox Sports e levou humor e jovialidade à TV

Fernando Caetano: jornalista que foi rosto do Fox Sports faleceu neste domingo (9) aos 50 anos - Reprodução/Fox Sports
Fernando Caetano: jornalista que foi rosto do Fox Sports faleceu neste domingo (9) aos 50 anos Imagem: Reprodução/Fox Sports
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

09/05/2021 15h52

O mundo da televisão esportiva acordou de luto hoje (9) com a notícia da morte do jornalista Fernando Caetano, de apenas 50 anos. Segundo sua família, Caetano teve problemas do coração e não resistiu durante a madrugada. O repórter foi um dos rostos do Fox Sports até o final do ano passado e sua passagem deixa entristecidos muitos colegas de transmissão. A reação deles nas redes sociais mostrou que se tratava de uma figura unânime: Caetano trazia jovialidade e leveza para o meio.

Fernando Caetano começou sua carreira na Rádio Jovem Pan, nos anos 1980. Por lá, começou como plantonista. Posteriormente, ingressou nas transmissões esportivas, principalmente dos clubes paulistas. Também atuou em coberturas da Fórmula 1 na rádio, juntamente com o então repórter Flávio Gomes, que depois se tornaria colega de Fox Sports.

Muito antes de "inagurar" o canal esportivo da Fox, Fernando Caetano integrou também a primeira geração de repórteres da ESPN Brasil ainda nos anos 1990. Estava um time que contava com nomes como André Kfouri, André Plihal, Marcelo Bianconi, Cícero Mello, Hélvídio Mattos e Carla França.

Sua migração à televisão aconteceu por causa do narrador Milton Leite, hoje no Grupo Globo. Leite e Caetano haviam sido colegas de trabalho na Rádio Jovem Pan e, com a ESPN ganhando cada vez mais corpo durante o período de franco crescimento da televisão por assinatura, o narrador o indicou para José Trajano, então diretor de Jornalismo da emissora.

"Foi naquele começo de ESPN Brasil, o canal crescendo, investindo em jornalismo, eu sugeri o nome dele para o Trajano, que o colocou na seleção, e depois ele foi contratado. Eu o conheci na Jovem Pan, ele era muito jovem, começando carreira. Um cara cheio de energia, alegre, trabalhava sem reclamar. Todo mundo adorava ele. Ele sempre foi apaixonado por futebol e, quando surgiu a possibilidade na ESPN, eu incentivei", disse Milton para a coluna.

Fernando Caetano ficou na ESPN Brasil até meados dos anos 2000. Foi lá que conheceu um conterrâneo que virou um companheiro no Fox Sports posteriormente: Gustavo Villani. Ambos são da cidade de Marília, no interior de São Paulo. A amizade de ambos ficou tão grande que seus pais viraram amigos.

Villani não escondeu a tristeza por perder um amigo tão cedo. "Caetano foi um amigo que a vida e a profissão me deram. Conterrâneos, mas separados por quase 11 anos de diferença de idade, a gente só se aproximou em São Paulo, na ESPN. E depois no FoxSports, no Rio. Aí, sermos de Marília foi um catalisador", disse ele em conversa com a reportagem.

"Os pais, Dona Maria e Seu João, também passaram a ser amigos. Fizemos coberturas inesquecíveis, viajamos o mundo com Premier League, Bundesliga, Libertadores... Amigo fiel, incapaz de falar mal de alguém. Estou arrebentado", concluiu triste o narrador do Grupo Globo.

O principal repórter da Fox, que trazia leveza por onde passava

Ainda em 2011, Fernando Caetano aceitou proposta para fazer parte da equipe do canal Fox Sports, que estava começando no Brasil depois de fazer sucesso na América Latina. Trabalhou lá por quase dez anos, sendo o principal repórter da emissora. Esteve, por exemplo, na primeira transmissão do canal ainda quando ele nem mesmo existia oficialmente: Internacional x Once Caldas, pela Libertadores de 2012, em 26 de janeiro de 2012, um jogo exibido no canal FX.

O Fox Sports em si só começaria a ir ao ar em 5 de fevereiro do mesmo ano. E pelo canal, cobriu as Copas do Mundo de 2014 e 2018, sempre como repórter da seleção brasileira. Sua última transmissão na emissora foi na goleada do Palmeiras por 5 a 0 contra o Delfin, pelas oitavas de final da Libertadores da América 2020, em 2 de dezembro do ano passado. No dia seguinte, Caetano foi comunicado pela Disney que seu contrato não seria renovado. Era o fim da história na emissora.

História esta que é lembrada com muito carinho por Benjamin Back, que foi amigo de Fernando Caetano no canal entre 2013 e 2020. Benja destaca, principalmente, a leveza que ele trazia para o meio. "Eu costumava dizer que ele era o Amaury Júnior do futebol no ar, porque ele falava de qualquer assunto com a gente", lembra o apresentador, hoje no SBT.

"Era um cara simplesmente incrível, tanto no ar quanto fora do ar. No ar, eu brincava muito com ele. Ele era um cara com um bom humor imenso, sempre sabia se sair bem de qualquer imprevisto, de qualquer problema. Fora do ar, a mesma coisa. Caetano era muito simples. Rodamos o mundo juntos. Fomos para a Argentina fazer a final da Libertadores que não teve, para o Qatar ver o Mundial com o Flamengo...", afirmou Benja.

O apresentador revela que queria levar Fernando Caetano para o SBT, já que o canal de Silvio Santos vinha crescendo no Esporte: "Nos últimos tempos, encontrava com ele direto na Avenida Sumaré, em São Paulo. Na última vez, até falei para ele que o SBT tinha comprado a Champions League e ia ver se tinha como ele vir trabalhar com a gente, porque queria trabalhar com ele de novo. E ele nunca forçava a barra, ele nunca pedia nada. Era um cara bem na dele. Não dá para acreditar até agora. Estou arrasado".

A despedida do jornalista esportivo acontece hoje (9), no Velório Municipal de Marília-SP, mas com restrições ao número de pessoas por causa da pandemia do novo coronavírus.

Que Caetano descanse em paz e que seu legado seja sempre lembrado pelos colegas e amigos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL