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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Leclerc domina a sexta-feira e, por enquanto, sorri em casa

O ferrarista Charles Leclerc em ação no primeiro dia de treinos livres para o GP de Mônaco - Ferrari
O ferrarista Charles Leclerc em ação no primeiro dia de treinos livres para o GP de Mônaco Imagem: Ferrari
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

27/05/2022 13h21

Por enquanto, tudo está dando certo. A epopeia de Leclerc para finalmente conseguir sorrir numa corrida em Mônaco parece bem encaminhada. Vale frisar o "por enquanto".

O monegasco foi o mais rápido nos dois primeiros treinos livres para a sétima etapa do Mundial, mesmo tendo de abortar algumas tentativas de voltas rápidas.

Demonstrou força, foi absoluto, mostrou estar no controle da situação. Um excelente início. Mas ele sabe que é apenas isso: um início. Até a linha de chegada, no domingo, há um longo, tortuoso e traiçoeiro caminho.

O ferrarista, vice-líder do campeonato, carrega uma marca incômoda: seja na F2, seja na F1, nunca terminou uma corrida nas ruas de sua cidade-natal. Agora, com um carro equilibrado e veloz, talvez tenha a melhor chance da carreira.

Na primeira sessão, ele cravou 1min14s531, vantagem de 0s039 para Pérez, da Red Bull. Depois vieram Sainz e Pérez. Foi um treino intenso, com sucessivas trocas na liderança e apenas uma bandeira vermelha: Schumacher parou atravessado na entrada do pit lane, com uma pena na transmissão.

E as Mercedes? Russell foi apenas o oitavo, Hamilton ficou em décimo. "O carro está quicando loucamente", disse o heptacampeão em determinado momento.

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Sergio Pérez, da Red Bull, no túnel de Mônaco durante a sexta-feira de treinos livres da Fórmula 1
Imagem: Clive Rose/Getty Images/Red Bull

Na segunda sessão, os tempos foram muito mais baixos. Leclerc mais uma vez cravou todo mundo com 1min12s656, 0s044 melhor do que Sainz, seu companheiro na escuderia italiana. Depois vieram as Red Bulls de Pérez e Verstappen. Russell foi o sexto, Hamilton, o 12º.

Ricciardo, que vive um campeonato complicado, teve um dia para esquecer. Bateu na Louis Chiron, pouco antes da Piscina, na sua segunda tentativa de volta rápida.

Mas, pior do que a batida, foi ouvir a pergunta do engenheiro pelo rádio. "O carro está ok?". Ele respondeu: "Eu estou ok". Faltou algum tato, digamos...

Dois pontos chamam a atenção, além da força da Ferrari.

O primeiro: Pérez ficou a 0s379 de Leclerc na segunda sessão. É muita coisa.

O segundo: a Mercedes, que vinha em franca evolução e saiu tão feliz de Barcelona, aparentemente deu um passo atrás e voltou a sofrer com o "porpoising" em Mônaco. A ver.

Tudo parece trabalhar a favor do piloto da casa, inclusive a meteorologia: as chances de chuva na corrida caíram de 77% para 55%.

Por enquanto, Leclerc está sorrindo.