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REPORTAGEM

Como foi a primeira final de Champions entre Real e Liverpool 41 anos atrás

Jogadores do Liverpool comemoram o título da Champions de 1981 em vitória sobre o Real Madrid na final Imagem: Allsport/Getty Images/Hulton Archive
Diego Garcia

Colunista do UOL

24/05/2022 04h00

Foi há 41 anos, no distante ano de 1981, que Liverpool e Real Madrid fizeram sua primeira de três finais de Champions League. Na mesma Paris que recebe a decisão do principal torneio do futebol europeu no próximo sábado (28).

Naquela época, os tempos no futebol eram outros, com os dois times praticamente formados apenas por jogadores locais. Muito diferente do que vai acontecer na final da temporada 2021/22, provavelmente com no máximo dois espanhóis (Carvajal e Nacho) e dois ingleses (Arnold e Henderson) entre os titulares.

Dos 22 jogadores que iniciaram a partida mais os 12 reservas na histórica decisão de 1980/81, todos eram britânicos do lado do Liverpool - sendo 14 ingleses e três escoceses - e 15 espanhóis entre os 17 que formavam o elenco do Real Madrid.

Os únicos estrangeiros dentro de campo eram o alemão Uli Stielike e o inglês Laurie Cunningham, dois dos principais jogadores do time merengue que chegava a Paris como representante do futebol espanhol. O Parc des Princes, aliás, era tido como o principal estádio da Europa.

O técnico da equipe de Madri era o iugoslavo Vujadin Boskov. No banco do Liverpool, o lendário Bob Paisley estava à frente. Ele passou quase 50 anos no clube, como jogador, assistente e técnico, na era mais vitoriosa do esquadrão vermelho.

O Liverpool tinha um estilo de jogo sólido e bem definido, com elenco forte e jogadores de renome na Grã-Bretanha, remanescentes do bicampeonato europeu de clubes de 1977 e 1978, sendo os primeiros ingleses a emendarem duas taças seguidas de Liga dos Campeões.

Porém, em 1981, não faziam grande temporada no Campeonato Inglês, com apenas seis vitórias nas últimas 19 rodadas e terminando em uma modesta quinta colocação. Por outro lado, venceu a Copa da Liga, mas foi eliminado da Copa da Inglaterra para o Everton.

O Real, por sua vez, não empolgava como a máquina de títulos dos anos 50, que empilhou cincos taças europeias consecutivas de 1956 a 1960, fazendo do clube o maior campeão da competição - conquistou o hexa em 1966.

Após um período de vacas magras, uma geração mais jovem surgiu nos anos 70, com Juanito, Santillana, Camacho e Del Bosque - ele mesmo, a futura lenda como técnico que, anos mais tarde, levantaria duas taças de Champions League pelo clube.

A temporada 1980/81 começou humilhante, levando 9 a 1 em amistoso contra o Bayern de Munique. O time era o atual tricampeão espanhol, mas perdeu competitividade e desperdiçou a chance de ser tetra. Ainda caiu para o Sporting Gijón na Copa do Rei.

Assim, diante de tropeços caseiros, tanto Liverpool quanto Real entraram de cabeça na disputa do título europeu.

Os ingleses chegaram a fazer 10 a 1 no Oulun Palloseura, da Finlândia. Depois, eliminaram o Aberdeen - de Sir Alex Ferguson - e o CSKA Sofia, base da seleção da Bulgária. Na semi, despacharam o Bayern de Munique, do astro Karl-Heinz Rummenigge.

O Real, por sua vez, eliminou times como o Honvéd, potência do futebol húngaro, além de Spartak Moscou e a campeã italiana Inter de Milão, de Baresi, Bergomi, Altobelli, Bordon e Prohaska, em um período que a Série A se fortalecia com a chegada de estrangeiros.

O Liverpool chegou à decisão como favorito, com oito titulares da conquista do bi europeu. Kenny Dalglish era a referência do ataque ao lado de David Johnson, com meio formado por Souness, McDermott, Sammy Lee e Ray Kennedy. Phil Neal, Phil Thompson, Alan Hansen e Alan Kennedy formavam a linha de defesa, com Ray Clemence no gol.

O Real era menos técnico e mais físico, escalado com Agustín Rodriguez; Rafael García Cortés, Antonio García Navajas, Andrés Sabido e José Antonio Camacho; Uli Stielike, Angel de los Santos e Vicente del Bosque; Santillana, Juanito e Laurie Cunningham.

Não foi uma grande final. O gramado estava prejudicado por uma partida de rúgbi ocorrida dias antes, com buracos e desníveis. Com entradas duras e pancadas para todos os lados, o Liverpool ainda conseguiu se impor mais no setor ofensivo. O Real só teve uma chance na partida, com Camacho, que desperdiçou na frente de Ray Clemence.

O gol do título dos Reds saiu aos 37 minutos do segundo tempo. Ray Kennedy cobrou lateral para Alan Kennedy, que passou por Garcia Cortés e anotou o único tento da decisão, entrando para a história do Liverpool e da Champions League.

O título serviu para reafirmar o período mais vitorioso da história do Liverpool, que voltou a ser campeão invicto da Champions em 1983/84. O Real, por sua vez, mostrou que a presença naquela decisão foi uma exceção de um time que não brilhou na Europa até o fim dos anos 90, quando voltou a empilhar troféus europeus e se consolidou como o maior campeão.

Atualmente, o Real tem 13 títulos da Liga dos Campeões. Já os Reds possuem seis taças. Eles voltaram a decidir a competição em 2018, com vitória espanhola por 3 a 1, em Kiev.

FICHA TÉCNICA:

Final da Champions League 1980/81
Liverpool 1 x 0 Real Madrid

Local: Parc des Princes, em Paris (FRA)
Gol: Alan Kennedy, aos 37 minutos do segundo tempo

Liverpool: Ray Clemence; Phil Neal, Alan Kennedy, Phil Thompson e Ray Kennedy ; Alan Hansen; Sammy Lee; Terry McDermott, Graeme Souness e Ray Kennedy; Kenny Dalglish (Jimmy Case) e David Johnson. Técnico: Bob Paisley

Real Madrid: Agustín Rodríguez; Rafael García Cortés (Francisco Pineda), Antonio García Navajas, Andrés Sabido e José Antonio Camacho; Vicente del Bosque, Ángel de los Santos e Uli Stielike; Juanito, Santillana e Laurie Cunninghan. Técnico: Vujadin Bo?kov

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