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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

A missão inglória de Sainz na Ferrari

O espanhol Carlos Sainz, que faz neste ano sua primeira temporada com a Ferrari - Ferrari
O espanhol Carlos Sainz, que faz neste ano sua primeira temporada com a Ferrari Imagem: Ferrari
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

18/10/2021 16h12

Imagine que você esteja numa empresa, dedicando-se ao máximo, mas com a forte sensação de que perderá a vaga no fim do ano que vem, independentemente do que faça.

É o que Carlos Sainz deve estar vivendo na Ferrari. Principalmente após a entrevista do diretor esportivo da equipe ao jornal "Marca", da Espanha.

O francês Laurent Mekies derreteu-se em elogios a Mick Schumacher, membro da Academia Ferrari desde 2019 e "emprestado" à Haas nesta e na próxima temporadas.

A impressão é que, a não ser que faça uma besteira estratosférica, o filho do heptacampeão já tem vaga na escuderia italiana em 2023.

"Na sua temporada de estreia, Mick está confirmando a velocidade e os valores que o fizeram se destacar nas categorias de base: determinação, dedicação e vontade de aprender", disse Mekies. "Ele já havia mostrado essas características na Academia e agora começa a demonstrá-las na Haas."

A conclusão da declaração provavelmente fez Sainz pensar: "Estamos muito confiantes de que ele continuará evoluindo e que será ainda mais forte numa equipe que compartilhe das suas ambições".

O contrato do espanhol termina no fim de 2022. E, hoje, não parece plausível imaginar a saída de Leclerc, garoto prodígio da Ferrari, outro membro da Academia e que cumpriu trajetória semelhante à que Mick percorre agora _no caso, foi emprestado à Sauber no ano seguinte ao título na F-2.

sainzmonc - Reprodução - Reprodução
Sainz, Verstappen e Norris no pódio do GP de Mônaco, quinta etapa do Mundial de F-1
Imagem: Reprodução

A ironia da situação é que atualmente Sainz está à frente de Leclerc no campeonato. O espanhol é o sexto, uma posição acima do monegasco. A diferença é mínima, meio ponto, mas existe. Provavelmente não era o que a Ferrari esperava.

A concorrência interna inclusive pode ser uma das explicações para a evolução do time nesta temporada. Após 16 etapas, a Ferrari tem 232,5 pontos. No ano passado, à mesma altura, somava 131.

Na Haas, Mick vive uma temporada difícil, mas vem superando constantemente o único adversário com quem pode ser comparado: Nikita Mazepin, seu companheiro de time.

Por duas vezes, avançou para o Q2: na França e na Turquia. Em corridas, seu melhor resultado foi o 12º lugar no GP da Hungria.

Já Mazepin, que levou um caminhão de dinheiro em patrocínios para a equipe, nunca passou pelo Q1 em classificações. Seu melhor GP foi no Azerbaijão: terminou em 14º.

O roteiro está traçado. O empresário de Sainz que trabalhe...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL