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Fábio Seixas

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Pai deixa escapar: Mercedes queria Verstappen

Jos Verstappen com o filho, Max, líder do Mundial de F-1 e vencedor de cinco etapas nesta temporada - Getty Images
Jos Verstappen com o filho, Max, líder do Mundial de F-1 e vencedor de cinco etapas nesta temporada Imagem: Getty Images
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Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

23/07/2021 12h23

Nada como alguém de cabeça quente para deixar escapar informações valiosas, que explicam muita coisa. Estou falando de Jos Verstappen, personalidade das mais complicadas do paddock quando era piloto e que hoje é mais conhecido como "o pai do Max".

Em conversa com um amigo, depois de Silverstone, ele desceu a lenha em Hamilton e em Wolff, o chefe da Mercedes. E acabou revelando um segredo.

"Você não celebra uma vitória com tanta euforia quando um colega ainda está no hospital. Sobre Toto Wolff, tivemos um bom contato nos últimos anos. Acho que todo mundo sabe o porquê. Mas ele não nos ligou ontem. Daqui pra frente, também não precisa mais telefonar".

O detalhe é que o amigo de longa data é jornalista. Ralf Bach já passou por veículos como "Sport Bild", "Auto Bild Motorsport" e "Sport1". Hoje é editor-chefe do site F1-Insider. E, como todo bom jornalista, fez o que tinha que ser feito: publicou a história.

A primeira atitude do holandês foi desmentir. Postou um tweet indignado, dizendo que não havia conversado com ninguém do site. Só depois caiu a ficha, e ele apagou o tweet.

wolff - Steve Etherington/Mercedes - Steve Etherington/Mercedes
Wolff, chefe da Mercedes, equipe que conquistou os últimos 7 Mundiais
Imagem: Steve Etherington/Mercedes

Mas vamos ao que interessa, ao que ele disse sobre Wolff: "Tivemos um bom contato nos últimos anos. Acho que todo mundo sabe o porquê. Mas ele não nos ligou ontem. Daqui pra frente, também não precisa mais telefonar".

Qual é o único motivo para um chefe de equipe conversar com um pai de piloto?

Sim. A cabeça quente de Jos encaixou peças no quebra-cabeças. Finalmente entendemos o motivo das duas renovações esquisitas de Hamilton com a Mercedes nos últimos meses.

O inglês ficou sem contrato entre dezembro e fevereiro, quando anunciou renovação por apenas uma temporada, algo inédito na sua relação com a equipe. Na época, disse que estava passando por um momento diferente na vida e que não sentia mais a necessidade de fazer planos para um futuro distante. Ok, é do jogo, decisão pessoal, temos de respeitar.

A questão é que, menos de cinco meses depois, no início de julho, Mercedes e Hamilton anunciaram um novo contrato por mais duas temporadas. Ele fica por lá até o fim de 2023. "Estou animado em poder continuar essa parceria", declarou o heptacampeão.

Ué, o que mudou? Agora sabemos. A equipe alemã estava atrás de Verstappen. O holandês era o plano A para os próximos anos.

"Havia uma esperança na Mercedes de que, com Max no cockpit, o futuro a longo prazo estivesse garantido. Essa ideia não deu certo, e então Hamilton se tornou a única alternativa", disse Ralf Schumacher no "Sport Bild", da Alemanha. "A Red Bull terá Max por bons anos à frente."

Sentimentalismos à parte, a postura da Mercedes é compreensível. Verstappen tem 23 anos. Hamilton, 36, e provavelmente se aposentará ao fim deste último contrato que assinou.

A equipe precisa planejar seu futuro. As portas dos Verstappen, ao que tudo indica, estão fechadas. Quem será a nova aposta?

Com a bala que a marca alemã tem, a Seixas Racing não pestanejaria. Faria de tudo para, em 2024, alinhar seus carros com Russell e Gasly nos cockpits.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL