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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bottas vence na Turquia, e Mundial vira pela 5ª vez no ano

O finlandês Valtteri Bottas, da Mercedes, durante o GP da Turquia, em Istambul - Mercedes
O finlandês Valtteri Bottas, da Mercedes, durante o GP da Turquia, em Istambul Imagem: Mercedes
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

10/10/2021 10h38

Bottas venceu. Mas ninguém vai sair mais feliz de Istambul do que Verstappen.

Em mais uma virada no campeonato, a quinta, o holandês reassumiu a liderança do Mundial de Pilotos. Segundo colocado na Turquia, tem agora seis pontos de vantagem sobre Hamilton, que cruzou a linha de chegada no quinto lugar.

É a décima vitória de Bottas na carreira, a primeira na temporada, a primeira desde o GP da Russia do ano passado. Pérez, companheiro de Verstappen na Red Bull, completou o pódio.

Com o resultado, Verstappen vai a 262,5 pontos no campeonato, contra 256,5 de Hamilton. No Mundial de Construtores, a Mercedes tem 433,5 pontos, vantagem de 36 sobre a Red Bull.

Valtteri Bottas, da Mercedes, à frente de Max Verstappen, da Red Bull, durante o GP da Turquia de Fórmula 1 - Umit Bektas/Reuters - Umit Bektas/Reuters
Valtteri Bottas, da Mercedes, à frente de Max Verstappen, da Red Bull, durante o GP da Turquia de Fórmula 1
Imagem: Umit Bektas/Reuters

"Estou feliz de chegar em segundo", resumiu Verstappen, frase difícil de imaginar vindo de alguém que tanto luta por vitórias.

Ele sabe o tamanho do feito. Foram três viradas na ponta do campeonato nas últimas quatro corridas. Que campeonato estamos vivendo...

Istambul viveu um dia de clima miserável, choveu por toda a manhã, fez frio. Assim, os pilotos não tiveram dúvidas: todos optaram pelos pneus intermediários para a largada.

Bottas saiu bem e manteve a ponta. Verstappen preferiu não arriscar. Um pouco mais atrás, espremido por Pérez e Alonso, Gasly acabou tocando o espanhol, que despencou para 17º.

"Que cara estúpido", disse o bicampeão pelo rádio. "Eu virei um sanduíche", justificou Gasly.

Acidente de corrida, acontece, mas a FIA não entendeu assim. Puniu o francês com 5 segundos. Alonso levou a mesma punição, mas por um incidente causado instantes depois: voltou à pista feito uma vaca louca e acertou Schumacher.

Saindo do meio do pelotão, Hamilton teve uma largada limpa. Ganhou a posição do espanhol, passou Vettel e fechou a primeira volta em nono lugar. Mas estancou ali, atrás de Tsunoda.

Hamilton só passou o japonês na oitava volta, quando já estava a quase 20 segundos do líder da corrida. Então embalou. Na nona volta, ultrapassou Stroll. Na 11ª volta, superou Norris. Na 13ª, foi a vez de Gasly. Quinto colocado!

Outro que brilhava e certamente se divertia escalando o pelotão era Sainz. Saindo em 19º, já era o nono na 18ª volta.

Lá na frente, Bottas controlava Verstappen. Sempre que o holandês ameaçava apertar o ritmo, o finlandês respondia à altura. Na 20ª volta, 2s5 separavam os dois.

Na 22ª volta, quando um trilho de piso seco começava a se formar, Ricciardo abriu os trabalhos nos boxes. Colocou um jogo novo de intermediários, servindo de cobaia para os 19 colegas. Todos passaram a ficar de olho no seu ritmo, já vislumbrando colocar os slicks,

"No momento, ele está lento", disse o engenheiro de Leclerc pelo rádio.

Mas voltou a chover. E qualquer dúvida foi pro espaço.

"O ritmo está bom. Vamos continuar na pista", informou o engenheiro de Bottas.

E Hamilton? Na 32ª volta, estava 1s7 atrás de Pérez, que tinha como único objetivo segurá-lo atrás de si. Era o momento de justificar seu salário.

Mas estava difícil para o mexicano. Na 34ª, Hamilton encostou e partiu para cima. Eles fizeram quatro curvas lado a lado, e Pérez prevaleceu. Foi o melhor momento da corrida, um dos grandes duelos da temporada!

Na 37ª, Verstappen foi para os boxes e colocou os intermediários. Bottas e Pérez pararam na volta seguinte. Foi quando Vettel apostou tudo: colocou pneus slicks. Mas logo percebeu que estava impossível ficar na pista. Na volta seguinte, retornou aos boxes e aos intermediários.

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Charles Leclerc, da Ferrari, durante o GP da Turquia, em Istambul
Imagem: Ferrari

"Posso ir até o fim com esses pneus?", indagou Leclerc, alçado à liderança com as paradas de Bottas e Verstappen. Sim, ele podia. Com pista molhada, cai a obrigatoriedade de usar dois tipos diferentes de compostos durante a corrida.

"E se eu ficar na pista?", perguntou Hamilton, seguindo a mesma linha do monegasco.

Na 45ª das 58 voltas, Leclerc tinha 2s5 para Bottas, que por sua vez tinha 7s1 para Vertappen. Hamilton estava em quarto.

As comunicações pelo rádio ficaram frenéticas. Leclerc sofria para se segurar à frente de Bottas, que tinha pneus novos e estava louco para retomar a ponta.

Na 47ª, o finlandês chegou, encostou, deu o bote, fez a ultrapassagem sem grandes dificuldades. Leclerc foi para os boxes, colocou pneus novos e voltou em quarto.

Quatro voltas depois, foi a vez de Hamilton não aguentar o ritmo com pneus tão desgastados e ir para os boxes. Retornou à corrida em quinto, atrás de Pérez.

Pódio formado, com Bottas, Verstappen e Leclerc? Não. Porque a seis voltas do fim, Pérez mergulhou e ultrapassou o monegasco.

"Parabéns. Você foi dominante", ouviu Bottas pelo rádio, assim que cruzou a linha de chegada.

Um resultado emblemático, porque pode ser sua última vitória pela Mercedes - e, provavelmente, na carreira.

Valtteri Bottas, da Mercedes, celebra vitória no GP da Turquia - Umit Bektas/Reuters - Umit Bektas/Reuters
Valtteri Bottas, da Mercedes, celebra vitória no GP da Turquia
Imagem: Umit Bektas/Reuters