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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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Red Bull celebra a vitória de Max Verstappen no GP dos EUA, em Austin - Red Bull
Red Bull celebra a vitória de Max Verstappen no GP dos EUA, em Austin Imagem: Red Bull
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

25/10/2021 09h45

Havia apenas uma saída para Hamilton vencer o GP dos EUA, na visão da Mercedes. Entrar antes de Verstappen para o primeiro pit. Chamar o inglês lá pela oitava volta, duas antes do que fez o holandês. Ousado? Diferente? Estranho? Muito. Por isso a Mercedes nem cogitou a ideia. Enquanto isso, a Red Bull agiu. Verstappen foi para os boxes, colocou pneus duros e mudou a história da corrida;

A ficha da Mercedes só caiu quando já era tarde demais. O grande problema foi o desempenho de Hamilton com pneus médios naquelas primeiras voltas, insuficiente para que ele abrisse vantagem sobre o rival. Isso, aliás, explica outro ponto crucial da prova. O inglês tinha à disposição um jogo novo de pneus médios para o fim do GP, mas optou pelos duros. Preferiu não arriscar, foi na bola de segurança;

Esses dois pontos resumem o GP dos EUA e explicam a vitória de Verstappen. A Red Bull foi ousada, corajosa, criativa. A Mercedes começou a corrida com um plano e morreu abraçada com ele. Restam cinco etapas para o fim do campeonato. Não é apenas sobre piloto, não é apenas sobre motor e aerodinâmica. É, também, sobre inventividade. Em Austin, a equipe alemã foi quadrada demais e se deu mal;

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Verstappen e Hamilton disputam a ponta na primeira volta do GP dos EUA
Imagem: REUTERS

Hamilton foi diplomático, evitou criticar a estratégia da sua equipe. Disse que a Red Bull estava mais rápida com todos os tipos de pneus e que se reuniria com os engenheiros depois da prova para entender o que aconteceu. Um tom resignado, que permeou também suas previsões para as próximas corridas. "As próximas duas pistas são favoráveis para a Red Bull, então vai ser duro para a gente";

São 12 pontos de diferença, cinco corridas faltando, 8 vitórias a 5 no campeonato. A matemática começa a ficar bonita para Verstappen, mas tudo ainda é possível para Hamilton. Uma coisa é certa: nenhum dos dois rivais pode pensar em abandonar um GP. Confiabilidade do equipamento e pilotagem na ponta dos dedos serão fundamentais nesta reta final;

O inglês pode se inspirar numa dura lição do passado, mais especificamente de cinco anos atrás. Em 2016, ele conseguiu 10 vitórias, mas viu o Mundial ir para as mãos de Rosberg, com uma vitória a menos. É um recorde incômodo: maior número de vitórias numa temporada sem conquistar o Mundial. Acho que Hamilton adoraria transferi-lo para o holandês;

Não, Schumacher não atrapalhou Verstappen naquela penúltima volta. Na verdade, acabou ajudando o holandês, que pôde abrir a asa traseira e, assim, ganhar algum alívio na batalha contra Hamilton. "A corrida inteira foi de uma pressão enorme, porque eu não sabia o quão rápido Lewis estava. Faltando duas voltas, surgiu uma Haas na minha frente. Com pneus usados, não é fácil seguir ninguém. Por sorte ele continuou ali e eu pude usar o DRS. Então, mesmo que eu tenha perdido algum tempo na penúltima volta, logo recuperei com o DRS", explicou o líder do campeonato;

Alonso estava pistola com os comissários após o GP. Não entendeu o motivo de Raikkonen não ter sido punido após extrapolar os limites da pista no duelo entre os dois, na 16ª volta. "Em situações idênticas, eu devolvi posição, Sainz devolveu posição, Giovinazzi devolveu posição. Foi estranho, não houve o mesmo critério", comparou;

Alonso tem razão, o critério precisa ser o mesmo para todos, mas ficou claro que os comissários de Austin deixaram a coisa rolar mais solta do que o normal. Foram menos rigorosos (ou chatos). É difícil encontrar o tom num Regulamento Esportivo tão sujeito a interpretações, mas prefiro assim do que o nhenhenhém de punir pilotos o tempo todo por qualquer disputa mais dura;

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Show de Billy Joel após o GP dos EUA
Imagem: Divulgação/COTA

Se você acha que a segunda-feira será difícil, pense no que foi o domingo de Pérez. O mexicano passou o fim de semana com uma diarreia. Já no grid, percebeu que o sistema de hidratação, para beber isotônico durante a corrida, estava quebrado. A Red Bull correu, mas não conseguiu consertar. "Sofri muito a partir da 20ª volta. Nunca mais quero passar por isso";

Foi em Austin, mas em certos momentos parecia Monza, Spa ou Silverstone: torcedores amontoados nos gramados e nas arquibancadas, vibrando a cada manobra, curtindo um fim de semana de automobilismo como se deve. Em três dias de evento, 400 mil pessoas passaram pelo Circuito das Américas. Depois da prova, um show de Billy Joel segurou muita gente no autódromo até a noite. Conquistar os EUA é uma antiga obsessão da F-1. Ecclestone tentou muito, nunca conseguiu. A Liberty está no caminho certo, e a Netflix tem muito a ver com isso. É histórico.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL