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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

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O polêmico pit stop de Lewis Hamilton no GP da Turquia, a oito voltas do fim da corrida  - Fórmula 1
O polêmico pit stop de Lewis Hamilton no GP da Turquia, a oito voltas do fim da corrida Imagem: Fórmula 1
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

11/10/2021 12h20

Começo com uma história que os seguidores mais antigos já ouviram várias vezes. Um dos meus grandes arrependimentos na carreira foi não ter fotografado os pneus do Timo Glock ao fim do GP Brasil de 2008. Eu estive ao lado do carro, vi como estavam carecas, sem a menor chance de segurar Hamilton naquela última volta. Uma foto teria encerrado a polêmica que dura até hoje. Mas eram outros tempos. As câmeras em celulares não eram tão desenvolvidas e nós não éramos tão viciados em fotografar tudo e todos;

Karun Chandhok, hoje comentarista da Sky, foi mais safo e fez o serviço depois do GP da Turquia. Fotografou os pneus que Hamilton trocou na 50ª volta e postou nas redes. Pronto, fim da discussão. O inglês não tinha a menor condição de continuar na corrida em ritmo forte. No mínimo, seria superado por Sergio Pérez e por Charles Leclerc, terminando em quinto do mesmo jeito. No máximo, despencaria ainda mais posições;

Lewis Hamilton errou. Deveria ter entrado nos boxes quando a Mercedes o chamou pela primeira vez, faltando 16 voltas para a bandeirada. Nesta segunda-feira, pelas redes sociais, o inglês negou estar "furioso" com o time e assumiu a responsabilidade pela decisão. "Eu quis arriscar e ir até o final. Foi uma decisão minha, que não funcionou. No fim, o pit stop foi a coisa mais segura a fazer. Vivendo e aprendendo", escreveu;

Esteban Ocon foi a exceção que confirmou a regra: conseguiu ir até o final com os mesmos pneus da largada. Mas a imagem abaixo deixa claro que ele assumiu um risco enorme. Os pneus dianteiros estavam no limite da explosão. É importante não confundir heroísmo com imprudência;

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Pneu dianteiro direito de Esteban Ocon extremamente desgastado ao fim do GP da Turquia
Imagem: Fórmula 1

Há quanto tempo um piloto não terminava um GP sem fazer pit stop? O amigo Rodrigo Mattar buscou essa informação: 24 anos. Antes de Ocon, o último havia sido Mika Salo, com a Tyrrell, no GP de Mônaco de 1997;

Escrevi um post semana passada sobre a metamorfose de Fernando Alonso, de sujeito intragável em um cara gente boa. Pois, assim que a corrida terminou, ele deu mais duas demonstrações dessa nova fase. Primeiro, ao dizer que Pierre Gasly não deveria ter sido punido. O francês, afinal, foi ensanduichado. Depois, ao procurar Mick Schumacher e pedir desculpas. "Tocamos, ele rodou e eu fui punido. Lamento pela batida", disse o espanhol;

Eminência parda da Red Bull, Helmut Marko falou sobre as seis corridas que restam no campeonato. Para ele, sua equipe terá vantagem no México e no Brasil. Nas outras quatro etapas _EUA, Qatar, Arábia Saudita e Abu Dhabi_, o favoritismo seria da Mercedes. O motivo: as altitudes da Cidade do México e de São Paulo, que favoreceriam os motores da Honda;

Desconfiar é preciso, Marko pode estar carregando nas tintas do pessimismo, mas tocou num ponto fundamental para a disputa do campeonato: a Red Bull talvez já não tenha mais o melhor carro do grid. Aquela vantagem vista entre Paul Ricard e Zandvoort desapareceu em Istambul. Bottas venceu com uma mão nas costas. Imaginem se Hamilton não tivesse sofrido a punição no grid... Pode ser circunstancial? Pode. Mas pode também ser um sinal de que o jogo está virando a favor da Mercedes;

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Bottas e Verstappen na largada do GP da Turquia, em Istambul
Imagem: Umit Bektas/Reuters

"Levando em consideração todo o fim de semana, nossa perda de ritmo em relação à Mercedes, acho que fizemos uma corrida decente", disse Verstappen. Ele cruzou a linha de chegada mais de 14 segundos depois de Bottas. Na classificação, levou 0s328 de Hamilton e 0s198 de Bottas. É...;

Pérez foi o "Piloto do Dia" na opinião deste blogueiro, mas o estrago de suas más atuações ao longo do ano está feito. Se a disputa do Mundial de Pilotos segue intensa, o campeonato de Construtores parece já estar se resolvendo. A Mercedes tem agora 36 pontos de vantagem sobre a Red Bull: 433,5 a 397,5. O oitavo título seguido da marca alemã está bem encaminhado;

Não dá para terminar sem citar o furo do Américo Teixeira Jr. em seu "Diário Motorsport". Andretti comprou uma parte da Sauber e quer Colton Herta no time em 2022. Américo é dos melhores jornalistas que conheço. Se ele escreveu, eu confio. Agora é esperar o anúncio oficial.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL