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Fábio Seixas

REPORTAGEM

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2022 começa com obsessão da F1 por recorde de 23 GPs

Max Verstappen durante sessão de treinos em Jeddah, circuito que estreou na F1 em 2021 - Mark Thompson/Getty Images/Red Bull
Max Verstappen durante sessão de treinos em Jeddah, circuito que estreou na F1 em 2021 Imagem: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

31/12/2021 13h13

A folhinha neste sábado vai indicar 2022, ano de uma revolução técnica na F1, com carros carregando rodas maiores e mudanças aerodinâmicas com o intuito de facilitar ultrapassagens.

Será também um ano estranho para Hamilton: desde 2017 ele não começa um campeonato sem o status de campeão. E será um ano com recordes curiosos a serem batidos.

O primeiro deles é uma obsessão da FIA e da Liberty: realizar enfim um Mundial com 23 GPs, o maior da história. O grande desafio será driblar a pandemia de Covid-19, que frustrou os planos dos dirigentes nas últimas temporadas.

O Mundial de 2020 foi anunciado com 22 corridas, o que já seria um recorde, mas só 17 de fato aconteceram _com direito a dobradinhas na Áustria, na Inglaterra e no Bahrein. O calendário de 2021 tinha, originalmente, 23 etapas. Após várias mudanças, cancelamentos e substituições, 22 provas foram realizadas. Cinco provas que estavam na primeira versão do calendário não ocorreram: Austrália, China, Singapura, Canadá e Japão.

Mas os cartolas não se intimidaram e planejaram novamente 23 GPs para o ano que começa. Em tese, a 73ª temporada da história da F1 começa no Bahrein, em 20 de março, e termina exatos 8 meses depois, em 20 de novembro, em Abu Dhabi. Frise-se o "em tese".

Outro recorde histórico que pode ser alcançado em 2022 também foi, de certa forma, adiado. Hamilton sentiu-o escorrendo pelos dedos na última volta de Abu Dhabi: o octacampeonato.

O inglês tem mais dois anos de contrato com a Mercedes, e já escrevi aqui que não acredito nos rumores sobre a antecipação de aposentadoria. Assim, ele terá duas oportunidades para superar a marca de Schumacher e se tornar o maior campeão de todos os tempos.

Como já se tornou hábito, há outro recorde de Schumacher na mira de Hamilton: o de hat tricks, ou seja, fins de semana perfeitos: pole, melhor volta e vitória. O alemão somou 22 ao longo da carreira. O inglês acumula 19. Neste ano, conseguiu apenas um, na Arábia Saudita. Mas, em 2020, por exemplo, foram três _Hungria, Toscana e Portugal.

Há um recorde mais fácil, que Hamilton e a Mercedes conseguirão apenas largando na segunda etapa do Mundial: o de parceria equipe-piloto mais longeva da história. Schumacher disputou 179 GPs pela Ferrari. Em condições normais, o inglês vai superar o alemão em Jeddah, na Arábia Saudita _sim, em 2022 esta prova vai acontecer já em março.

E se Verstappen conquistar o bi? Virará o mais jovem bicampeão da história. A resposta é não. Taí um recorde que deve durar muito tempo: pilotando para a mesma Red Bull, Vettel foi bi aos 24 anos, 3 meses e 6 dias. O holandês, que largou para seu primeiro GP aos 17 anos, 5 meses e 15 dias, algo inédito, completará 25 anos em setembro.

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Michael Schumacher cruza a linha de chegada no GP do Japão de 2004, sua 13ª vitória naquele ano
Imagem: Ferrari

Outra marca que surge como um desafio para Verstappen e Hamilton é a de vitórias numa mesma temporada. Neste ano, o placar ficou em 10 a 8 para o campeão. O recorde hoje é compartilhado por dois alemão: 13 vitórias de Schumacher e Vettel, respectivamente em 2004 e 2013.

Pode parecer não tão distante, mas há um dado importante a ser considerado: o número de GPs.

Dezessete anos atrás, o Mundial tinha "apenas" 18 etapas. Ou seja, o heptacampeão venceu 72% dos GPs. Vettel venceu 13 de 19, ou 68%. Na última temporada, as 10 vitórias do holandês significaram 45% do campeonato. Longe.

Por fim, há um novo recorde que, a meu ver, jamais será superado. Em 2021, Verstappen e Hamilton chegaram à última etapa do ano empatados até no meio ponto: 369,5 para cada, oferecimento do não-existente GP de Bélgica.

Acho que nossos netos ainda falarão sobre este campeonato tão disputado.

Feliz 2022! Que todos batam seus recordes pessoais!