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Diogo Silva

Hamilton é a quebra do estereótipo do negro. E isso faz bem para nosso ego

Lewis Hamilton comemora mais um título na F-1 - Bryn Lennon/Getty Images
Lewis Hamilton comemora mais um título na F-1 Imagem: Bryn Lennon/Getty Images
Diogo Silva

Diogo Silva foi campeão mundial universitário, medalhista de ouro dos Jogos Pan-Americanos e participou dos Jogos Olímpicos de Atenas-2004 e Londres-2012 no taekwondo. Hoje, faz parte do grupo de rap Senzala Hi-Tech.

18/11/2020 04h00

O heptacampeão Lewis Hamilton é o verdadeiro lorde das pistas. O piloto, um dos grandes nomes do esporte mundial da atualidade, ainda não tem o título de nobreza da Coroa britânica. A rainha Elizabeth 2ª está demorando para homenagear Hamilton, como fez com o campeão olímpico de tênis Andy Murray, que ganhou o título de Knight Bachelor, ou Cavaleiro da Corte, ou com os músicos que Elton John, Paul McCartney e Ring, que têm o título de Sir.

Mas, mesmo sem o título oficial, Sir Hamilton é o cara que alcançou seu reinado por conta própria. O britânico é que mais tem vitórias na Fórmula 1 e é recordista de poles. Ninguém foi tão vitorioso quanto ele. Único negro na elite do automobilismo, Hamilton é um dos grandes nomes mundiais na luta contra o racismo.

Seus manifestos e atitudes o colocaram ao lado de nomes como o do pugilista Muhamed Ali, uma das mentes mais brilhantes do mundo esportivo no combate ao racismo, e de John Carlos e Tommie Smith, do atletismo, que, em 1968, protagonizaram a cena mais importante dos jogos olímpicos, ao erguerem os punhos cerrados com luvas pretas.

Agora, para a Fórmula 1, Hamilton é um calo no pescoço. Ele não foi ovacionado como aconteceu com Michael Schumacher quando o alemão triunfava pelo mundo e recebe críticas de todos os lados. O ex-piloto Ralf Schumacher, irmão de Michael Schumacher, diz que atleta não deveria se manifestar politicamente. Já Bernie Ecclestone, ex-chefe da F1, critica as roupas de Hamilton, seu comportamento social e até seus resultados.

E é assim que começa uma onda contra alguém que não se enquadra dentro dos dogmas impostos. Seu potencial, seus resultados e suas habilidades são colocados em xeque. A pessoa é desacreditada publicamente para influenciar demais opositores.

O segundo heptcampeão mundial de F1 sabe que quem se manifesta muitas vezes paga um preço caro. Mas, nesse caso, ele tem para bancar.

Lewis Hamilton e sua Mclaren P1, avaliada em mais de R$ 8 milhões - Arquivo pessoal/Instagram@lewishamilton - Arquivo pessoal/Instagram@lewishamilton
Hamilton e sua Mclaren P1, avaliada em mais de R$ 8 milhões
Imagem: Arquivo pessoal/Instagram@lewishamilton

Aos 32 anos e um dos homens mais influentes do mundo, Hamilton pode se dar direito a alguns luxos. Ele é dono de uma coleção invejada de carros, cujo maior destaque, em termos e valores, é a Mclaren P1, avaliada em mais de R$ 8 milhões.

O carro sempre foi o símbolo de ostentação masculino do homem branco no mundo. As campanhas publicitárias reforçam a ideia de que o automóvel é sinônimo de poder, diz quem você é, define sua personalidade, sua conta bancária e até se você é uma pessoa confiável.

Lógico que esses símbolos foram produzidos pela parcela mais rica do mundo e impostos socialmente para aqueles que não podem alcançá-la. Diante desse cenário, aos mais humildes, o carro vira sonho de consumo número um superando até mesmo o da casa própria.

Agora vamos imaginar esse símbolo de poder com a foto de um homem negro vitorioso, milionário, heptacampeão mundial e ativista pelas causas da preservação da vida da população negra. Não sei se posso usar esse palavreado aqui na minha coluna, mas é de foder. Pronto falei.... hahahaha

Hamilton não é só o maior de todos na Fórmula 1, ele é a própria quebra do estereótipo do homem negro na vida e no esporte. E cá entre nós, isso vem fazendo muito bem para o nosso ego.

E Vida longa ao rei!