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Gabriel Vaquer

REPORTAGEM

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Globo tem um ano para se reconciliar com Conmebol por volta da Libertadores

Jogadores do Palmeiras levantam o troféu da Copa Libertadores 2020, no Maracanã - Silvia Izquierdo/Getty Images
Jogadores do Palmeiras levantam o troféu da Copa Libertadores 2020, no Maracanã Imagem: Silvia Izquierdo/Getty Images
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

24/04/2021 04h00

Começou uma espécie de contagem regressiva no Esporte da Globo. A emissora carioca tem um ano para se resolver judicialmente com a Conmebol caso queira retomar a transmissão em televisão aberta e paga da Libertadores, a partir do ano de 2023. A briga rola por causa da rescisão contratual do contrato da competição no ano passado.

A entidade máxima do futebol sul-americano processa a emissora e quer uma compensação financeira por perdas e danos pela rescisão contratual ocorrida no ano passado. A Globo e a Conmebol travam esta batalha na Justiça da Suíça. Ainda não existe uma previsão para quando essa disputa irá acabar.

A Conmebol já deixou claro: não vai negociar com a Globo enquanto esse litígio acontecer. A disputa foi um dos motivos pelos quais a Copa América deste ano acabou vendida para o SBT. A emissora carioca até fez proposta, mas o grupo de Silvio Santos, atualmente, tem uma relação mais íntima com a Conmebol.

O limite de um ano para essa resolução passa pelo planejamento da negociação da Libertadores no ciclo de quatro anos, entre 2023 e 2026. As conversas vão começar a partir do segundo semestre deste ano, e a expectativa é de que o contrato de TV no Brasil seja definido no máximo em abril de 2022.

A negociação será tocada pela empresa FC Diez Media, da multinacional IMG, que renovou o contrato com a Conmebol para negociações de direitos e marketing de competições de clubes da Conmebol - além da Libertadores, também acontecerão negociações pela Copa Sul-Americana, hoje exclusiva do serviço de pay-per-view Conmebol TV.

Internamente, na Globo, existe a expectativa de que a emissora e a entidade se entendam até lá. Um fato que ajuda é que a emissora está tentando se aproximar do comando da Conmebol aos poucos. O canal não diminuiu a cobertura jornalística da Libertadores em seus programas esportivos, mesmo sem transmissões.

Além disso, o presidente-executivo do Grupo Globo, Jorge Nóbrega, fez uma visita de cortesia a Alejandro Dominguez, principal dirigente da Conmebol, em outubro do ano passado. Nóbrega não costuma fazer visitas neste sentido. Desde então, existem conversas frequentes entre executivos das duas partes.

Pelo antigo contrato, válido para TV aberta e paga entre 2019 a 2022, a Globo pagava US$ 60 milhões por ano (R$ 328 milhões na cotação atual). Por causa da pandemia de covid-19, a emissora considerou o contrato impagável.

Se quiser entrar na disputa para a Libertadores a partir de 2023, além de melhorar a relação com a Conmebol, a Globo também terá que entrar firme. SBT e Disney querem manter a competição para os próximos anos. Já a WarnerMedia também tem interesse na competição, o que pode elevar ainda mais os valores das negociações.