PUBLICIDADE
Topo

Fábio Seixas

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Bottas, 4º no Mundial, começa a ser fritado

O finlandês Valtteri Bottas, da Mercedes, quarto colocado no Mundial da F-1 após três etapas - Mercedes/Divulgação
O finlandês Valtteri Bottas, da Mercedes, quarto colocado no Mundial da F-1 após três etapas Imagem: Mercedes/Divulgação
Fábio Seixas

Fábio Seixas é jornalista com mestrado em Administração Esportiva e passagens por veículos como Folha de S.Paulo, SporTV e TV Globo. Cobriu mais de 170 GPs de F-1, esteve em duas temporadas da Indy e chegou a pilotar um Benetton em Paul Ricard. Voltou para os boxes rebocado.

Colunista do UOL

04/05/2021 11h38

Está sentindo um cheiro de fritura? É piloto finlandês.

Não teve jeito. Um rumor que se insinuava desde o GP do Bahrein do ano passado está ganhando força a cada etapa de 2021: Bottas pode ser substituído por Russell ainda ao longo desta temporada.

"Ah, mas é só um boato." Algo que aprendi nesses anos cobrindo F-1 foi a prestar atenção em como as históricas nascem, se espalham e viram realidade.

O acerto de Senna com a Williams começou como um rumor. A contratação de Barrichello pela Ferrari começou como um rumor. A mais recente saída da Honda da F-1 começou como um rumor. Dá para encher um livro com exemplos desse modus operandi da categoria.

Tem muito a ver com a dificuldade para apurar informações na F-1. As equipes hoje são muito fechadas. Cada marca estampada em cada carro e em cada macacão quer controlar o que seus pilotos dizem. Ninguém fala sem um assessor de imprensa do lado segurando um gravador. Foi-se o tempo em que era possível tomar um café e bater um papo informal com um mecânico ou engenheiro.

Em suma: oficialmente, ninguém fala nada importante. As informações rolam nos bastidores. Quem tem mais contatos se dá melhor.

Um exemplo pessoal. Em 2005, na Hungria, dei o furo da contratação de Massa pela Ferrari. Quem me passou a informação foi Roger Benoit, histórico jornalista suíço, que costumava fumar charutos todos os dias com Peter Sauber, então patrão do brasileiro. Oficialmente, claro, a equipe não dizia nada. Mas a fonte era muito boa...

(Isso aconteceu um dia depois de eu ter brigado com um taxista húngaro e puxado o freio de mão do carro dele em plena rodovia, história que contei na encarnação anterior do blog, neste post aqui.)

bottas gp - Hasan Bratic/Getty Images - Hasan Bratic/Getty Images
Bottas, após abandonar o GP da Emilia Romagna
Imagem: Hasan Bratic/Getty Images

Enfim... A bola da vez é Bottas. Que, em três GPs até agora no ano, marcou apenas 32 pontos e é o quarto colocado no Mundial. Está atrás de Hamilton e Verstappen, claro, mas consegue também estar abaixo de Norris na tabela!

O "Daily Mail", da Inglaterra, traz nesta terça-feira uma declaração atribuída a um engenheiro da Mercedes. Falando em condição de anonimato, ele diz que há um "descontentamento" na fábrica em torno de Bottas e uma convicção crescente de que ele não está à altura do desafio, como ficou claro após o que Russell fez no ano passado no Bahrein.

É assim que começam as frituras na F-1...

Piloto titular da Williams e reserva da Mercedes, Russell substituiu Hamilton, que estava com Covid, na penúltima etapa do ano passado. Não sentiu a pressão. Pelo contrário. Largou em segundo e só não venceu a prova porque a Mercedes errou no seu pit stop e porque depois sofreu com um pneu furado.

Bottas teria vida tranquila se a Mercedes estivesse sozinha no Mundial, como nos últimos anos. O problema é a ascensão da Red Bull, com dois pilotos fortes: Verstappen e Pérez.

A equipe alemã não pode se dar o luxo de ter um segundo piloto figurante. Precisa de alguém combativo. E este, definitivamente, não é o perfil do finlandês.