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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Red Bull vermelha e branca deveria inspirar F-1

Trecho do vídeo disponibilizado pela Red Bull nas redes sociais revelando um pouco da pintura para o GP da Turquia - Reprodução
Trecho do vídeo disponibilizado pela Red Bull nas redes sociais revelando um pouco da pintura para o GP da Turquia Imagem: Reprodução
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

06/10/2021 09h29

Red Bull e AlphaTauri vão homenagear a Honda neste fim de semana, que seria o último em Suzuka em parceria com a montadora japonesa. A prova foi transferida para a Turquia, mas a ideia permaneceu: os carros serão pintados de branco e vermelho.

Este tipo de ação não é exatamente uma novidade, mas funciona muitíssimo bem. Com os candidatos ao título e demais personagens da categoria calados entre um GP e outro, qualquer invenção é suficiente para atrair a atenção da imprensa, mover os fãs, "gerar buzz", como dizem por aí.

É o que está acontecendo neste exato momento. A fabricante de energéticos ainda não revelou exatamente como os carros ficarão, mas desde o início da semana está soltando pílulas nas redes sociais. Pronto: virou assunto.

Neste ano, em Mônaco, a McLaren pintou seus carros com as cores da Gulf Oil, sua patrocinadora, um design que cala fundo no coração de quem gosta de automobilismo. Foi das coisas mais lindas que vi numa pista de corrida nos últimos tempos.

Em 2020, a Ferrari correu o GP da Toscana, em Mugello, pintada de bordô. Foi uma referência ao seu milésimo GP na F-1. Ok, foi legal, mas poderiam ter sido mais ousados.

E como esquecer da celebração dos 200 GPs da Mercedes em Hockenheim, em 2019? (Também não dá pra esquecer o fiasco que foi aquele domingo para o time alemão...)

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Carros da Mercedes com pintura comemorativa pelos 200 GPs da marca em Hockenheim-2019
Imagem: Mercedes

Fato é que todos lembramos dessas equipes específicas nessas corridas específicas. Patrocinadores foram valorizados, redes sociais se movimentaram, discussões foram geradas quando não havia nada para comentar... E isso deveria merecer uma reflexão da Liberty Media, tão empenhada em aumentar a popularidade da categoria.

Há anos, uma cláusula do acordo comercial da F-1 com as equipes limita as mudanças nas pinturas dos carros. Qualquer alteração mais radical precisa de anuência da empresa que controla o Mundial (desde 2017, a Liberty), da FIA e de todos os demais times.

A origem da regra é o temor de "perda de identidade", o receio de que os fãs se confundiriam vendo as equipes com cores diferentes a cada etapa.

Entendo a preocupação dos dirigentes, mas discordo. É preciso colocar vantagens e desvantagens na balança.

Primeiro, acho impossível um cenário com todas as equipes mudando suas cores a cada GP. Alguém consegue imaginar a Ferrari fazendo isso, por exemplo? Além disso, estamos falando de apenas 10 times. Acho que os torcedores seriam inteligentes o bastante para diferenciar os carros, ainda mais com tanta divulgação prévia.

Por outro lado, a mudança abriria enormes possibilidades comerciais. Ao sentar com um potencial patrocinador para negociar, o diretor comercial de uma equipe teria mais uma valiosa propriedade para oferecer.

É o que acontece o tempo todo na Nascar e na Indy: times exploram patrocinadores locais, fecham contratos pontuais, carregam homenagens, promovem causas sociais e humanitárias. Têm uma opção de fazer dinheiro que a F-1 proíbe.

A mudança na regra criaria mais um atrativo para a entrada de novas equipes.

É sempre bom lembrar que desde 2017 só dez equipes em todo o planeta conseguem disputar o Mundial. A F-1 está no limite do vexame. Qualquer desistência seria um golpe forte. Grid com 18 carros numa categoria que já teve até pré-classificação?

É para a Liberty pensar...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL