Diego Garcia

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Após 3 anos de buscas, Justiça cita Marcelinho por dívida de hospital

A Justiça de São Paulo desistiu de buscar Marcelinho Carioca e decidiu citá-lo por meio de um edital após três anos tentando encontrar o ex-jogador para responder por uma cobrança de dívida de R$ 123 mil. A autora da ação é uma advogada que afirma ter arcado com os custos do tratamento da mãe do ex-atleta, Sueli, em um hospital.

A citação foi publicada há alguns dias no Diário Oficial, por ordem do juiz Silas Dias de Oliveira Filho, da 5ª Vara Cível, do Foro de Santo André.

A citação por edital é uma modalidade excepcional e ocorre depois que acontece o esgotamento de todos os demais meios possíveis para a realização da citação da pessoa acionada na Justiça.

A Justiça realizou a primeira tentativa de encontrar o ídolo do Corinthians em agosto de 2021, mas a carta de citação foi recebida por um porteiro. Outras tentativas foram feitas até que, em julho de 2022, um funcionário do prédio disse que o ex-jogador havia se mudado.

Em seguida, o tribunal determinou a citação em locais de trabalho. No ano passado, oficiais de Justiça buscaram Marcelinho em veículos onde ele trabalhou, como uma rádio em Guarulhos, e até na Secretaria Municipal de Esportes da cidade de Itaquaquecetuba, onde ele exerceu cargo. Ele nunca foi encontrado.

Posteriormente, também foram feitas buscas pelos sistemas Sisbajud, Renajud e Infojud, além de tentativas em outros endereços. Sem sucesso mais uma vez, o tribunal decidiu, em abril deste ano, realizar a citação por edital.

Claudia Cristine Ferreira, que move a ação, ironizou a busca por Marcelinho em petição enviada em fevereiro ao tribunal. "Como de praxe, o réu Marcelinho Carioca tem a expertise de ficar invisível. Não é encontrado para responder seus processos".

No ano passado, ela também havia reclamado da demora para encontrar o ex-atleta. "O réu é afeito a fugir de suas responsabilidades, evitando as citações, esvaziando todas as possibilidades de ser encontrado, mesmo possuindo um Resort em Atibaia, cuja propriedade é anunciada nas redes sociais. Há 2 anos a ação tramita, mas não avança porque o réu, Marcelo, não é encontrado. Isso se dá pela folclórica ação no futebol, o que lhe dá prestígio em prejuízo daqueles que onerou, prejudicou, porque não conseguem citá-lo."

Entenda o processo

No processo, Claudia Ferreira diz que era advogada de Ronan Maria Pinto, ex-presidente da empresa que administrou o Santo André por seis anos — a Saged (Santo André Gestão Empresarial Desportiva Ltda).

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Ela diz que atendia os clientes do cartola e resolvia suas questões particulares e de terceiros ligados a ele, sem receber extra por isso. Entre essas pessoas estava Marcelinho, que defendeu o Santo André no fim da carreira, de 2007 a 2009.

Na época, Sueli estava internada no Hospital do Câncer. A advogada alega que Ronan pediu para transferir a mãe do ex-jogador para o Hospital Sírio-Libanês, já que seu estado de saúde tinha se agravado.

Segundo a advogada, Marcelinho estava em concentração e não podia acompanhar a mãe doente. Assim, Ronan pediu que Claudia resolvesse a situação, assinando contratos médicos como avalista e bancando o atendimento emergencial.

Então, ela decidiu ir à Justiça alegando que arcou com as despesas do tratamento da mãe de Marcelinho e cobrando R$ 123 mil do ex-jogador.

O que diz Marcelinho

O advogado Marlon Reis, que recentemente assumiu os processos de Marcelinho, disse à coluna que o fato de o ex-jogador não ter sido citado foi uma falha do Judiciário. E apontou que ele vai contestar a cobrança no tribunal.

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"Apenas recentemente tomamos conhecimento da existência do processo mencionado. É importante ressaltar que o Marcelinho não foi citado no seu endereço atualizado, o que revela uma falha no procedimento de notificação que não lhe pode ser atribuída", afirmou.

"No tocante ao mérito da ação, cumpre esclarecer que, conforme consta na própria petição inicial apresentada pela autora, Cláudia Ferreira, nenhuma responsabilidade pelas despesas a que ela se refere podem ser atribuídas a Marcelinho. Toda responsabilidade econômica pelo ocorrido recai exclusivamente sobre o Esporte Clube Santo André e seu então presidente, Ronan Maria Pinto", continuou.

"Em nenhum momento o Marcelinho participou de qualquer negociação ou ajuste financeiro relacionado a este episódio, o que é afirmado na ação pela própria autora, sendo as decisões tomadas unicamente pela gestão do clube. Assim, a tentativa de atribuir a ele qualquer obrigação financeira relacionada a esses fatos é desprovida da mínima fundamentação legal", finalizou.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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