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Fábio Seixas

REPORTAGEM

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Para afugentar Mercedes, Red Bull quer renovar com Verstappen até 2026

Max Verstappen com Christian Horner, chefe da Red Bull, na cerimônia de premiação da FIA, há duas semanas  - FIA
Max Verstappen com Christian Horner, chefe da Red Bull, na cerimônia de premiação da FIA, há duas semanas Imagem: FIA
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

29/12/2021 09h12

O ano do melhor campeonato de F1 dos últimos tempos não terminou, ainda faltam 56 dias para a primeira sessão de testes pré-temporada, mas já é possível adivinhar um tema que percorrerá o próximo Mundial: a renovação de contrato de Verstappen com a Red Bull.

O atual acordo do holandês com a equipe foi assinado em janeiro de 2020 e vai até o fim de 2023. É exatamente quando termina o vínculo de Hamilton com a Mercedes, o que deve marcar a aposentadoria do inglês da categoria.

É este o tamanho do fantasma que assola a Red Bull, um temor que vira-e-mexe vem à tona: seu menino de ouro transferindo-se para a maior rival. Por isso a equipe já colocou uma proposta na mesa de seu empresário: aumento salarial e renovação até 2026.

À primeira vista, a missão não parece complicada. Mais de uma vez o piloto fez juras de amor ao time, as mais enfáticas após ser campeão em Abu Dhabi.

"Eles sabem que eu os amo e que espero continuar fazendo isso por mais 10 ou 15 anos", disse Verstappen. "Não há nenhum motivo para mudar, nunca. Quero ficar com eles pelo resto da minha vida. Espero que me deixem ficar."

O carinho é recíproco. "Amo este garoto. É muito fácil trabalhar com ele. Ele não reclama: simplesmente chega e faz o trabalho. É agressivo, justo, talentoso... E ainda está numa curva de aprendizado", resumiu Newey, diretor técnico da equipe, uma lenda do paddock.

Mas uma análise mais aprofundada mostra que a relação entre as partes, longe dos holofotes, é extremamente profissional, fria até.

Em fevereiro deste ano, Horner revelou que o holandês exigiu uma cláusula de desempenho no seu atual contrato.

abu2016 - Clive Mason/Getty Images/Red Bull  - Clive Mason/Getty Images/Red Bull
Hamilton e Verstappen no desfile antes do GP de Abu Dhabi de 2016, primeiro ano do holandês na Red Bull
Imagem: Clive Mason/Getty Images/Red Bull

"Os pilotos buscam salvaguardas, isso é normal, sempre aconteceu. Há um elemento de performance no contrato do Max. Não tem nada a ver com motor. É basicamente uma questão binária referente a um período de tempo", disse o chefe da Red Bull na ocasião.

Em outras palavras: se ficasse aquém de uma determinada meta na temporada, Verstappen estaria livre para negociar com outra equipe.

Foi exatamente o que aconteceu com Vettel em 2014. Depois de conquistar quatro Mundiais pela Red Bull, o alemão ficou profundamente insatisfeito com o quinto lugar no campeonato daquele ano. O amor acabou. Ele fez uso da cláusula de performance e assinou com a Ferrari.

Há um risco no ar. O Mundial de 2022 marcará uma revolução técnica na F1, com muitas modificações nos carros, o que pode mexer com a relação de força da categoria. A Red Bull hoje é uma gigante em termos técnicos e orçamentários, mas pode acontecer de perder desempenho.

Já vimos este filme muitas e muitas vezes. E se?

Por isso, a equipe austríaca já abriu negociações com Raymond Vermeulen, o empresário de Verstappen, para prorrogar o vínculo até 2026. Atualmente, o salário do holandês é de 16 milhões de euros anuais, cerca de R$ 102 milhões. O título recém-conquistado certamente vai jogar este valor para cima.

Se a renovação até 2026 acontecer, Verstappen e a Red Bull se tornarão a parceria mais duradoura da história da F1: atingirão cerca de 230 GPs juntos.

Hoje, a conta está em 118. O recorde é de Schumacher na Ferrari, 179, mas que será derrubado pelo duo Hamilton-Mercedes já no segundo GP de 2022.