PUBLICIDADE
Topo

Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Fosso entre Verstappen e Pérez explica 2º lugar da Red Bull

O mexicano Sergio Pérez, da Red Bull, quinto colocado no Mundial de Pilotos até agora - Mark Thompson/Getty Images
O mexicano Sergio Pérez, da Red Bull, quinto colocado no Mundial de Pilotos até agora Imagem: Mark Thompson/Getty Images
Conteúdo exclusivo para assinantes
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

12/10/2021 16h59

A Red Bull colocou dois pilotos no pódio da Turquia, viu Verstappen recuperar a ponta do Mundial, mas deixou Istambul com um nó no peito. O motivo, a vantagem de 36 pontos que a rival Mercedes abriu entre os Construtores.

A explicação é clara, é matemática e remonta a uma decisão do time em dezembro do ano passado: a contratação de Pérez. Em seu primeiro ano na equipe, o segundo piloto da Red Bull não vem sendo páreo para Bottas, que ocupa a mesma posição na Mercedes.

Em quinto lugar no campeonato, atrás de Norris, da McLaren, Pérez marcou 135 pontos até agora na temporada. Isso equivale a 34% dos 397,5 pontos da sua equipe. Bottas tem eficiência maior: seus 177 pontos são 40% dos 433,5 conquistados pelo time alemão.

Mas o principal motivo da diferença no campeonato é a comparação direta entre os pilotos de cada marca.

Após 16 etapas disputadas, há um fosso entre Verstappen e Pérez.

A pontuação do mexicano equivale a apenas 51% do obtido pelo holandês. Na Mercedes, Bottas está muito mais próximo de Hamilton: 70% dos pontos.

E antes que alguém tente argumentar que os números eram outros antes da vitória do finlandês na Turquia, já aviso: a situação era bem parecida.

Pérez tinha menos da metade dos pontos de Verstappen (49%), enquanto a pontuação de Bottas equivalia a 61% da obtida pelo companheiro.

Não questiono a contratação do mexicano, anunciada em dezembro de 2020. É preciso resgatar o contexto do final da última temporada.

A Red Bull estava insatisfeita com Albon, muito apagado, e buscava um substituto. Já com aviso prévio da Racing Point, Pérez fez uma corrida épica em Sakhir e venceu a penúltima etapa do Mundial. Juntou a fome com a vontade de comer. A escolha parecia óbvia.

O que é difícil de entender foi a pressa em renovar o contrato do mexicano. A confirmação veio em agosto, ainda na primeira metade do campeonato.

perezspa - Reprodução/Twitter/Fórmula 1 - Reprodução/Twitter/Fórmula 1
Pérez após bater na volta de apresentação em Spa
Imagem: Reprodução/Twitter/Fórmula 1

A única explicação plausível que enxergo foi tentar uma injeção de ânimo.

Não deu muito certo. Nas cinco provas desde então, Pérez marcou apenas 31 pontos. Nas mesmíssimas etapas, Bottas fez 69.

A renovação parece ainda mais absurda quando lembramos que a Red Bull tem um piloto pronto em casa, Gasly, um dos destaques da temporada.

Além de trabalhar melhor, Pérez precisa torcer muito para Verstappen ser campeão neste ano. Se der Hamilton, não me surpreenderei se a Red Bull lançar mão de um velho aforisma da F-1: contratos existem para serem rasgados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL