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Gabriel Vaquer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

SBT ficará sem Champions? Qual impacto Superliga pode ter na TV brasileira

Téo José anunciando os direitos de transmissão da Liga dos Campeões no SBT: Superliga Europeia pode fazer competição europeia ficar desvalorizada na TV - Reprodução/SBT
Téo José anunciando os direitos de transmissão da Liga dos Campeões no SBT: Superliga Europeia pode fazer competição europeia ficar desvalorizada na TV Imagem: Reprodução/SBT
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

Colunista do UOL

19/04/2021 11h35Atualizada em 19/04/2021 15h48

O anúncio da criação de uma Superliga com 12 clubes da Europa pode mudar a estrutura do futebol mundial. A competição, sem rebaixamento e com vagas cativas para Real Madrid, Barcelona, Atlético de Madrid, Milan, Juventus, Inter de Milão, Manchester City, Manchester United, Chelsea, Liverpool, Arsenal e Tottenham, pode ter impactos nos direitos de transmissão da televisão, inclusive aqui no Brasil.

Recentemente, contratos de transmissão para as próximas temporadas (2021/2022 a 2023/2024) da Liga dos Campeões da Uefa foram assinados em grande parte do mundo. No Brasil, SBT (TV aberta) e TNT Sports (TV por assinatura e streaming) compraram a competição. As duas aceitaram pagar o valor alto pedido pela Uefa com a garantia de que jogos com gigantes europeus vão acontecer - e consequentemente, gerar audiência e faturamento.

Esse é o primeiro possível impacto da Superliga na TV brasileira. Se os 12 clubes abandonarem a Liga dos Campeões, ela perde valor de mercado na televisão, e o dinheiro pago anualmente para a UEFA pode ser questionado pelos seus clientes em todo o mundo. Afinal, se a Champions é valiosa do jeito que é, a culpa é dos contratos milionários de TV.

É difícil crer que os clubes vão conseguir viabilizar a realização da Superliga para setembro deste ano devido ao litígio. Imagina-se que, pelo menos por enquanto, eles estão confirmados na Champions League 2021/2022. Mas e em 2022/2023?

O problema é o futuro. As empresas valorizariam a Champions tanto assim sem os gigantes da Europa? No médio e longo prazo, a influência pode ser forte. Se sair do papel, a Superliga prevê receita de televisão na casa dos 4 bilhões de euros ao longo do tempo (R$ 26,9 bilhões na cotação atual) de acordo com estimativas da imprensa europeia.

Esse valor é o mesmo do financiamento que os clubes dizem ter para o início da liga, feito em acordo com o banco JP Morgan. O montante seria distribuído da seguinte forma: 65% para os clubes fundadores, 20% por méritos esportivos na competição e 15% para distribuição comercial.

Os clubes da Superliga receberiam ao menos cerca de 60 milhões de euros pela participação. Segundo fontes de veículos europeus de boa credibilidade, o campeão da Superliga pode ganhar valores que vão de 250 a 400 milhões de euros, mais que o dobro do que ganha atualmente o vencedor da Liga dos Campeões. Segundo vários meios de comunicação italianos e franceses, a plataforma de streaming DAZN e a Disney, nos bastidores, já estariam interessadas nos direitos.

Porém, a mais importante mudança na venda dos direitos de TV que a Superliga pode trazer é o envolvimento direto dos clubes, algo que não acontece com a Liga dos Campeões hoje. A "área vip dos gigantes" contempla a criação de uma empresa fundada na Espanha, a SLCo, com participação em partes iguais dos clubes fundadores e da qual dependeriam duas outras empresas subsidiárias.

Uma, também criada em solo espanhol, a SL SportsCo, se dedicará à gestão da competição. A outra, fundada na Holanda, tem o nome de SL MediaCo e venderá os direitos de televisão. Ou seja, os clubes não teriam intermediários na divisão do dinheiro, o que é o objetivo final.

Procurados pela coluna, SBT e TNT não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL