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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Na estreia, circuito de Jeddah mostra que não pode ser subestimado

Charles Leclerc deixa sua Ferrari após acidente no final do primeiro dia de treinos em Jeddah - Reprodução
Charles Leclerc deixa sua Ferrari após acidente no final do primeiro dia de treinos em Jeddah Imagem: Reprodução
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

03/12/2021 15h22

Faltavam menos de 5 minutos para o fim do primeiro dia de treinos da F-1 no novo circuito de Jeddah. Tudo corria bem, o receio por acidentes parecia aplacado, muita gente já respirava aliviada. Foi quando surgiu uma bandeira vermelha, encerrando prematuramente as atividades.

Instantes depois veio a imagem de uma Ferrari arrebentada na curva 23. Era Leclerc, que perdeu a traseira numa tentativa de volta rápida, virou passageiro, destruiu o carro.

No seu primeiro dia, Jeddah ensinou uma dura lição aos pilotos: é um circuito que não pode ser subestimado. É preciso estar concentrado o tempo todo.

Qualquer deslize é muro na certa, não há outra opção por lá.

Isso não é necessariamente ruim. É uma provocação interessante, diferente: um circuito de rua de alta velocidade. Um Mundial que se preze precisa dessa diversidade de desafios.

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Lewis Hamilton, o mais rápido da sexta-feira, durante o segundo treino livre em Jeddah
Imagem: Fórmula 1

Até então, o clima na pista saudita era de elogios. Como o de Bottas, que ainda no primeiro treino livre entrou pelo rádio, soltou um palavrão e disse que o traçado é muito legal.

Em situação de treinos é mesmo. Jeddah é muito veloz, há algumas curvas cegas, tem muro pra todo lado. O asfalto está muito bom, a iluminação é impecável, o desafio de encarar aquelas curvas com o pé embaixo por 80% da volta é o tipo de loucura que fascina os pilotos.

O que me preocupa é a corrida. Há alguns trechos mais estreitos e que podem gerar confusão quando os pilotos estiverem lado a lado. Teremos de esperar até domingo...

No cronômetro, como esperado, a Mercedes parece muito forte.

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Max Verstappen, líder do campeonato, no primeiro dia de treinos da F-1 em Jeddah
Imagem: Mark Thompson/Getty Images/Red Bull

Na primeira sessão, Hamilton cravou 1min29s786, vantagem de 0s056 para Verstappen. Bottas foi o terceiro, seguido por Gasly e Giovinazzi (!!??). Início de trabalho, todos ainda conhecendo a pista, não dá para levar o resultado muito a sério.

O segundo treino, já na noite árabe, foi mais convincente.

Hamilton novamente foi o melhor, mas com os tempos já bem mais baixos. O inglês, que cumpriu a promessa e está usando seu capacete em defesa dos LGBTQIA+, fez 1min29018. Bottas desta vez foi o segundo colocado, a 0s061.

Gasly, que vem andando muito bem neste final de temporada, ficou em terceiro, a 0s081. Verstappen fechou a sexta-feira apenas em quarto lugar, a 0s195 do rival pelo título. Pérez, cada vez mais descolado do companheiro, foi apenas o nono colocado.

Circuitos velozes como Jeddah são um paraíso para a Mercedes. E pelo resto do fim de semana, Hamilton ainda poderá usar o motor a combustão que estreou em Interlagos e que ele deixou guardadinho no Qatar. Começa o fim de semana como favorito.

Mas qualquer prognóstico e esperança é prematuro. Em Jeddah, qualquer sonho pode acabar no muro. A lição de Leclerc não pode ser esquecida.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL