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Fábio Seixas

REPORTAGEM

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"Passou do limite, meio Dick Vigarista", diz Barrichello sobre Verstappen

Rubens Barrichello durante live no Instagram em que comentou o GP da Arábia Saudita - Instagram
Rubens Barrichello durante live no Instagram em que comentou o GP da Arábia Saudita Imagem: Instagram
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

07/12/2021 08h30

O GP da Arábia Saudita, a tensão pela disputa do título da F-1 e as polêmicas atitudes de Max Verstappen em Jeddah movimentam as redes sociais não apenas entre admiradores fervorosos de um ou outro duelista pelo Mundial. Muitos ex-pilotos e pilotos vêm usando as redes para opinar.

E, pelo que vi por aí, a maioria condena o piloto holandês. Alerta antipatrulha: isso não é um estudo científico, trata-se apenas do fruto da observação de um blogueiro vasculhando perfis no Twitter e no Instagram.

A começar pelo terceiro piloto com mais GPs na história da F-1, Rubens Barrichello. "Eu acho que ele passou do limite sim, tá? Como sendo meio Dick Vigarista... Ele age com o Hamilton de uma forma e com os outros de outra forma", disse o veterano, atual quarto colocado da Stock Car, em uma live no Instagram, na segunda-feira.

Para Tony Kanaan, que neste ano correu na Indy e na Stock, Verstappen freou bruscamente na 37ª volta do GP para provocar um acidente com Hamilton.

"Palavras do dia: brake test", escreveu, em inglês.

Na sequência, postou uma foto de Senna e Prost no GP do Suzuka de 1990, com o texto "entendedores entenderão". Na ocasião, o brasileiro provocou um acidente com o francês e, com os abandonos, sagrou-se bicampeão da F-1. No ano anterior, acontecera o oposto.

Caso Verstappen e Hamilton abandonem o GP de Abu Dhabi, no domingo, o título ficará com o holandês. Entendedores entenderão.

Esse post de Kanaan foi retuitado por João Paulo de Oliveira, radicado há anos no Japão e campeão de várias categorias por lá. No Twitter, ele criticou Verstappen e a FIA.

"Isso está virando uma piada! A FIA permitiu esse tipo de defesa de posição saindo da pista e agora a situação vai fugir do controle se não houver uma penalização. Se não houver, vai jogar o espírito esportivo pela janela", escreveu. É uma referência à absolvição de Verstappen após o duelo contra Hamilton no GP de São Paulo, em Interlagos.

Na abertura da 37ª volta em Jeddah, Hamilton mergulhou para passar o rival na primeira curva, mas Verstappen endureceu: ambos se tocaram, o holandês foi pra fora da pista, e o inglês teve de recolher. Ainda na prova, Verstappen foi punido em 5 segundos.

Até um holandês engrossou o coro das críticas. Giedo van der Garde, ex-Caterham, considerou que a FIA agiu corretamente ao punir Verstappen após o compatriota passar Hamilton por fora da pista na segunda largada do GP: "Foi boa a decisão da FIA de colocar Max para trás. Sei que muitos torcedores holandeses vão discordar, mas se fosse o contrário todos aprovariam".

Alexander Wurz, 69 GPs por Benetton, McLaren e Williams e hoje presidente da GPDA, a associação dos pilotos da F-1, foi por outra linha: criticou a regra do DRS.

"Minha sugestão de mudança na regra: se um piloto escolhe devolver posição antes da linha do DRS, ele não deveria ser autorizado a usar o DRS na sequência", tuitou o austríaco. "Falo como esportista: devolver posição tem que ser visto como punição, não como oportunidade".

Lucas di Grassi, que correu pela Virgin e hoje disputa a Fórmula E, também defendeu mudanças nas regras. "Acho que farão um ajuste no regulamento após esta corrida. Mas provavelmente vão complicar ainda mais em vez de atacar a raiz do problema", escreveu.

Ele sugeriu uma solução eletrônica para coibir pilotos de ganhar posições pela área de escape: um software que reduza a potência quando um carro colocar as quatro rodas para fora da pista. "Não seria uma decisão humana e teria o mesmo efeito da brita", completou.

Rival de Di Grassi na Fórmula E, Jean-Eric Vergne, ex-Toro Rosso, classificou a corrida de "maluca". Seu compatriota, Romain Grosjean, ex-Renault, Lotus e Haas, hoje na Indy, escreveu que "não é isso que queremos ver", logo após o choque entre Hamilton e Verstappen.

Juro que procurei pilotos que defendessem Verstappen. Só encontrei dois elogios, ambos referentes à bela manobra do holandês sobre Hamilton na terceira relargada.

O primeiro, de Marcus Ericsson, ex-Caterham e Sauber e atualmente na Indy. "Que manobra do Max na curva 1! Será que foi a manobra do título?". Christian Fittipaldi, 40 GPs na F-1 e com longa carreira na Indy e em carros de turismo, também se empolgou: "Verstappen acaba de ser campeão do mundo, ponto!"

E foi só. O que deve dizer alguma coisa sobre como os colegas vêem as atitudes de Verstappen ao longo do ano.