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Gabriel Vaquer

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Record encara paredão com vilões do BBB em sua volta ao futebol nacional

Gabigol e Gerson comemoram gol do Flamengo: time vai jogar o Carioca, transmitido pela Record - Thiago Ribeiro/AGIF
Gabigol e Gerson comemoram gol do Flamengo: time vai jogar o Carioca, transmitido pela Record Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Gabriel Vaquer

Gabriel Vaquer cobre mídia esportiva desde 2014. No UOL Esporte, conta detalhes do evento onde seu time joga e onde seu profissional de TV esportiva favorito vai trabalhar.

02/03/2021 04h00

A estreia do Campeonato Carioca 2021 nesta terça-feira (2) na Record, com Flamengo x Nova Iguaçu, a partir das 21h30 (horário de Brasília), é o retorno da emissora a um torneio de futebol nacional após 15 anos. E a vida não vai ser fácil. Mesmo com a transmissão de um jogo envolvendo o Flamengo, o time mais popular do país, a emissora paulista tem a forte concorrência de um paredão envolvendo os três principais vilões no momento do "Big Brother Brasil 21" na Globo: Lumena, Projota e Arthur.

A disputa com o "BBB21" é preocupante. No Rio, até aqui, o programa comandado por Tiago Leifert marca médias entre 34 e 36 pontos de audiência. Cada ponto de Ibope equivale a 125,721 mil telespectadores na Cidade Maravilhosa. No mesmo horário, a Record costuma registrar entre 6 a 8 pontos. A ideia é chegar pelo menos na marca dos dois dígitos com o Flamengo nesta estreia.

Para piorar um pouco mais a situação da Record, o elenco do Flamengo que vai para campo será composto praticamente por garotos, o que diminui o apelo. Os titulares da equipe curtem um descanso após se sagrarem campeões brasileiros na última quinta-feira (25).

15 anos longe do futebol nacional

A Record não transmite um evento de futebol com clubes brasileiros desde 2006, quando exibiu o Campeonato Brasileiro em parceria com a Globo. Depois, a emissora teve investimentos pontuais no esporte, como as Olimpíadas de Londres 2012 e Rio 2016, e a Champions League entre 2007 e 2009. O problema é que esses investimentos pararam aí.

No ano passado, a Record rescindiu o contrato que tinha para transmitir os Jogos Pan-Americanos de 2023. Até mesmo o programa esportivo "Esporte Fantástico", exibido aos sábados de manhã, foi suspenso por causa da pandemia e nem sequer tem previsão de retorno.

Não bastasse a tradição esportiva recente fraca e o duelo com o reality show fenômeno de audiência da sua principal rival, a Record precisa superar suas próprias dificuldades. A emissora não tem divulgado com intensidade que vai exibir o campeonato estadual.

Apenas dois comunicados oficiais da área de Comunicação da Record para a imprensa foram feitos em uma semana, o mais recente ontem (2), 24 horas antes da partida, finalmente contendo para quais lugares os jogos seriam transmitidos. O primeiro comunicado tinha somente declarações de executivos da Federação de Futebol do Rio de Janeiro e do presidente da Record no Rio de Janeiro. A filial carioca foi responsável por negociar e comprar o evento.

Apenas uma reportagem sobre a compra do Campeonato Carioca foi exibida em seus jornais de rede —no "Jornal da Record" na última quarta (24). Outros jornalísticos, como "Fala Brasil" e "Domingo Espetacular", nem sequer citaram a situação. A Record divulgou mais nos últimos dias, por exemplo, a nova formação da bancada do telejornal "Fala Brasil", que contará com os ex-globais Mariana Godoy e Sérgio Aguiar.

É esse o grande desafio da emissora: provar que ainda se importa com o esporte e com o futebol. Por enquanto, todas as atitudes tomadas mostram que a direção da emissora não está ligando muito para o Estadual do Rio. Se não der o retorno esperado, já existe uma explicação.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL