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Fábio Seixas

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ocon passa ileso pelas confusões e vence na Hungria

Esteban Ocon comemora vitória histórica para ele e sua equipe, a Alpine, no GP da Hungria - Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
Esteban Ocon comemora vitória histórica para ele e sua equipe, a Alpine, no GP da Hungria Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

01/08/2021 12h20

Bottas errou feio. Verstappen se deu mal. A Mercedes se atrapalhou e depois se redimiu. Hamilton protagonizou uma largada de um carro só e deu show no final da prova. A Williams marcou pontos com seus dois pilotos.

Não, não foi um domingo normal. E o GP da Hungria foi de quem passou ileso pelas confusões.

Vitória de Ocon, a primeira dele, que está na F-1 desde 2016. É a 81ª vitória de um francês na categoria e a primeira desde Gasly no GP da Itália do ano passado. É, ainda, a primeira vitória da Alpine, que nesta temporada assumiu a estrutura da Renault na categoria.

Vettel foi o segundo colocado, com Hamilton em terceiro. Verstappen terminou apenas em décimo.

"O que eu posso dizer? Estou me sentindo muito bem. Tivemos momentos difíceis neste ano, foi um trabalho de equipe", disse Ocon, nas nuvens, na entrevista pós-GP.

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Ocon, da Alpine, durante o GP da Hungria
Imagem: Lars Baron/Getty Images

A corrida provocou uma reviravolta na ponta da tabela. Hamilton reassume a ponta do Mundial: tem agora 192 pontos, seis a mais do que Verstappen. Nos Construtores, 300 para Mercedes, 290 para a Red Bull.

Quando um resultado assim acontece, é porque muita coisa aconteceu na corrida.

No caso deste GP da Hungria, a bagunça começou antes mesmo da largada.

Começou a chover em Hungaroring quando os carros se posicionavam no grid. Com a pista molhada, todas as equipes optaram por colocar pneus intermediários em seus carros.

Na volta de apresentação, já deu pra perceber que a coisa seria animada. Muita gente escorregou. Só Giovinazzi teve coragem de entrar nos boxes e pedir pneus para pista seca.

Veio a largada. E fez-se o caos. Bottas foi o nome do início da corrida, pelo lado negativo.

Hamilton largou bem, Verstappen melhor ainda. Bottas patinou para sair: foi ultrapassado não só pelo holandês, mas também por Pérez e Norris. Na primeira curva, não conseguiu frear e encheu a traseira de Norris, que por sua vez acertou Verstappen. Na sequência, passageiro do próprio carro, Bottas ainda levou Pérez pra fora da pista.

Um pouco mais atrás, Stroll foi outro que aprontou. Também não conseguiu segurar o carro na freada, bateu em Leclerc e em Ricciardo, tirando o monegasco da corrida.

Não teve jeito: bandeira vermelha e corrida interrompida por quase 30 minutos.

Quem passou ileso, se deu muito bem. Ocon pulou para segundo, seguido por Vettel! Latifi de repente se viu em sexto! Verstappen caiu para 13º, e passou o período de bandeira vermelha vendo a Red Bull trabalhar freneticamente em seu carro para lhe dar condições mínimas de disputar o GP. Todo o estoque de silver tape da equipe foi usado no carro #33.

"Perdi tração na saída, travei as rodas na curva 1. Foi culpa minha", disse Bottas à repórter Mariana Becker. Atitude digna.

A relargada foi autorizada com os asfalto secando, mas os 16 pilotos ainda calçando intermediários. Na volta de apresentação, quase todos perceberam que as condições eram para pista seca e resolveram entrar nos boxes para trocar os pneus.

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Hamilton larga sozinho no GP da Hungria, após todos os outros pilotos entrarem nos boxes para trocar pneus
Imagem: Reprodução/TV

Só Hamilton ficou na pista. E protagonizou um momento tão inédito quanto bizarro nos 71 anos de história da F-1: largou sozinho, um grid de um carro só.

Instantes depois, os 15 que foram para os boxes começaram a retornar para a pista. E o inglês entrou pelo rádio para constatar o óbvio. "Sim, está seco", disse, em tom desolado.

Na volta seguinte, claro, ele entrou para trocar pneus. Resultado: na sexta volta do GP da Hungria, o líder era Ocon, com Verstappen em 13º e Hamilton e em último lugar. Tudo isso num circuito travado, em que as ultrapassagens são bem complicadas... Diversão garantida!

Em tempo: a barbeiragem da Mercedes chega a ser inacreditável. A pista estava seca! No que eles estavam pensando? No goulash que jantariam à noite às margens do Danúbio?

Fato é que começou, então, uma nova corrida.

"Está difícil chegar nesses caras", disse Hamilton pelo rádio, enquanto se esforçava para escalar o pelotão. Verstappen vivia situação parecida, com a vantagem de estar um pouco mais à frente.

Na 20ª volta, Ocon se segurava na liderança, com Vettel no seu encalço. Latifi era o terceiro (!!!) seguido por Tsunoda e Sainz. Verstappen era o nono.

Foi quando a Mercedes se redimiu do erro anterior: Hamilton voltou aos boxes para colocar pneus duros e tentar uma estratégia diferente que o ajudasse a ganhar posições. O holandês da Red Bull respondeu e parou na volta seguinte.

Jogo de marcação, claro e cristalino.

Que não foi suficiente para a Red Bull. Hamilton ganhou a posição de Verstappen e, de quebra, também superou Ricciardo.

Com o carro inteiro, pneus novos e cheio de moral por ter deixado o rival para trás, Hamilton finalmente teve paz e tranquilidade para começar a atacar a turma à sua frente. Passou Schumacher, superou Latifi e, na 30ª volta, era o sétimo colocado. Verstappen estava em 12º.

Lá na ponta, Vettel seguia atormentando a vida de Ocon.

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Vettel e Hamilton ao final do GP da Hungria
Imagem: Dan Istitene - Formula 1/Formula 1 via Getty Images

Na 33ª, Hamilton passou Tsunoda e assumiu a quinta posição _Gasly, que foi para os boxes, também perdera terreno para o inglês.

O GP viveu então um novo momento-chave, menos conturbado que os anteriores: as últimas trocas de pneus entre a turma da ponta.

A Ferrari chamou Sainz para os boxes. O espanhol colocou pneus duros. Quatro voltas depois, Vettel fez a mesma coisa, e conseguiu retornar na frente de Sainz e Hamilton. Na 38ª, foi a vez de Ocon, que conseguiu sair antes da passagem de Vettel. Alonso até liderou por duas voltas _a primeira vez do espanhol na ponta de uma corrida desde 2014_, mas também teve de entrar para pneus novos e despencou para quinto.

Posições reestabelecidas, a 40ª volta do GP tinha liderança de Ocon, com Vettel em segundo e Sainz logo atrás. Hamilton era o quarto, com Verstappen empacado em 11º.

O problema para Hamilton é que Alonso estava mais rápido e ameaçava se aproximar. Assim, na 48ª volta, o inglês foi novamente para os boxes e colocou pneus médios. Voltou atrás do espanhol, mas com mais condições de ultrapassá-lo e assegurar a quarta posição.

Na 55ª, veio o ataque. Hamilton partiu para cima de Alonso, que endureceu. Ambos quase se tocaram. O inglês, que tinha mais a perder, recolheu. Mas por pouco tempo.

O duelo entre os dois campeões mundiais foi a atração do fim do GP. Volta a volta, Hamilton tentava, Alonso defendia. Foi de assistir em pé.

A cinco voltas do fim, então, o espanhol errou numa freada. Hamilton mergulhou, passou e partiu para cima de Sainz. Duas voltas depois, passou a Ferrari. Terceiro colocado! Que trabalho fantástico!

Ao cruzar a linha de chegada, Ocon cantou com a equipe! Quebrando todos os protocolos, ele e Vettel pararam os carros e correram para a galera para comemorar. A categoria, em peso, festejou a vitória do jovem francês.

A F-1 agora entra em férias. O que vai acontecer a partir do GP da Bélgica, no final do mês, ninguém sabe. E isso é excelente!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL