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Futebol pelo mundo

REPORTAGEM

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Chegada de Messi escancara guerra fria entre Mbappé e diretoria do PSG

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram
João Henrique Marques

Jornalista desde 2005, passou por Lance ! e Terra. É correspondente do UOL Esporte na Europa desde 2013, com base em Barcelona e depois Paris. Cobriu Copa do Mundo, Eurocopa e cinco finais de Liga dos Campeões.

Colunista do UOL

12/08/2021 04h00

Em meio à entrevista de apresentação de Lionel Messi, o presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi, cutucou Kylian Mbappé: "Ele (Mbappé) disse que queria uma equipe competitiva. Agora, não há nada mais competitivo que o PSG". Desta forma, o mandatário indica aos torcedores do clube que o culpado pela não renovação do contrato é o camisa 7. "Kylian é parisiense, muito competitivo. Ele não tem desculpa para fazer outra coisa", disse Nasser, reforçando a mensagem sobre Mbappé.

As frases deixam implícita uma guerra fria nos bastidores entre o clube e o estafe do jogador. De um lado estão os recados de Al-Khelaifi para o mercado: confiança na permanência e até mesmo na renovação contratual do atacante da seleção francesa.

O problema é que essa convicção desagrada ao atacante, que sonha em atuar pelo Real Madrid e ainda espera ver o clube francês, ao menos, abrir negociação. Mbappé tem contrato com o PSG até junho de 2022 e convive com o receio de assinar uma extensão de longo prazo e ficar preso ao clube.

Desde junho, Mbappé está chateado com Nasser. Foi quando dirigente expôs as exigências de Mbappé para renovar o contrato: "Se ele quer decidir quem recrutamos ou não, isso não é possível", disse o cartola em entrevista ao L'Equipe.

Durante a disputa da Eurocopa pela França, o tema movimentou a seleção francesa. Lá, Mbappé respondeu o publicamente o presidente do PSG: "Se o Nasser fala que eu peço reforços, apenas direi uma coisa a vocês: sou um simples jogador de futebol, tenho que me contentar com o campo. Nunca pedi um único jogador ao presidente ou ao diretor esportivo (Leonardo) do PSG."

O PSG diz ter espaço na folha salarial para dar aumento considerável a Mbappé sem agredir o Fair Play Financeiro da UEFA — mesmo com o contrato longo com Messi e a recente renovação do vínculo de Neymar.

Os planos de Mbappé

A vontade de Kylian Mbappé passar parte da carreira no Real Madrid não é nova. Ele já disse que seu sonho de infância é defender o clube. O temor do atacante é aceitar uma renovação longa e ficar ainda mais longe do Real. O PSG tem fama de segurar seus jogadores. Assina contratos longos, dá altos salários e não inclui cláusulas de transferência.

A ideia de Mbappé é costurar um acordo em que tenha flexibilidade para sair caso propostas que o agradem cheguem.

A proposta na mesa para Mbappé é de renovação até 2025, algo que não agrada ao francês.

Mesmo com esse impasse, a decisão de ficar por mais uma temporada foi tomada sem rebeldia. Em seu entorno, o discurso é de satisfação em ficar no PSG até a Copa do Mundo de 2022. No entanto, para isso seria preciso renovar por somente mais um ano o contrato. Isso está fora de cogitação nos bastidores do clube francês — a Copa do Mundo será realizada em dezembro de 2022 e o acordo atual de Mbappé termina em junho.

O plano original era deixar o PSG de forma pacífica e, por isso, a possibilidade de sair gratuitamente ao fim do vínculo era desconsiderada. A abertura dessa guerra fria e a falta de flexibilidade na negociação com o Real, porém, já começam a mudar os planos.