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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bico modular da Ferrari é primeira grande novidade da F1 no ano

Charles Leclerc e Carlos Sainz, os pilotos da Ferrari, na apresentação do modelo F1-75 - Reprodução/YouTube
Charles Leclerc e Carlos Sainz, os pilotos da Ferrari, na apresentação do modelo F1-75 Imagem: Reprodução/YouTube
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

17/02/2022 18h35

A F1-75 viu a luz do dia nesta quinta-feira. E a F1 foi presenteada, enfim, com uma novidade técnica, com uma solução inédita em sua história. Aleluia!

A nova Ferrari tem um bico modular, o que vai proporcionar à equipe ganho de agilidade sempre que quiser promover alguma alteração na aerodinâmica da frente do carro. Diante de um Regulamento Técnico com tantas mudanças, pode ser um trunfo importante.

Não entendeu? Veja a foto abaixo, do evento desta quinta-feira em Maranello.

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A Ferrari F1-75, carro de Charles Leclerc e Carlos Sainz para a temporada 2022 da F1
Imagem: Divulgação/Ferrari

Está vendo o patrocínio do Santander na lateral do bico? Pois bem, ali mais ou menos no "t" existe um corte. Esta extremidade do bico solta, e a equipe pode colocar outra, com uma nova configuração aerodinâmica. Continua existindo, claro, o outro encaixe, pouco antes da suspensão dianteira.

Em resumo: o bico do carro, que é uma peça única nas outras equipes, foi dividido em duas partes pelos engenheiros da escuderia italiana.

Qual é a vantagem?

Do "t" para trás, o bico está aprovado no crash test da FIA. Se a Ferrari inventar um bico completamente diferente para o GP do Bahrein, por exemplo, é só mandar produzir e encaixar no carro. Todas as outras equipes terão que mandar um modelo da peça para o laboratório da FIA testar, o que leva tempo, correndo o risco de uma reprovação, algo que não é raro.

A engenhosidade dos ferraristas é a cereja do bolo de um dos modelos mais belos já lançados nesta pré-temporada.

A apresentação foi transmitida pelas redes sociais e durou 12 minutos.

A Ferrari foi direto ao ponto. Em discurso rápido, Binotto disse que estava emocionado e que o novo carro é a síntese do trabalho de um grupo dedicado. Lembrou que a sigla 75 é uma referência aos 75 anos do primeiro carro produzido pela marca. "Com ele, esperamos honrar a história dessa escuderia", afirmou.

Sainz e Leclerc então apareceram. "O ano passado foi de aprendizado, de adaptação. Agora estou mais do que pronto para levar o time a outro nível", disse Sainz. "Esta será uma temporada muito importante para a equipe, para os pilotos. As expectativas são muito altas", completou o monegasco.

Surgiu, então, a F1-75. Um carro lindo: a asa dianteira preta como Ferraris dos anos 80 e 90, guelras nas laterais (como a Aston Martin) e pequenas coberturas nas rodas, como todas as outras equipes.

Em 2021, a Ferrari foi a terceira colocada no Mundial de Construtores. Mas a distância para a Red Bull foi enorme, vice-campeã: 262 pontos.

Neste nível, o jogo é outro. Ganhar uma posição no campeonato significa alterar a relação de forças, implica alguma revolução no esporte.

É impossível? Não. E este novo bico permite uma esperança.

Será que tem mais novidade por baixo da carenagem?