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Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Mercedes culpa computador por derrota na França

Verstappen após fazer seu primeiro pit stop no GP da França, sétima etapa do Mundial, em Paul Ricard - Peter Fox/Getty Images
Verstappen após fazer seu primeiro pit stop no GP da França, sétima etapa do Mundial, em Paul Ricard Imagem: Peter Fox/Getty Images
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

22/06/2021 07h51

A Mercedes encontrou o culpado pelo vacilo na estratégia no GP da França.

O computador.

"Como tínhamos pouco mais de 3 segundos de vantagem sobre Max, achamos que estávamos a salvo", explicou o inglês Andrew Shovlin, engenheiro responsável pelas estratégias da equipe alemã. "Ainda não entendemos o motivo de nossas projeções mostrarem isso. Obviamente há algo que precisamos estudar e decifrar."

Hegemônica na F-1 há sete anos, a Mercedes tem nesta temporada uma adversária de peso, a Red Bull, que venceu as últimas três corridas. No domingo passado, em Paul Ricard, graças ao jogo de cintura para mudar os planos para Verstappen no meio da corrida.

Por duas vezes, o holandês perdeu a liderança do GP para Hamilton. E, por duas vezes, voltou à ponta, consolidando sua terceira vitória em 2021.

A primeira situação veio logo na largada, quando errou, foi parar na área de escape e retornou à pista atrás do inglês. Na 17ª volta, continuava em segundo lugar, a 3s104 de Hamilton. Na 18ª entrou nos boxes para o que seria seu único pit stop na corrida.

Xeque. Hamilton parou na volta seguinte. Quando retornou à pista, estava atrás do holandês.

"Não sabemos o que aconteceria se tivéssemos chamado o Lewis para os boxes na mesma volta do Max. Mas acho que estaríamos uma posição melhor", palpitou Shovlin, após o GP.

A segunda situação aconteceu pouco depois. Em ritmo forte, tentando desgarrar de Hamilton, Verstappen começou a se queixar de desgaste dos pneus duros. A equipe tinha duas opções: mantê-lo na pista, na estratégia de apenas uma parada, ou chamá-lo para os boxes, uma mudança que só daria certo se o holandês acelerasse como um louco no trecho final da prova.

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Verstappen à frente de Hamilton na linha de chegada do GP da França
Imagem: Peter Fox/Getty Images

A Red Bull optou pelo plano B. E, mais uma vez, deu um nó na Mercedes. Verstappen parou na 32ª volta e voltou à pista em quarto. Mas, com pneus médios novos, teve condições de partir para cima dos adversários. Na 35ª volta, passou Pérez. Na 44ª, deixou Bottas para trás. E, na 52ª das 53 voltas do GP, passou Hamilton sem dificuldades.

Xeque-mate.

Embora a Mercedes ainda busque respostas para assimilar o duplo golpe, parece claro o que aconteceu.

A criatividade da Red Bull e o talento de Verstappen superaram seu computador.

Seus modelos não previam que o holandês aceleraria tão forte depois do primeiro pit nem que a opção por pneus médios no fim da corrida seria mais eficiente.

Em Paul Ricard, o homem superou a máquina.