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Diogo Silva

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Maior lutador olímpico da história, Mijaín López mistura esporte e política

Mijain López, lutador cubano - Ryan Pierse/Getty Images
Mijain López, lutador cubano Imagem: Ryan Pierse/Getty Images
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Diogo Silva

Diogo Silva foi campeão mundial universitário, medalhista de ouro dos Jogos Pan-Americanos e participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012 no taekwondo. Hoje, faz parte do grupo de rap Senzala Hi-Tech.

04/08/2021 04h00

O porta-bandeira de Cuba, Mijaín López, de 38 anos, conquistou em Tóquio sua quarta medalha de ouro olímpica consecutiva na luta Greco Romana, na categoria acima de 120kg, e entrou para história sendo o primeiro da modalidade a conquistar tal feito.

Prestes a completar 39 anos, em 20 de agosto, Mijaín venceu seus quatros oponentes sendo soberano no peso pesado e sem tomar nenhum ponto.

O feito de Mijaín dentro de modalidades que conquistam somente uma medalha por edição é fantástico. Somente quatro atletas alcançaram tal feito. O cubano se junta aos norte-americanos Carl Lewis (velocista e saltador), Al Oerter (do lançamento do disco) e Michael Phelps (nadador), que eram até agora os únicos atletas com quatro títulos olímpicos consecutivos em uma mesma prova.

A escola cubana é a maior produtora de lutadores olímpicos das Américas, fazendo frente aos Estados Unidos. O boxeador Teófilo Steveson, tricampeão olímpico em Munique-1972, Montreal-1976 e Moscou-1980, já era o sinal da maestria cubana.

O país, que tem treinadores e fisiologistas em inúmeras delegações espalhadas pelo mundo, não forma somente atletas.

Os complexos esportivos nos quais os atletas treinam são do tempo da Revolução Cubana (1959) e continuam formando cada vez mais campeões.

Até as edições olímpicas de 2016, Cuba tem medalha de ouro em todas as modalidades de lutas, sendo elas taekwondo, boxe, judô e wrestling.

Em Tóquio, Cuba estava até a noite desta terça-feira (3) em 14º no quadro de medalhas, com 11 pódios. Foram quatro de ouro - três delas conquistadas em esportes de luta -, três de prata e quatro de bronze.

Assim como o boxeador Teófilo, que não se profissionalizou e deixou os fãs de boxe com água na boca de um possível confronto contra Mohamed Ali, Mijaín não pretende migrar para esportes profissionais, como o MMA, como fez Yorel Romero, prata em Sidney-2000 na luta greco-romana e que depois brilhou no UFC.

Mijaín não concentra sua energia somente nas lutas, ele também gosta de política. Ele foi candidato a deputado na Assembleia Nacional Popular, pelo município Consolación del Sur, na província Pinar del Río, e é fruto das políticas de Fidel Castro, chamado respeitosamente pelo lutador de "Comandante".

Assim que venceu sua final, Mijaín recebeu uma ligação do presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, mostrando como política e esporte estão mais juntos do que Kimono e faixa, e, nesse caso, malha e botas.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL