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Futebol pelo mundo

REPORTAGEM

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Os bastidores de como Neymar foi determinante para Messi a chegar ao PSG

João Henrique Marques

Jornalista desde 2005, passou por Lance ! e Terra. É correspondente do UOL Esporte na Europa desde 2013, com base em Barcelona e depois Paris. Cobriu Copa do Mundo, Eurocopa e cinco finais de Liga dos Campeões.

Colunista do UOL

11/08/2021 15h24

Em sua chegada ao Paris Saint-Germain, Lionel Messi disse que Neymar foi importante para sua chegada ao futebol francês. Mas qual foi o real papel do brasileiro? O UOL buscou informações com pessoas no clube e com acesso aos dois jogadores e conta agora os bastidores.

Tudo começou com um não.

Você se lembra de 2019, quando Neymar quase deixou o PSG justamente para voltar para o Barcelona e se unir com Messi? Pois aquele foi o início do projeto-Messi em Paris. Após as condições financeiras do clube espanhol impedirem a contratação, Neymar passou a se mover do seu lado para que fosse o seu clube que fizesse a movimentação para trazer Messi.

Nos últimos dois anos, o camisa 10 do clube fez campanha pela contratação, com Messi e com seus chefes na França. Por isso, ele sabia que existia o desejo de 1. reatar a parceria do lado de Messi e 2. criar um superataque com Messi, Neymar e Mbappé no Parque dos Príncipes -existia, inclusive, uma sinalização que o clube teria condições financeiras para tanto.

Foi esse ambiente que fez com que, em maio, Neymar renovasse seu contrato com o PSG. Esse acordo foi firmado, inclusive, pelo fato de estar em movimento um "Plano Messi" na diretoria francesa. O cenário, então, era bem diferente do frustrante fracasso de 2019.

O grande obstáculo que restava, porém, era Messi. A concretização do plano só seria possível se existisse um desejo pessoal do argentino. E Neymar, por estar em contato regular com Messi, sabia que, apesar do anúncio de que exerceria a cláusula que permitia sua saída nesse ano, o amigo queria ficar no Camp Nou. Foi por isso que Ney se surpreendeu na quinta-feira passada com a informação de que Messi estava fora do Barça.

O brasileiro, então, foi rápido para começar uma nova etapa do "Plano Messi": na terça-feira passada, organizou um churrasco em sua casa alugada em Ibiza, na Espanha, para o próprio Messi e outros jogadores do PSG — entre eles, os argentinos Di Maria e Leandro Paredes. No encontro, contam que Neymar voltou a insistir para Messi ir ao Paris Saint-Germain.

Quando Messi disse o sim, Neymar logo ofereceu sua camisa 10 no PSG. Essa era uma decisão antiga do brasileiro: deixar o amigo livre para escolher a camisa que queria. Só que o argentino não mostrou interesse, satisfeito com a escolha do número 30, o mesmo de sua primeira camisa pelo Barcelona. Internamente, o clube parisiense sabe que também não terá problema em campo entre eles para a decisão dos cobradores de pênaltis. Um deve conversar com o outro para definir isso de acordo com o momento do jogo.

Tenho certeza que a relação no vestiário será das melhores, vendo os jogadores que tem no time. Isso mostra que temos chance, que o objetivo pode ser alcançado em Paris. Nós jogadores buscamos os objetivos em cada time, e agora somando força, tomara que consigamos. Mas claro que foi bom. Ney, Di María, Paredes, são amigos, jogadores que já conheço. Tive contato, conversamos. Eles fizeram muito para que eu escolhesse esse clube."

Messi, em sua apresentação

O PSG pós-Neymar

Diferentemente do cenário que Neymar encontrou em sua chegada, em 2017, ao PSG, Messi chega com o clube em um novo patamar. O brasileiro foi responsável direto pelo engrandecimento econômico do clube. Em 2020, o PSG alcançou o 2º lugar maior faturamento comercial de um clube de futebol no mundo e teve a 5ª maior receita total do planeta —os números são da consultoria Deloitte, especializada em estudos sobre as finanças dos clubes europeus.

"A contratação do Neymar ajudou notavelmente as vendas de merchandising e a receita em dias de jogos, com grande interesse nas camisas e na oportunidade de ver ao vivo a equipe repleta de estrelas do PSG", destaca o relatório do grupo de trabalho "Deloitte Football Money League".

Já um estudo da empresa de consultoria chinesa Mailman Group, focada no mercado digital que avalia a força das propriedades do futebol online na China, cita Neymar como segundo jogador mais popular no país. Não por acaso, a última pré-temporada do PSG foi por lá. Agora, o clube francês aumenta seu poderio no setor: Messi é o número 1 da lista.

Outro impacto de Neymar foi a mudança de patamar da Ligue 1. Diretor de desenvolvimento internacional da LFP (Ligue de Football Professionnel), que organiza o Campeonato Francês, Yoann Godin disse ao Blog do Diego Garcia, no UOL, que a vinda do brasileiro fez explodir o faturamento da liga em direitos televisivos. "Não há como negar que a chegada de Neymar ao PSG foi uma virada de jogo para a popularidade da Ligue 1 Uber Eats no Brasil e no resto do mundo. Ele é um dos maiores ícones do esporte hoje. Seu primeiro jogo em casa pelo PSG ainda continua sendo uma das maiores audiências internacionais da história, por exemplo", afirmou o diretor.

Com Messi, o PSG ainda busca impulsionar ainda mais seu faturamento atual. Os ganhos obtidos com Neymar são tratados pelo clube como fundamentais para se adequar ao Fair Play Financeiro da UEFA — que obriga os clubes a terem gasto salarial menor que o valor de arrecadação — e, consequentemente, ter capacidade para contratar Lionel Messi.