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Flavio Gomes

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Domínio de Verstappen faz Ferrari colocar as barbas de molho

Max Verstappen e Sergio Pérez comemoram a dobradinha da Red Bull em Ímola - Divulgação/Red Bull
Max Verstappen e Sergio Pérez comemoram a dobradinha da Red Bull em Ímola Imagem: Divulgação/Red Bull
Flavio Gomes

Jornalista, dublê de piloto, escritor e professor de Jornalismo. Por atuar em jornais, revistas, rádio, TV e internet, se encaixa no perfil do que se convencionou chamar de multimídia. "Um multimídia de araque", diz ele. "Porque no fundo eu faço a mesma coisa em todo lugar: falo e escrevo."

Colunista do UOL

25/04/2022 04h00

Esta é parte da versão online da edição deste domingo (24/4) da newsletter de Flavio Gomes. Para assinar o boletim e ter acesso ao conteúdo completo, clique aqui.

Os 34 pontos que Max Verstappen marcou neste fim de semana em Ímola colocariam o holandês, nas estatísticas, à frente de 224 dos 346 pilotos que já pontuaram na história da Fórmula 1. A conta é besta, claro, porque o sistema de pontuação mudou bastante ao longo dos anos e, hoje, a distribuição é farta. São 25 para o vencedor, os dez primeiros recebem seu quinhão, tem ponto extra para a volta mais rápida, e a sprint, a minicorrida do sábado — que vai se repetir na Áustria e no Brasil —, se tornou mais generosa neste ano. O vencedor faz oito pontos, o que equivale a um sexto lugar num GP de verdade. Não é pouca coisa.

Esqueçamos as estatísticas, pois, e vamos nos concentrar no que significou para esta temporada o domínio do holandês no GP da Emilia-Romagna. Max descontou 19 pontos da desvantagem que tinha para Charles Leclerc. O monegasco da Ferrari acumulara 45 de frente para o piloto da Red Bull. Sai da Itália com 27 de diferença. Verstappen abandonou duas corridas neste ano, no Bahrein e na Austrália. Em ambas estava em segundo. Jogou no lixo 36 pontos, 18 de cada. Em Ímola, "anulou" um desses abandonos. A reação foi rápida. Sorte da Red Bull. Helmut Marko, guru da equipe, dissera no início da semana que se Max não começasse a vencer logo viraria uma bomba-relógio. O detonador foi desativado.

Há algo que deve preocupar bastante a Ferrari neste momento. Verstappen venceu as três corridas que terminou neste ano — os GPs da Arábia Saudita e as duas do fim de semana italiano, ainda que a primeira, no sábado, nem entre na conta de vitórias no currículo do piloto. A pergunta é: será que a Ferrari tem mesmo o carro mais rápido da temporada?

Não há resposta para isso ainda, mas uma certeza existe: em campeonatos assim, muito apertados, erros podem ser fatais. E Leclerc errou feio em Ímola, atirando pela janela um pódio garantido, sete pontos a mais na classificação, já que terminou em sexto. Foi uma ducha de energético gelado sobre a torcida ferrarista, que lotou o autódromo na esperança de ver a equipe vencer pela primeira vez na pista desde 2006. Naquele ano, deu Michael Schumacher. Ok, Ímola ficou fora do calendário de 2007 até 2019, voltando ao Mundial apenas em 2020, no meio da pandemia. Mas 16 anos são 16 anos. Tempo à beça.

Max fez mais um Grand Chelem, nome bonito para aquilo que no Brasil a gente chama de barba, cabelo, bigode e costeleta: fez a pole, a melhor volta, ganhou a corrida e liderou de ponta a ponta. No sábado, largou mal e só foi dar o bote em Leclerc na penúltima volta da sprint. Passou como quis. No domingo, não foi ameaçado por ninguém. Nem pela chuva que caiu antes da largada e só serviu para deixar o asfalto molhado nas primeiras voltas. Correu sozinho. Ganhou como quis.

Não dá para dizer que será um padrão no resto da temporada — que é quase a temporada inteira, ainda há 19 corridas pela frente. Mas uma coisa a Ferrari já sabe: se deitar sobre os louros do desempenho que mostrou nas três primeiras etapas do campeonato, dança. Os problemas que motivaram os abandonos de Verstappen eram simples e foram resolvidos. E a equipe tem um gênio nas pranchetas, Adrian Newey, que acelera o processo de desenvolvimento de seu carro — que, como todos os outros, nasceu de uma folha em branco para o regulamento de 2022.

Em outras palavras: a Red Bull melhora mais rápido. A Ferrari possui um carro que nasceu bem, é evidente, mas ainda tem deficiências cujo enfrentamento tende a tomar mais tempo do que na fábrica da rival. A tendência de quicar loucamente nas retas é um deles. O desgaste irregular de pneus, outro.

A favor da equipe de Maranello há que se recordar as palavras do chefe Mattia Binotto depois da dobradinha no Bahrein, na abertura do Mundial. Diante de uma Red Bull duplamente quebrada e de uma Mercedes capenga, o italiano foi taxativo: "Calma, eles vão melhorar".

No caso do time de Verstappen, acertou na mosca. Quanto à Mercedes, bem...

Podemos falar disso no ano que vem?

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